Entrar
Edição das 16:00 CETquinta-feira, 2 de julho de 2026
311 veículos · 17 idiomas1018 briefing hoje
Energia e Climaquarta-feira, 1 de julho de 2026

Oceanos batem recorde de temperatura em junho e entram em 'território desconhecido'

O aquecimento sem precedentes da superfície do mar, impulsionado pelo El Niño e pelas alterações climáticas, ameaça agravar fenómenos extremos e pressionar ecossistemas marinhos.

A temperatura média global da superfície dos oceanos atingiu em junho o valor mais elevado de que há registo para este mês, segundo os serviços Copernicus da União Europeia. No dia 21, os termómetros marcaram 20,86°C, superando os máximos de 2023 e 2024, enquanto a média mensal se fixou em 20,98°C. O primeiro semestre de 2026 foi o segundo mais quente da série histórica, com ondas de calor marinhas a cobrir 82% da área oceânica. O Mediterrâneo e o Pacífico tropical registaram igualmente recordes, com 24,34°C e 27,26°C, respetivamente.

O novo pico de calor oceânico era antecipado pelos cientistas, que apontam para a convergência de dois fatores: o início de um episódio de El Niño, declarado pela Organização Meteorológica Mundial a 2 de junho, e a tendência de aquecimento de longo prazo provocada pelas emissões de gases com efeito de estufa. Os oceanos absorvem cerca de 90% do excesso de calor retido pelo sistema climático, funcionando como um amortecedor que agora mostra sinais de saturação. “As condições atuais podem indicar o início de uma nova fase, que nos conduzirá, mais uma vez, a território desconhecido”, afirmou Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus.

O aquecimento das águas tem implicações em cadeia. Mantém a atmosfera mais quente durante mais tempo, fornece energia adicional a tempestades e ciclones tropicais, e aumenta a evaporação, elevando o risco de precipitações extremas e inundações. Contribui ainda para a subida do nível do mar, tanto pela expansão térmica como pelo degelo acelerado, e submete os ecossistemas marinhos a um stress térmico prolongado. No Mediterrâneo, 98% da bacia sofreu ondas de calor no primeiro semestre, com um pico de intensidade recorde no noroeste, onde a anomalia atingiu 5,2°C acima do normal. A Europa continental enfrentou em simultâneo uma vaga de calor que, segundo a Organização Mundial da Saúde, provocou mais de 1300 mortes em excesso desde 21 de junho.

As projeções sazonais do Copernicus indicam que o atual El Niño poderá atingir uma intensidade não observada há décadas, o que torna provável a queda de novos recordes de temperatura nos próximos meses. “Com a chegada de um ano de El Niño, podemos esperar que 2026 figure entre os anos mais quentes alguma vez registados”, disse Simon van Gennip, oceanógrafo do Serviço Marinho do Copernicus. A comunidade científica sublinha a necessidade de monitorizar de perto as ondas de calor marinhas, cujos impactos se estendem à meteorologia, às pescas e às economias costeiras. O próximo marco factual será a atualização das previsões sazonais do Copernicus e a eventual confirmação, pela NOAA, da intensidade do El Niño no final do ano.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 3 idiomas

32%
TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa europeia continentalImprensa latino-americana
Imprensa europeia continental/ Mediterrânea
AlarmeUrgênciaIndignação

O Mediterrâneo está a ferver, com temperaturas da superfície até seis graus acima da média histórica. A chegada do El Niño agravará a situação, tornando indispensável uma adaptação imediata para evitar danos irreversíveis aos ecossistemas marinhos.

Imprensa latino-americana/ Mercado
DistanciamentoPragmatismo

A temperatura média global dos oceanos atingiu um novo recorde em junho, superando os níveis de 2023 e 2024. O observatório europeu Copernicus atribui o fenômeno à combinação de El Niño e aquecimento global, prevendo novos aumentos nos próximos meses.

Amplie o olhar

Ler mais
Últimas notícias
Painel da ONU alerta que governança da IA está a ficar para trás face à aceleração tecnológica·Criação de vagas nos EUA desacelera e alivia temores de alta de juros·Sinais de tensão fiscal e comercial convergem em economias emergentes·Alemanha cai nos pênaltis diante do Paraguai e Nagelsmann fica à beira da demissão·Ofensiva policial global atinge redes de apostas, contrafação e pedofilia·Estudo de Washington revela mais de 2 milhões de baixas militares na guerra da Ucrânia·Dólar recua a mínimos de seis anos na Colômbia com 'carry trade' e dados fracos dos EUA·Manchester City contrata Elliot Anderson por valor recorde de £116 milhões·Painel da ONU alerta que governança da IA está a ficar para trás face à aceleração tecnológica·Criação de vagas nos EUA desacelera e alivia temores de alta de juros·Sinais de tensão fiscal e comercial convergem em economias emergentes·Alemanha cai nos pênaltis diante do Paraguai e Nagelsmann fica à beira da demissão·Ofensiva policial global atinge redes de apostas, contrafação e pedofilia·Estudo de Washington revela mais de 2 milhões de baixas militares na guerra da Ucrânia·Dólar recua a mínimos de seis anos na Colômbia com 'carry trade' e dados fracos dos EUA·Manchester City contrata Elliot Anderson por valor recorde de £116 milhões·
Atualizado 13:463 idiomas · 7 veículos
7 veículos|3 idiomas|3 min de leitura
quarta-feira, 1 de julho de 2026

Oceanos batem recorde de temperatura em junho e entram em 'território desconhecido'

O aquecimento sem precedentes da superfície do mar, impulsionado pelo El Niño e pelas alterações climáticas, ameaça agravar fenómenos extremos e pressionar ecossistemas marinhos.

A temperatura média global da superfície dos oceanos atingiu em junho o valor mais elevado de que há registo para este mês, segundo os serviços Copernicus da União Europeia. No dia 21, os termómetros marcaram 20,86°C, superando os máximos de 2023 e 2024, enquanto a média mensal se fixou em 20,98°C. O primeiro semestre de 2026 foi o segundo mais quente da série histórica, com ondas de calor marinhas a cobrir 82% da área oceânica. O Mediterrâneo e o Pacífico tropical registaram igualmente recordes, com 24,34°C e 27,26°C, respetivamente.

O novo pico de calor oceânico era antecipado pelos cientistas, que apontam para a convergência de dois fatores: o início de um episódio de El Niño, declarado pela Organização Meteorológica Mundial a 2 de junho, e a tendência de aquecimento de longo prazo provocada pelas emissões de gases com efeito de estufa. Os oceanos absorvem cerca de 90% do excesso de calor retido pelo sistema climático, funcionando como um amortecedor que agora mostra sinais de saturação. “As condições atuais podem indicar o início de uma nova fase, que nos conduzirá, mais uma vez, a território desconhecido”, afirmou Carlo Buontempo, diretor do Serviço de Alterações Climáticas do Copernicus.

O aquecimento das águas tem implicações em cadeia. Mantém a atmosfera mais quente durante mais tempo, fornece energia adicional a tempestades e ciclones tropicais, e aumenta a evaporação, elevando o risco de precipitações extremas e inundações. Contribui ainda para a subida do nível do mar, tanto pela expansão térmica como pelo degelo acelerado, e submete os ecossistemas marinhos a um stress térmico prolongado. No Mediterrâneo, 98% da bacia sofreu ondas de calor no primeiro semestre, com um pico de intensidade recorde no noroeste, onde a anomalia atingiu 5,2°C acima do normal. A Europa continental enfrentou em simultâneo uma vaga de calor que, segundo a Organização Mundial da Saúde, provocou mais de 1300 mortes em excesso desde 21 de junho.

As projeções sazonais do Copernicus indicam que o atual El Niño poderá atingir uma intensidade não observada há décadas, o que torna provável a queda de novos recordes de temperatura nos próximos meses. “Com a chegada de um ano de El Niño, podemos esperar que 2026 figure entre os anos mais quentes alguma vez registados”, disse Simon van Gennip, oceanógrafo do Serviço Marinho do Copernicus. A comunidade científica sublinha a necessidade de monitorizar de perto as ondas de calor marinhas, cujos impactos se estendem à meteorologia, às pescas e às economias costeiras. O próximo marco factual será a atualização das previsões sazonais do Copernicus e a eventual confirmação, pela NOAA, da intensidade do El Niño no final do ano.

Divergência das fontes

Energia e Clima · 7 veículos · 3 idiomas

32%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Neutro20%
Crítico80%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

2 grupos editoriais · 3 idiomas

TomTemperaturaFocoPosicionamentoHorizonte
Imprensa europeia continentalImprensa latino-americana
Imprensa europeia continental/ Mediterrânea
AlarmeUrgênciaIndignação

O Mediterrâneo está a ferver, com temperaturas da superfície até seis graus acima da média histórica. A chegada do El Niño agravará a situação, tornando indispensável uma adaptação imediata para evitar danos irreversíveis aos ecossistemas marinhos.

Imprensa latino-americana/ Mercado
DistanciamentoPragmatismo

A temperatura média global dos oceanos atingiu um novo recorde em junho, superando os níveis de 2023 e 2024. O observatório europeu Copernicus atribui o fenômeno à combinação de El Niño e aquecimento global, prevendo novos aumentos nos próximos meses.

Esta notícia apareceu em

7 veículos · 3 idiomas

Amplie o olhar

De Geopolitics & Politics

Promotoria alemã acusa Kiev de ordenar sabotagem dos gasodutos Nord Stream em 2022

11 idiomas · 19 veículos

De Economy & Markets

OpenAI propõe ceder 5% ao governo dos EUA para partilhar benefícios da inteligência artificial

10 idiomas · 23 veículos

De Technology

WhatsApp introduz nomes de utilizador e Índia trava funcionalidade por receio de fraudes

4 idiomas · 19 veículos

Ler mais