
60 Minutes expõe saque de antiguidades no Camboja e apostas ilegais em operações militares dos EUA
Emissão de 28 de junho de 2026 revela duas investigações paralelas: o rasto de tesouros cambojanos roubados e a suspeita de uso de informação classificada para lucrar em mercados de previsão.
A edição de 28 de junho do programa 60 Minutes, da CBS News, apresentou duas frentes de investigação que expõem fragilidades na proteção do património cultural e na integridade de operações militares. A primeira reportagem documentou a busca do Camboja por milhares de antiguidades saqueadas de templos durante décadas de guerra e genocídio. A segunda revelou que um soldado norte-americano terá utilizado informação secreta para apostar em mercados online de previsão sobre a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, e sobre outros desfechos de conflitos.
No caso cambojano, o advogado Brad Gordon, contratado pelo governo de Phnom Penh, lidera há 14 anos o rastreio de estátuas, joias e peças de ouro retiradas de sítios como Angkor Wat e o monte Sandak. Segundo a CBS, os saques intensificaram-se sob o regime do Khmer Vermelho e prolongaram-se pela guerra civil, alimentando um mercado global de “antiguidades de sangue”. A investigação centrou-se no negociante britânico Douglas Latchford, cujas publicações exibiam peças nunca antes vistas por cambojanos. Um antigo soldado infantil do Khmer Vermelho, identificado como “Lion”, reconheceu nas fotografias muitos dos objetos que ele próprio saqueara, indicando que o destino final fora Latchford. O negociante morreu antes de ser extraditado para os EUA, mas as autoridades cambojanas continuam a recuperar peças que estavam em museus e coleções privadas norte-americanas.
A segunda investigação relatou que o sargento Gannon Ken Van Dyke, do Exército dos EUA, foi acusado em abril de ter apostado cerca de 34 mil dólares em plataformas como a Polymarket, com base em informações classificadas sobre a operação que capturou Maduro. A acusação alega que obteve mais de 400 mil dólares de lucro e tentou apagar a conta. O caso, descrito por antigos responsáveis da agência reguladora de futuros como “uma das piores traições de confiança” na área, ilustra a emergência de um novo tipo de abuso de informação privilegiada em mercados de previsão, onde se pode apostar em datas de ataques, fecho de espaços aéreos ou transferências de urânio enriquecido.
A mesma emissão do CBS Weekend News deu ainda conta de outras ocorrências: três bombeiros mortos no combate a um incêndio florestal na fronteira entre o Colorado e o Utah, inundações no Kentucky que causaram pelo menos quatro vítimas mortais, segundo a NBC News, e um sismo na Venezuela com mais de 1.400 mortos. Observadores em Brasília e Lisboa notam que a convergência destes temas num único programa sublinha a dimensão transnacional dos desafios — do tráfico de bens culturais, que afeta também antigas colónias portuguesas, à regulação de mercados digitais de apostas, ainda incipiente em países lusófonos.
As investigações prosseguem. O soldado Van Dyke declarou-se inocente e aguarda julgamento. O Camboja mantém contactos com museus e colecionadores para a devolução voluntária de peças, enquanto a Polymarket afirma cooperar com as autoridades. Os números de vítimas das inundações e do sismo permanecem provisórios.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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