
Delegações dos EUA e do Irão iniciam negociações de paz na Suíça
Após assinatura remota de um memorando, as equipas lideradas pelo vice-presidente Vance e pelo presidente do Parlamento iraniano arrancaram em Bürgenstock com conversações técnicas de 24 horas, sob mediação do Paquistão e do Catar.
As delegações dos Estados Unidos e do Irão reúnem‑se este domingo, na localidade suíça de Bürgenstock, para a primeira ronda técnica de negociações destinada a converter o Memorando de Entendimento de Islamabad num acordo de paz duradouro. O documento, assinado digitalmente a 18 de junho pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, fixa um prazo de 60 dias — prorrogável por consentimento mútuo — para estabelecer um pacto que ponha fim a um conflito de quase quatro meses, responsável por milhares de mortos e por uma grave perturbação do comércio petrolífero mundial. Fontes diplomáticas em Berna indicam que as conversações decorrerão em dois momentos no mesmo dia: uma primeira reunião apenas com os mediadores (Paquistão e Catar) e uma segunda ronda quadrilateral que juntará norte‑americanos e iranianos.
A composição e a simbologia das equipas refletem o peso político atribuído à reunião. A delegação iraniana viajou num aparelho batizado “Minab 168”, em memória das vítimas — entre as quais 110 crianças, segundo Teerão — do bombardeamento de uma escola no início da guerra, um ataque que agências de informação dos EUA atribuíram às suas próprias forças, embora o Pentágono não o tenha reconhecido. O chefe da delegação, o presidente do Parlamento Mohammad‑Bagher Ghalibaf, afirmou que os atos da equipa estão “sob o olhar constante” das crianças mortas e de todos os mártires do Irão. Do lado norte‑americano, o vice‑presidente JD Vance lidera uma delegação que inclui o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner. Vance declarou antes da partida esperar avanços nas questões nuclear e do cessar‑fogo no Líbano.
Paralelamente ao dossier nuclear, a pauta inclui o fim das hostilidades no Líbano e a reabertura do Estreito de Ormuz. O memorando de Islamabad prevê a cessação de todas as operações militares “em todas as frentes” e obriga o Irão a garantir a livre passagem de navios comerciais pelo estreito durante os 60 dias do acordo‑quadro, ao mesmo tempo que enceta com Omã a definição de uma futura administração da via marítima. Apesar destas disposições, os combates entre Israel e o Hezbollah prosseguiram no sábado, com ataques israelitas a fazer 16 mortos no sul do Líbano; o grupo xiita e o Estado libanês não são partes formais do processo de Bürgenstock. Teerão condicionou as negociações técnicas ao cumprimento de cinco pontos do memorando, sublinhando que a durabilidade do acordo depende “da conduta da outra parte”.
As implicações deste processo são acompanhadas com atenção nos países lusófonos, vulneráveis às flutuações do preço do petróleo e do gás natural. Em Brasília, analistas notam que a normalização do tráfego no Estreito de Ormuz aliviaria a pressão inflacionista sobre os combustíveis e poderia reduzir os custos logísticos das exportações brasileiras. Para Lisboa, a estabilização dos mercados energéticos é vista como um fator que amenizaria a pressão sobre o poder de compra num país fortemente dependente de importações. Em Angola, produtor de crude que compete com o petróleo iraniano, a retoma das exportações do Irão pode introduzir nova concorrência, ao passo que Moçambique, prestes a tornar‑se exportador de gás, observa qualquer sinal de reequilíbrio do mercado global como potencial janela de oportunidade.
Os trabalhos decorrem durante o dia de hoje, devendo as partes avaliar no final da jornada se existem condições para prosseguir com reuniões técnicas nas próximas semanas. Embora o clima seja descrito por fontes diplomáticas como de “prudente expectativa”, a resistência de setores do Congresso norte‑americano ao memorando e a continuação dos confrontos no sul do Líbano mantêm o dossier num equilíbrio frágil, sem que ainda se vislumbre uma data para a próxima ronda presencial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Russian press highlights the arrival of the Iranian delegation for technical talks, emphasizing that the delegation's plane was named "Minab-168" in memory of 168 children killed in an American strike. The coverage notes the Swiss welcome and positions the talks as part of the US-Iran memorandum of understanding, while subtly reminding readers of past grievances.
The continental European press reports factually on the arrival of both delegations, noting the symbolic name "Minab 168" for the Iranian team and Vice President Vance's statement about focusing on nuclear energy and a Lebanon ceasefire. The tone is neutral, simply recording events without editorializing.
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