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Energia e Climaquinta-feira, 18 de junho de 2026

El Niño ganha força no Pacífico e ONU pede recursos para evitar tragédias climáticas

Com 63% de probabilidade de ser um evento muito intenso, o fenômeno mobiliza governos na América Latina, do Brasil à Colômbia, enquanto o setor agropecuário argentino vê riscos e oportunidades.

A Organização das Nações Unidas lançou um apelo conjunto, por meio da FAO e do Programa Mundial de Alimentos, para que a comunidade internacional destine financiamento adicional à prevenção dos impactos do El Niño, que se consolida no Pacífico com sinais de intensidade comparável aos episódios mais extremos das últimas décadas. A agência norte-americana NOAA estima em 63% a probabilidade de o fenômeno atingir um nível muito forte entre novembro e janeiro, enquanto análises de meteorologistas brasileiros indicam que uma nova onda de calor oceânica pode empurrar o evento para a categoria de “Super El Niño”. O apelo das Nações Unidas sublinha que agir antes que as consequências se materializem é a única forma de evitar que choques climáticos se transformem em crises humanitárias irreversíveis.

Na América Latina, os países já traduzem o alerta em ações locais. No México, o Servicio Meteorológico Nacional prevê que a combinação do El Niño com a canícula — período tradicional de calor intenso e escassez de chuvas — produza um verão particularmente severo. A Argentina, por sua vez, observa o fenômeno com uma mistura de cautela e expectativa: o setor agropecuário vê nas chuvas acima da média sobre a Cuenca del Plata uma oportunidade para melhorar os rendimentos das culturas, mas técnicos do INTA advertem que o excesso hídrico pode rapidamente converter-se em anegamentos e perdas produtivas se não houver planejamento adequado. Na Colômbia, as autoridades de Norte de Santander já ativaram protocolos de articulação com os bombeiros e pedem à população que evite queimadas controladas e se hidrate adequadamente.

No Brasil, o governo federal instalou uma Sala de Situação Interministerial coordenada pela Casa Civil, que unifica a preparação de 20 ministérios e órgãos para gerenciar possíveis desastres associados ao “Super El Niño” a partir de julho. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou que o país está permanentemente preparado, mas que a estrutura específica permite respostas mais ágeis. Na região de Campinas, pesquisadores do Cepagri da Unicamp projetam impactos que vão além do calor extremo: situada numa zona de transição do fenômeno, a área pode enfrentar simultaneamente ondas de calor e aumento das chuvas, elevando os riscos à saúde e pressionando as contas de energia e água da população.

A convergência de alertas globais e mobilizações nacionais revela um continente que aprendeu com os episódios passados, mas que ainda depende de financiamento e coordenação para mitigar os efeitos de um evento cuja intensidade exata permanece incerta. Enquanto o Pacífico equatorial continua a aquecer, a mensagem que se repete de Brasília a Bogotá, de Buenos Aires à Cidade do México, é a mesma: a janela para agir é agora, e a qualidade das decisões tomadas nas próximas semanas determinará se o El Niño de 2026 será lembrado como um susto administrado ou como uma catástrofe anunciada.

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

El Niño ganha força no Pacífico e ONU pede recursos para evitar tragédias climáticas

Com 63% de probabilidade de ser um evento muito intenso, o fenômeno mobiliza governos na América Latina, do Brasil à Colômbia, enquanto o setor agropecuário argentino vê riscos e oportunidades.

A Organização das Nações Unidas lançou um apelo conjunto, por meio da FAO e do Programa Mundial de Alimentos, para que a comunidade internacional destine financiamento adicional à prevenção dos impactos do El Niño, que se consolida no Pacífico com sinais de intensidade comparável aos episódios mais extremos das últimas décadas. A agência norte-americana NOAA estima em 63% a probabilidade de o fenômeno atingir um nível muito forte entre novembro e janeiro, enquanto análises de meteorologistas brasileiros indicam que uma nova onda de calor oceânica pode empurrar o evento para a categoria de “Super El Niño”. O apelo das Nações Unidas sublinha que agir antes que as consequências se materializem é a única forma de evitar que choques climáticos se transformem em crises humanitárias irreversíveis.

Na América Latina, os países já traduzem o alerta em ações locais. No México, o Servicio Meteorológico Nacional prevê que a combinação do El Niño com a canícula — período tradicional de calor intenso e escassez de chuvas — produza um verão particularmente severo. A Argentina, por sua vez, observa o fenômeno com uma mistura de cautela e expectativa: o setor agropecuário vê nas chuvas acima da média sobre a Cuenca del Plata uma oportunidade para melhorar os rendimentos das culturas, mas técnicos do INTA advertem que o excesso hídrico pode rapidamente converter-se em anegamentos e perdas produtivas se não houver planejamento adequado. Na Colômbia, as autoridades de Norte de Santander já ativaram protocolos de articulação com os bombeiros e pedem à população que evite queimadas controladas e se hidrate adequadamente.

No Brasil, o governo federal instalou uma Sala de Situação Interministerial coordenada pela Casa Civil, que unifica a preparação de 20 ministérios e órgãos para gerenciar possíveis desastres associados ao “Super El Niño” a partir de julho. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, afirmou que o país está permanentemente preparado, mas que a estrutura específica permite respostas mais ágeis. Na região de Campinas, pesquisadores do Cepagri da Unicamp projetam impactos que vão além do calor extremo: situada numa zona de transição do fenômeno, a área pode enfrentar simultaneamente ondas de calor e aumento das chuvas, elevando os riscos à saúde e pressionando as contas de energia e água da população.

A convergência de alertas globais e mobilizações nacionais revela um continente que aprendeu com os episódios passados, mas que ainda depende de financiamento e coordenação para mitigar os efeitos de um evento cuja intensidade exata permanece incerta. Enquanto o Pacífico equatorial continua a aquecer, a mensagem que se repete de Brasília a Bogotá, de Buenos Aires à Cidade do México, é a mesma: a janela para agir é agora, e a qualidade das decisões tomadas nas próximas semanas determinará se o El Niño de 2026 será lembrado como um susto administrado ou como uma catástrofe anunciada.

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