
Scheffler persegue Grand Slam histórico no US Open, e Russell estreia com o filho de Woods como caddie
Enquanto o número um mundial tenta igualar lenda em Shinnecock Hills, o adolescente Miles Russell chega ao major com Charlie Woods na bolsa, e Shelton mantém embalo na relva de Halle.
O US Open de 2026, que arranca esta quinta-feira em Shinnecock Hills, Nova Iorque, concentra atenções globais num enredo de ambição histórica e renovação geracional. Scottie Scheffler, dominador do ranking há mais de três anos com um controlo de jogo que evoca a era de Tiger Woods, procura completar o Grand Slam da carreira logo na primeira tentativa — feito que, na era moderna, apenas Woods, Jack Nicklaus e Gene Sarazen alcançaram. Depois de conquistar o British Open em Royal Portrush, o texano chega ao exigente par-70 de 7.440 jardas com a possibilidade de inscrever o nome num clube restrito, precisamente no dia em que celebra o 30.º aniversário e o Dia do Pai. Observadores norte-americanos sublinham, porém, que Scheffler tenta baixar a temperatura emocional: admite que a dimensão do momento não o motiva, mas sim a execução metódica que o tornou imbatível nos últimos anos.
Paralelamente, a narrativa do torneio ganha um capítulo de juventude que transcende fronteiras. O fenómeno Miles Russell, de apenas 17 anos e número um do ranking mundial júnior, qualificou-se para o seu primeiro major com um detalhe simbólico: Charlie Woods, filho de Tiger e também com 17 anos, carregou o saco durante as rondas de qualificação. A imprensa sueca, atenta à presença de Ludvig Åberg, destaca que Russell não é o mais jovem a chegar a um US Open — o chinês Andy Zhang fê-lo aos 14 anos em 2012 —, mas a combinação de talento precoce e a herança de Woods projetam uma atenção mediática invulgar. O próprio Russell, com a naturalidade típica da idade, confessou não ter memórias do último US Open em Shinnecock Hills, em 2018, fazendo sorrir veteranos e jornalistas.
Enquanto o golfe concentra atenções em Long Island, o circuito ATP vive a transição para a relva europeia com protagonistas americanos. Ben Shelton, que ergueu o primeiro troféu ATP em pisos verdes no torneio de Estugarda, manteve o ímpeto em Halle, na Alemanha, ao bater Lorenzo Sonego em dois sets. O compatriota Taylor Fritz também avançou, consolidando um momento de forma que, na perspetiva de analistas europeus, reforça a profundidade do ténis dos EUA antes de Wimbledon. Shelton, ainda a adaptar-se às particularidades da relva de Halle, valorizou a capacidade de vencer mesmo sem o seu melhor serviço, um sinal de maturidade competitiva.
A convergência destes eventos sublinha um fim de semana em que o desporto americano procura afirmar-se em palcos distintos. Em Shinnecock, o campo desenhado para castigar qualquer imprecisão testará a frieza de Scheffler e a ousadia de Russell. A lista de vencedores recentes do US Open — de DeChambeau a Spaun, passando por Fitzpatrick e Clark — mostra que o major mais duro da temporada raramente se rende a favoritismos lineares. Para o público lusófono, onde o golfe ganha tração com talentos como o português Ricardo Melo Gouveia e o brasileiro Adilson da Silva, a jornada de Scheffler carrega um fascínio universal: a busca pela perfeição num desporto que raramente a concede. Se o número um mundial triunfar, fá-lo-á no mesmo palco onde, há 26 anos, Tiger Woods iniciou a sua própria coleção de feitos imortais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um prodígio de 17 anos classificou-se para o US Open, chamando atenção extra porque o filho de Tiger Woods é seu caddie. A história enfatiza a aura especial do jovem, ao mesmo tempo que nota que ele está longe de ser o mais jovem a se classificar.
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