
Petróleo recua para mínimos de março com reabertura do Estreito de Ormuz após acordo provisório EUA-Irã
Brent e WTI caem abaixo de 80 e 76 dólares com a passagem de petroleiros pelo estreito, mas a fragilidade do memorando e as reservas globais criticamente baixas mantêm incerteza sobre a trajetória dos preços.
Os preços do petróleo afundaram para os níveis mais baixos desde o início de março, depois de os presidentes dos Estados Unidos e do Irão terem assinado, na quarta-feira, um memorando de entendimento que põe fim às hostilidades e reabre o Estreito de Ormuz. O Brent do Mar do Norte cedeu mais de 0,5%, negociando-se na manhã de sexta-feira abaixo dos 80 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate recuou para a casa dos 76 dólares. A queda acelerou quando três petroleiros com bandeira saudita, transportando seis milhões de barris de crude, atravessaram o canal horas após a assinatura do pacto.
O memorando de 14 pontos suspende o bloqueio naval americano, levanta as sanções às exportações de petróleo iraniano e compromete Teerão a permitir a passagem gratuita de navios comerciais durante um período de negociação de 60 dias, prorrogável. Prevê ainda a criação de um fundo de reconstrução de 300 mil milhões de dólares para o Irão, financiado por parceiros regionais, e adia as questões mais espinhosas — o programa nuclear iraniano e o futuro do urânio enriquecido — para a fase de conversações técnicas que se inicia agora. Em Washington, aliados republicanos de Trump questionam se a Casa Branca cedeu demasiado; em Teerão, o líder supremo Khamenei descreveu o acordo como um gesto de “desespero” americano e avisou que as negociações nucleares não serão fáceis.
A retoma do tráfego no estreito, por onde transitava um quinto do petróleo mundial antes da guerra, permite começar a escoar os mais de 85 milhões de barris que ficaram retidos no Golfo. O Kuwait levantou de imediato as declarações de força maior e o Iraque anunciou que os seus campos petrolíferos estão prontos para retomar a produção. Contudo, analistas na Europa e na Ásia advertem que a normalização total das exportações pode levar semanas ou meses, e que as reservas estratégicas globais — nos níveis mais baixos desde 1990, com a reserva de emergência americana no mínimo de 43 anos — terão de ser recompostas, o que deverá travar uma queda mais acentuada das cotações. Para economias lusófonas importadoras de crude, como Portugal e vários países africanos, o alívio nos preços mitiga pressões inflacionistas, mas a volatilidade persiste.
A continuidade do acordo enfrenta riscos imediatos: Israel mantém a ofensiva contra o Hezbollah no Líbano, apesar de o memorando exigir o fim permanente das hostilidades em todas as frentes, e o vice-presidente americano JD Vance cancelou uma viagem à Suíça para se reunir com negociadores iranianos. O próximo marco factual é o arranque das negociações técnicas sobre o programa nuclear, que determinarão se o entendimento provisório se converte num tratado definitivo ou se o frágil equilíbrio geopolítico volta a perturbar o mercado petrolífero mundial.
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Os preços do petróleo caíram depois que os petroleiros retomaram o trânsito pelo Estreito de Ormuz após o acordo de paz entre EUA e Irã, aliviando os temores de oferta. O mercado reagiu à perspectiva do retorno dos barris iranianos, empurrando o Brent e o WTI para mínimas de três meses. O reino observa com cautela a durabilidade do acordo, pois uma queda prolongada dos preços pode pressionar os equilíbrios fiscais.
O tão aguardado acordo de paz provisório entre EUA e Irã foi finalmente assinado, reabrindo o Estreito de Ormuz e permitindo o livre trânsito de petroleiros. A resolução da maior interrupção do fornecimento de energia da história derrubou os preços do petróleo para mínimas de três meses, com o Brent caindo 11% na semana. Os mercados saúdam o retorno da estabilidade, embora a atenção agora se volte para a implementação do acordo e a normalização gradual das exportações iranianas.
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