
Suprema Corte dos EUA amplia poder de Trump para demitir chefes de agências
Decisão reverte precedente de 1935, mas preserva independência do Federal Reserve ao barrar demissão de Lisa Cook.
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, que o presidente Donald Trump pode demitir os dirigentes de agências federais independentes sem justa causa, revertendo o precedente Humphrey’s Executor, de 1935. No mesmo dia, o tribunal rejeitou o pedido da Casa Branca para afastar imediatamente a governadora do Federal Reserve, Lisa Cook, alegando que não lhe foi garantido o devido processo legal. A decisão no caso Trump v. Slaughter amplia a autoridade presidencial sobre entidades como a Comissão Federal de Comércio (FTC), enquanto a exceção aberta para o banco central sinaliza, segundo analistas em Washington, uma distinção baseada na tradição histórica de independência da política monetária.
A maioria conservadora do tribunal, em voto redigido pelo presidente John Roberts, considerou que as proteções de mandato para comissários da FTC violam a separação de poderes constitucional. Roberts caracterizou a decisão de 1935 como um desvio jurisprudencial e afirmou que “agências independentes não são ‘independentes’ no sentido de estarem livres do presidente”. A juíza Sonia Sotomayor, na dissidência, leu da bancada um voto de quase 20 minutos, classificando a sentença como “gravemente errada” e alertando que ela confere ao presidente “um poder desconhecido até mesmo para a Coroa inglesa contra a qual os fundadores se revoltaram”. O presidente Trump celebrou o resultado como uma “vitória histórica e sem precedentes”, enquanto a senadora democrata Elizabeth Warren acusou-o de querer colocar as agências ao serviço de “amigos bilionários”.
A decisão tem implicações para mais de duas dezenas de agências reguladoras, incluindo o Conselho Nacional de Relações Trabalhistas e o Conselho de Proteção ao Sistema de Mérito, cujos dirigentes passam a poder ser exonerados por divergências políticas. Observadores em Brasília notam que o fortalecimento do controle presidencial sobre órgãos de fiscalização ecoa debates sobre a autonomia de agências reguladoras no Brasil, onde o Banco Central possui autonomia formal desde 2021. Em Lisboa, juristas sublinham que a exceção concedida ao Federal Reserve, embora fundamentada em questões processuais, preserva um núcleo de independência para a autoridade monetária, mas não impede futuras tentativas de remoção caso o devido processo seja observado. A distinção entre a FTC e o Fed foi criticada por setores progressistas como incoerente, mas a maioria do tribunal evitou estender o raciocínio ao banco central, citando a sua “tradição histórica singular”.
O caso Slaughter insere-se num esforço mais amplo da administração Trump para remodelar a burocracia federal, que já incluiu a demissão de outros funcionários protegidos por mandato. O tribunal recusou-se ainda a apreciar o recurso de Trump no caso de difamação e abuso sexual movido pela escritora E. Jean Carroll, mantendo as condenações anteriores. Quanto a Lisa Cook, a governadora permanece no cargo enquanto decorre o litígio, mas Trump ameaçou tomar “medidas apropriadas imediatamente” para afastar quem considere ter cometido irregularidades. A expectativa, segundo fontes do Departamento de Justiça citadas pela imprensa norte-americana, é que a administração avance com novos processos de exoneração noutras agências, testando os limites da decisão agora firmada.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A maioria conservadora da Suprema Corte concedeu a Trump uma vitória esmagadora, desmantelando uma proteção de noventa anos para agências independentes. A juíza dissidente Sotomayor alertou que a decisão altera fundamentalmente a estrutura constitucional. A decisão é retratada como uma perigosa tomada de poder que ameaça o equilíbrio do governo.
A Suprema Corte ampliou a autoridade de Trump para demitir chefes de agências independentes, mas protegeu explicitamente o Federal Reserve de tal interferência. Esta decisão mista fortalece a mão do presidente, mantendo um firewall crucial em torno da política monetária. A decisão é vista como uma recalibragem pragmática, em vez de uma transferência total de poder.
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