
Santi Cazorla encerra carreira aos 41 anos no Oviedo, clube que o revelou
Após 25 anos, o médio espanhol, bicampeão europeu e ídolo do Arsenal, despede-se no estádio onde tudo começou, com um gesto financeiro em prol da formação.
O anúncio chegou em forma de vídeo nas redes sociais, com a voz embargada e o cenário do Estádio Carlos Tartiere. Santi Cazorla, 41 anos, confirmou na quinta-feira o fim da carreira, encerrando uma trajetória de 25 anos exatamente onde ela começou: no Real Oviedo, clube da sua infância na região das Astúrias. “O final não foi em qualquer lugar; foi em casa”, resumiu o médio, que na temporada anterior ajudara a equipa a regressar à LaLiga após 24 anos de ausência, disputando 28 partidas na elite antes de nova descida de divisão. O epílogo, portanto, não se mede pela permanência no topo, mas pelo reencontro com a origem.
A caminhada de Cazorla atravessou a idade de ouro do futebol espanhol. Formado no Oviedo, profissionalizou-se no Villarreal e passou por Recreativo de Huelva e Málaga antes de desembarcar no Arsenal em 2012. Em seis temporadas no norte de Londres, conquistou duas Taças de Inglaterra (2014 e 2015) e tornou-se um dos jogadores mais estimados pela torcida, com 180 jogos e 29 golos. Pela seleção, foi peça dos títulos europeus de 2008 e 2012, embora uma lesão o tenha afastado do Mundial de 2010. A partir de 2016, uma infeção grave no tendão de Aquiles direito quase lhe custou o pé e exigiu onze cirurgias, um enxerto de pele e oito centímetros de tendão perdidos. O regresso aos relvados, em 2018, pelo Villarreal, foi lido em todo o mundo como um triunfo da resiliência.
O último capítulo em Oviedo teve contornos financeiros que amplificaram o simbolismo da despedida. Cazorla aceitou o salário mínimo permitido pela liga e doou integralmente os seus direitos de imagem ao clube. Em contrapartida, pediu apenas que 10% das receitas da venda da sua camisola fossem canalizados para a academia de formação do Real Oviedo, “para contribuir para o crescimento das futuras gerações”. O clube, em comunicado, manifestou o desejo de que o jogador permaneça “em qualquer função ou capacidade que escolher e que o faça feliz”.
Na imprensa brasileira, a notícia foi recebida com ênfase na superação física do atleta. Veículos como CNN Brasil e Metrópoles recordaram que Cazorla esteve à beira da amputação e passou por quase dez cirurgias, sublinhando a dimensão humana de um regresso que parecia impossível. Em Portugal, observadores notam que o médio integrou a geração espanhola que redefiniu o futebol de posse, sendo frequentemente comparado a Andrés Iniesta pela capacidade de jogar com os dois pés e pela visão de jogo. A sua passagem pelo Arsenal também ecoa entre os lusófonos que acompanham a Premier League, onde o espanhol deixou a imagem de um criador de oportunidades e de um resistente.
A despedida de Cazorla não projeta um próximo jogo ou uma eliminatória, mas deixa em aberto um futuro ainda ligado ao Oviedo. O clube asturiano, que o viu comprar ações em 2012 para evitar a falência, agora espera mantê-lo por perto. O silêncio a que o jogador se referiu no vídeo de adeus é, na verdade, o prelúdio de uma nova função, ainda por definir, no lugar onde a magia começou.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Santi Cazorla closes the circle by returning to Oviedo, where it all began. A poetic ending for a talent who managed to be reborn after injuries. The narrative celebrates resilience and the bond with his roots, almost a sports fairy tale.
Cazorla's retirement is framed as just another sports event, with references to his age and physical decline. A factual approach prevails: career statistics and assessment of his technical impact on Spanish football.
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