
Sismólogo sino-americano detido em Pequim há 20 meses será julgado por espionagem
Youlin Chen, que investigou testes nucleares da Coreia do Norte com financiamento dos EUA, foi classificado como “detido injustamente” por Washington, mas Pequim nega irregularidades.
O sismólogo norte-americano de origem chinesa Youlin Chen, de 54 anos, está detido na China há quase dois anos e aguarda julgamento por acusações de espionagem, num caso que se tornou um novo ponto de fricção nas relações entre Washington e Pequim. Chen foi preso a 5 de novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de Pequim, quando se preparava para regressar a Boston após visitar familiares e proferir palestras em duas universidades chinesas. A sua investigação, financiada pelo Departamento de Estado e pelo Laboratório de Investigação da Força Aérea dos EUA, centrava-se na deteção de assinaturas sísmicas de testes nucleares subterrâneos da Coreia do Norte, trabalho realizado com dados públicos chineses e em colaboração com cientistas locais.
Washington reagiu com a designação formal de Chen como “detido injustamente” (wrongfully detained), anunciada pelo secretário de Estado Marco Rubio em março, o que elevou a sua libertação a prioridade diplomática. Segundo fontes norte-americanas, o Presidente Donald Trump abordou o caso diretamente com o homólogo chinês, Xi Jinping, durante uma visita de Estado a Pequim em maio, tendo Xi prometido analisar a situação, sem que se registassem progressos. A administração Trump optou por não divulgar publicamente a designação para preservar espaço de negociação. Pequim, por seu lado, rejeita a classificação: o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, afirmou que as autoridades judiciais chinesas tratam os processos de acordo com a lei e negou a existência de “detenções injustas”. A mulher de Chen, Yufang Rong, teme que o regime já tenha decidido condená-lo, independentemente das provas, e que o julgamento decorra à porta fechada.
O caso insere-se num contexto de suspeitas mútuas sobre atividades nucleares e de espionagem. Em fevereiro, a administração Trump acusou a China de ter tentado dissimular um teste nuclear subterrâneo de baixa potência realizado em junho de 2020, recorrendo à técnica de “desacoplamento”, que reduz a magnitude das ondas de choque. Organizações de defesa de reféns e antigos responsáveis de segurança nacional norte-americanos sugerem que Pequim poderá estar interessada na experiência científica de Chen para aperfeiçoar a sua própria capacidade de ocultar ensaios nucleares. A mulher do sismólogo relatou que o marido foi interrogado mais de cem vezes sobre o seu trabalho e que só teve acesso a um advogado após 13 meses de detenção, enquanto a sua saúde se deteriorava significativamente.
A detenção de Chen não é um caso isolado. A organização Foley Foundation contabiliza pelo menos 12 cidadãos norte-americanos detidos injustamente na China, incluindo o académico Min Zin, especialista em Mianmar, preso em Kunming no mês passado sob acusações de espionagem. Na perspetiva de analistas em Washington, a multiplicação destes casos reflete uma estratégia de Pequim de utilizar detidos como moeda de troca em negociações bilaterais, num momento em que as duas potências tentam estabilizar uma relação abalada por disputas comerciais e incidentes como o do balão chinês abatido em 2023.
O julgamento de Chen ainda não tem data marcada, mas a acusação formal foi deduzida em maio de 2025. A lei chinesa prevê penas que podem ir até à prisão perpétua ou, em casos especialmente graves, à pena de morte. Espera-se que o dossier volte a ser discutido no encontro entre Trump e Xi previsto para setembro, em Washington, onde a libertação de cidadãos norte-americanos detidos deverá figurar na agenda.
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.40 | critical |
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
Os Estados Unidos condenam a detenção injusta de seu cientista pela China e exigem sua libertação imediata, enquadrando o caso como uma violação das normas internacionais.
Ao destacar a designação oficial de 'detenção injusta' e o envolvimento de legisladores americanos, a narrativa cria um quadro de vitimização que pressiona a China.
O bloco omite que Chen colaborou com cientistas chineses e que a China tem seus próprios procedimentos legais.
A China rejeita a acusação dos EUA de detenção injusta, afirmando que o cientista está sendo julgado de acordo com a lei chinesa e que o caso é uma questão legal, não diplomática.
Ao enquadrar a questão como um processo puramente legal, a China desvia a pressão diplomática e apresenta as reivindicações dos EUA como interferência em seus assuntos internos.
O bloco omite que os EUA designaram oficialmente Chen como detido injustamente e que Trump interveio.
A Rússia relata o caso de forma factual, observando que o sismólogo não tinha acesso a segredos e havia trabalhado com cientistas chineses, sugerindo que as acusações podem ser infundadas.
Ao enfatizar a falta de acesso classificado e o trabalho colaborativo, o relatório mina sutilmente as alegações de espionagem sem criticar diretamente a China.
O bloco omite a perspectiva dos EUA de detenção injusta e a tensão diplomática entre os EUA e a China.
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