
Rússia vê preparação bélica na NATO; EUA planeiam reduzir presença militar na Europa
Moscovo acusa aliança atlântica de simular ameaça para justificar rearmamento, enquanto Washington pressiona aliados europeus a gastarem mais em defesa.
A escalada das tensões entre a Rússia e a NATO ganhou novos contornos esta semana, quando o diretor do departamento europeu do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Vladislav Maslennikov, acusou a aliança de se preparar para um "grande conflito" com base em uma falsa ameaça russa. A declaração surge num momento em que, segundo informações da imprensa norte-americana, o governo de Donald Trump planeia retirar um terço dos caças disponibilizados à NATO na Europa, além de realocar um submarino lançador de mísseis e um porta-aviões, sinalizando uma redução significativa do engajamento militar dos EUA no continente.
Para Moscovo, a retórica da NATO sobre uma suposta ameaça russa, formalizada no Conceito Estratégico da aliança desde 2022, serve apenas para justificar o aumento das despesas militares e exercícios ofensivos nas fronteiras da Rússia. Maslennikov reiterou que a Rússia não tem intenção de atacar países-membros da NATO e está aberta ao diálogo, desde que assente no princípio da indivisibilidade da segurança, que Moscovo considera violado pela expansão da aliança. No entanto, acrescentou que a NATO está "aprioristicamente inclinada para o confronto" e não demonstra vontade de cooperar para o reforço da estabilidade.
Do lado ocidental, a pressão interna sobre a aliança é liderada por Washington. Donald Trump, que já classificou a NATO como um "tigre de papel" após os aliados se recusarem a apoiar a sua ofensiva militar contra o Irão, exige que os membros europeus destinem cinco por cento do PIB à defesa — meta que apenas cinco dos trinta e dois membros estão em vias de cumprir até dois mil e vinte e seis. O descontentamento norte-americano foi reforçado por fugas de informação que apontam para uma reavaliação geral dos compromissos militares dos EUA na Europa, ecoando a perceção de que Washington está a virar-se prioritariamente para a rivalidade com a China. Para análise de círculos militares indianos, a instabilidade transatlântica reflete um dilema mais profundo: a Europa, protegida durante décadas pelo guarda-chuva nuclear americano, vê-se agora confrontada com a necessidade de construir uma capacidade de defesa autónoma, enquanto enfrenta a hostilidade russa a leste.
Na América Latina, analistas ecoam o diagnóstico de que o desacoplamento entre os EUA e a Europa já não é uma hipótese teórica. A recusa de Espanha e França em ceder espaços aéreos e bases para a operação contra o Irão e a subsequente fúria de Trump ilustraram como divergências estratégicas podem acelerar o distanciamento. Entretanto, o ex-assessor do Pentágono Douglas McGregor acusou os países europeus de tentarem arrastar os EUA para um confronto direto com a Rússia através do reforço da ajuda militar a Kiev, que descreveu como um governo "nas últimas", numa altura em que Moscovo busca, segundo Vladimir Putin, a restauração plena das relações com Washington. Enquanto isso, o debate sobre o futuro da aliança prossegue sem sinais de distensão. A próxima cimeira da NATO, prevista para o final do ano, deverá centrar-se precisamente no financiamento da defesa coletiva e na atualização da postura estratégica face a Moscovo, num contexto em que a confiança mútua entre as duas margens do Atlântico atinge mínimos históricos.
| Imprensa russa e CEI | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.50 | critical |
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
Russia does not threaten anyone: it is NATO that prepares for war by lying about the Russian threat. We are open to dialogue, but the alliance seeks only confrontation.
By inverting the accusation, Russia portrays itself as a victim of a propaganda machine, while NATO is depicted as an aggressor projecting its own bellicose intentions onto Moscow.
It omits the context of Russia's invasion of Ukraine and NATO's expansion as a reaction to that invasion, factors central in other blocs' narratives.
Western unity is crumbling: Trump humiliates allies, Rutte downplays, but a NATO without cohesion is fragile. Europe must ask how much it can count on Washington.
It amplifies the contrast between optimistic statements and real tensions, creating a sense of latent crisis and delegitimizing American leadership as unreliable.
It omits Russia's role as a unifying factor and the concrete threat to Eastern European countries, focusing only on internal alliance dynamics.
Europe will soon be on its own: American pressure for military autonomy forces the continent to prepare to defend itself without Washington. It is a crisis that becomes an opportunity.
It normalizes the idea of a militarily independent Europe, presenting the US disengagement not as a threat but as an inevitable evolution, reducing alarm to a pragmatic observation.
It omits internal European divisions and different perceptions of the Russian threat, as well as NATO's role as a collective security guarantor for eastern members.
NATO is an alliance in evolution: the current rift is a step toward a new, more European configuration. Tensions with Russia and the US are part of a historical process.
It embeds the contingent event in a long-term narrative, relativizing the scale of the crisis and normalizing change as inevitable.
It omits the immediacy of the Russian threat and Donald Trump's specific accusations, preferring a structural analysis that reduces urgency.
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