
ONU alerta para El Niño forte entre julho e setembro, com riscos de extremos climáticos
Organização Meteorológica Mundial prevê aquecimento do Pacífico acima de 2°C e intensificação de secas, chuvas intensas e ondas de calor em várias regiões do planeta.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) elevou o alerta sobre o El Niño em curso, projetando uma rápida evolução para um episódio de forte intensidade entre julho e setembro de 2026. Modelos dos principais centros climáticos indicam que as anomalias de temperatura da superfície do mar no Pacífico equatorial central e oriental devem ultrapassar 2°C, com notável concordância entre as previsões, o que confere grau elevado de confiança ao cenário. O fenómeno, que alterna com fases neutras e com a La Niña, aquece as águas do Pacífico e altera os padrões globais de vento, pressão e precipitação, com impactos que se estendem por vários meses.
O aquecimento oceânico já se reflete em recordes: o serviço Copernicus registou em 21 de junho a temperatura média global da superfície do mar mais alta para o mês, superando as marcas de 2023 e 2024. A combinação do El Niño com o aquecimento global de origem humana amplifica a disponibilidade de energia e humidade para eventos extremos. A OMM adverte para o aumento da probabilidade de ondas de calor terrestres e marinhas, secas, chuvas torrenciais e incêndios florestais em muitas regiões. O episódio anterior, em 2023-2024, contribuiu para que esses anos se tornassem os mais quentes já registados, com a temperatura global cerca de 1,55°C acima da média pré-industrial.
Na América do Sul, os efeitos são contrastantes. O Peru declarou estado de emergência em 800 municípios devido ao perigo iminente de chuvas intensas e deslizamentos. A Colômbia identificou dez departamentos com maior probabilidade de condições secas, incluindo Cundinamarca e Antioquia. No Brasil, projeções do INPE e de outros órgãos apontam para aumento de chuvas no Sul e estiagem no Norte e no Nordeste, com ondas de calor mais frequentes. O governo do Rio de Janeiro reforçou a rede de monitoramento e resposta, com a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros e as concessionárias de água e energia a preparar planos de contingência. A Aegea, companhia de saneamento presente da Amazónia ao Rio Grande do Sul, antecipou obras de captação e perfuração de poços para mitigar os efeitos da seca e das cheias.
Na perspetiva de Brasília, o fenómeno pressiona a inflação de alimentos e a geração hidroelétrica, enquanto o governo federal anunciou um pacote de quase R$ 10 mil milhões para áreas vulneráveis. A OMM coordena o reforço de alertas precoces junto de agências humanitárias e setores como agricultura e saúde. O El Niño deverá atingir o pico entre novembro e fevereiro, mas os seus efeitos sobre as temperaturas globais costumam prolongar-se pelo ano seguinte. O próximo marco factual a acompanhar é a atualização dos boletins sazonais da OMM e dos centros nacionais de meteorologia, que detalharão a intensidade e a distribuição regional dos impactos ao longo do segundo semestre.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Latin American press foregrounds the human cost of El Niño, highlighting how droughts will hit small farmers and floods will overwhelm poor communities. The phenomenon is framed as further evidence of government failure to protect the most vulnerable, with a tone of social indictment.
The Indian and South Asian press treats El Niño as a scientifically confirmed event, linking it to record ocean temperatures and climate change. The emphasis is on the need for preparedness and data-driven policies, with a measured but urgent tone.
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