
Custos crescentes levam empresas a limitar uso de IA, enquanto investimentos disparam
Grandes grupos como Amazon e Walmart impõem tetos ao uso de inteligência artificial, mas projeções apontam para investimentos de US$ 1 trilhão, revelando um descompasso entre promessa e realidade.
O uso corporativo da inteligência artificial começa a enfrentar um freio. Empresas como Amazon, Walmart, Cisco e Uber — que antes incentivavam a adoção — agora impõem tetos de gastos ou orientam funcionários para modelos mais baratos, abaladas pelo rápido aumento dos custos com tokens, as unidades de processamento cobradas pelos grandes laboratórios de IA. Apesar disso, o mercado financeiro parece ter deixado para trás o temor dos custos: J.P. Morgan e Barclays projetam que o investimento global em IA poderá atingir US$ 1 trilhão sem abalar a confiança dos investidores.
A disseminação desordenada de ferramentas — o “AI sprawl” — ajuda a explicar o paradoxo. Pesquisa com 6.000 trabalhadores digitais nos EUA, Reino Unido e Austrália mostrou que 77% usam múltiplas plataformas de IA semanalmente, e um terço recorre a quatro ou mais; 60% repetem os mesmos comandos em diferentes ferramentas se a primeira resposta não satisfaz. Embora cada profissional relate economizar em média 11 horas por semana, apenas 13% afirmam que esses ganhos melhoraram de forma significativa o desempenho da empresa.
A pressão por dominar a tecnologia está a roubar noites e fins de semana de engenheiros de software e designers. Um inquérito da Ernst & Young revelou que 85% dos trabalhadores de escritório nos EUA aprendem a usar IA fora do expediente. Na Europa, a Comissão Europeia quer triplicar a capacidade de computação do bloco, mas esbarra em redes elétricas saturadas e protestos locais — um dilema que Hong Kong também conhece: a cidade, que ambiciona ser polo global de IA, importa eletricidade para suprir um défice energético crónico e busca integrar-se à Grande Baía para alocar data centers onde a energia é mais abundante.
Hong Kong surge ainda como “base estratégica de adaptação” para gigantes tecnológicos da China continental, que a usam para captar capital e talento internacional e transformar-se em empresas multinacionais, segundo o secretário das Finanças, Paul Chan. Enquanto isso, o investidor Kevin O’Leary, do programa “Shark Tank”, sentencia que as consultoras estão com os dias contados: as empresas que ele apoia preferem recorrer diretamente à IA para projetos antes terceirizados.
As cotações das grandes tecnológicas seguem em alta, mas os próximos passos exigirão equilibrar inovação e custo. A abertura de capital da Anthropic e da OpenAI, prevista para o final do ano nos EUA, testará se o apetite do mercado resiste ao escrutínio das margens que a cobrança por tokens veio expor.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 3 idiomas
As empresas estão freando os gastos com IA, impondo limites e buscando modelos mais baratos. A farra inicial dá lugar à disciplina orçamentária, com custos elevados forçando um recuo pragmático diante da adoção desenfreada.
Hong Kong é posicionada como hub estratégico para financiamento de IA e aeroespacial, alavancando forças de mercado como a SpaceX. Apesar das restrições energéticas, empresas da China continental a tratam como campo de testes para expansão global, sinalizando ambição contínua em vez de retração.
Artigos relacionados
Negociações EUA-Irão começam na Suíça com Estreito de Ormuz no centro da tensão
9 idiomas · 36 veículos
EsporteJapão goleia Tunísia no milésimo jogo das Copas e avança firme no Grupo F
7 idiomas · 40 veículos
Geopolítica & PolíticaTrump ameaça novos ataques ao Irão se proxies no Líbano não forem contidos
5 idiomas · 19 veículos