
Deslocações de Infantino em jato particular na Copa 2026 expõem contradições climáticas da FIFA
Com 10 aparições em sete dias a bordo de um avião privado, presidente da FIFA gerou entre 300 e 500 toneladas de CO₂, segundo cálculos da consultora Greenly.
A utilização intensiva de um jato particular pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, durante a Copa do Mundo de 2026 reacendeu o debate sobre a incoerência climática da entidade. Em apenas sete dias, o dirigente marcou presença nos estádios de pelo menos dez cidades-sede, de Vancouver à Cidade do México, percorrendo distâncias continentais. A consultora francesa Greenly estima que, se Infantino mantiver o ritmo de duas cidades por dia até os oitavos de final e assistir aos últimos oito jogos, a sua aeronave emitirá entre 300 e 500 toneladas de CO₂ apenas durante o torneio — o equivalente à pegada anual de 35 a 55 cidadãos franceses.
A dispersão geográfica do primeiro Mundial com 48 seleções, disputado em 16 estádios da NFL nos EUA, Canadá e México, está na raiz do problema. David Gogishvili, geógrafo da Universidade de Lausanne, descreve um “paradoxo da sustentabilidade”: ao reutilizar recintos já existentes mas extremamente afastados, a FIFA criou um modelo estruturalmente dependente do transporte aéreo, o maior emissor de CO₂ por passageiro. “A hiper-mobilidade é normalizada e os custos carbónicos são transferidos para as regiões anfitriãs e para os adeptos”, afirma. Para ativistas norte-americanos da Greenpeace, como John Hocevar, o facto de os dirigentes viajarem diariamente em jatos altamente poluentes não transmite qualquer mensagem de responsabilidade climática.
A FIFA defende as deslocações com o argumento de que as viagens são escolhidas “com base na eficiência e na relação custo-eficácia”. Contudo, o uso de aviões privados não se limita à liderança da organização. O Mundial do Catar 2022 atraiu 1.846 jatos particulares, mais do que o Super Bowl, o Festival de Cannes, o Fórum de Davos e a COP28 juntos, conforme registado pela revista Nature. O académico Tim Walters sublinhou que todas as emissões associadas a um Mundial são “de luxo e não de subsistência”, já que o torneio, em rigor, não precisaria de existir.
O modelo de dispersão geográfica não se esgota em 2026. No próximo ano, o Campeonato do Mundo Feminino no Brasil repetirá a fórmula, depois de a FIFA ter preterido uma candidatura europeia que permitiria deslocações ferroviárias entre Bélgica, Países Baixos e Alemanha. Para Portugal, coanfitrião do Mundial masculino do centenário em 2030 ao lado de Espanha e Marrocos — com três jogos na América do Sul —, o alargamento do torneio e a sua pegada aérea perfilam-se como desafios incontornáveis, na perspetiva de observadores em Lisboa. O eventual aumento para 64 equipas aprofundaria a dependência de um sistema que coloca o espetáculo acima de qualquer compromisso climático.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Latin American press harshly criticizes Infantino's use of a private jet during the World Cup, highlighting his indifference to climate austerity measures. The FIFA president's omnipresence is seen as a symbol of power detached from environmental concerns.
Arab media vehemently denounce Infantino's abuse of private flights, calling it a sign of contempt for climate issues. They highlight the continuity of behavior already criticized in the past, with details on the routes covered in a few days.
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