
Trump ameaça cobrar pedágio em Ormuz se acordo final com o Irã não for alcançado
Após Irã anunciar o fechamento do estreito em resposta a ataques israelitas no Líbano, presidente dos EUA afirma que trânsito será gratuito durante cessar-fogo, mas abre porta para futuras taxas.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou, através da rede social Truth Social, que não serão aplicadas taxas de trânsito no Estreito de Ormuz durante o período de cessar-fogo de 60 dias acordado com o Irã, mas advertiu que o seu país poderá impor pedágios caso as negociações para um acordo definitivo fracassem. Na mesma comunicação, Trump justificou a eventual cobrança como compensação pelos “serviços prestados como Anjo da Guarda dos países do Médio Oriente”, referindo-se ao papel da marinha norte-americana na segurança da região. A ameaça surge depois de as Forças Armadas iranianas terem anunciado o encerramento da via marítima, medida que Teerã atribui aos contínuos ataques de Israel no Líbano e ao que classifica como incumprimento, por parte de Washington, do memorando de entendimento assinado dias antes.
Na perspetiva de Teerã, a reabertura do estreito — por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial — está condicionada ao respeito integral da primeira cláusula do acordo preliminar, que exige um cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o Líbano. A diplomacia iraniana, contudo, prosseguiu com os preparativos para as conversações técnicas, enviando uma delegação a Zurique chefiada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, com representantes dos setores bancário e petrolífero. A equipa exige o descongelamento de milhares de milhões de dólares em ativos iranianos no exterior como gesto de boa-fé antes de avançar para um entendimento mais amplo.
O movimento contraditório entre o anúncio militar e a presença negocial revela, segundo analistas regionais, uma estratégia de pressão de Teerã para garantir que as conversações incluam não apenas o programa nuclear, mas também a situação no terreno libanês. Enquanto Washington, pelo Comando Central, assegura que o tráfego marítimo se mantém — registando a passagem de 55 navios mercantes no sábado, com mais de 17 milhões de barris de petróleo —, a tensão no sul do Líbano persiste, com trocas de fogo entre as forças israelitas e o Hezbollah, apesar da trégua mediada pelos Estados Unidos e pelo Catar. Observadores em Brasília, onde a Petrobras monitoriza a volatilidade dos preços do crude, e em Lisboa, atenta às rotas energéticas globais, notam que qualquer perturbação prolongada no Estreito de Ormuz terá reflexos imediatos nos mercados internacionais, com impacto inflacionista e logístico.
As conversações técnicas, com início previsto para domingo na Suíça, contarão ainda com a participação do vice-presidente norte-americano, JD Vance, do enviado especial Steve Witkoff e do conselheiro Jared Kushner. O Paquistão, mediador principal, e o Catar atuam como facilitadores do diálogo. Do lado iraniano, a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros advertiu que, se os compromissos centrais não forem cumpridos, “o memorando de entendimento como um todo ficará comprometido”. Apesar do ceticismo mútuo, as delegações mantêm a expectativa de avançar em duas frentes: a estabilização do cessar-fogo libanês e a arquitetura de um acordo nuclear provisório, cujo prazo inicial de 60 dias poderá ser prorrogado.
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