
COI suspende sanções à Rússia e reacende debate sobre retorno de atletas
Decisão do Comité Olímpico Internacional de readmitir provisoriamente o Comité Olímpico Russo divide federações e governos, enquanto Moscovo celebra vitória diplomática.
O Comité Olímpico Internacional (COI) suspendeu provisoriamente, a 7 de julho, a exclusão do Comité Olímpico Russo que vigorava desde outubro de 2023, abrindo caminho para que atletas do país voltem a competir sob bandeira e hino nacionais em torneios de apuramento para Los Angeles 2028. A decisão, anunciada pela presidente Kirsty Coventry, elimina a exigência de verificação de vínculos militares que condicionava a participação como neutros individuais, embora o COI mantenha por ora a proibição de símbolos oficiais nos Jogos e reserve para mais tarde a palavra final sobre o estatuto olímpico. Em Moscovo, o ministro dos Desportos e presidente do Comité Olímpico Russo, Mikhail Degtiariov, classificou o desfecho como fruto de “um grande trabalho diplomático e jurídico”, enquanto o Kremlin o saudou como “passo importante para restaurar os direitos legítimos” dos seus desportistas.
A viragem não surgiu isolada. Nos últimos meses, o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) dera razão a federações russas e bielorrussas em três processos contra federações internacionais de desportos de inverno, considerando discriminatória a exclusão generalizada. A Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS), que perdeu no TAS em dezembro de 2025, anunciou agora que irá “avaliar cuidadosamente” as condições de readmissão para a temporada 2026/27, em coordenação com a Agência Internacional de Controlos Antidoping. A própria recomendação do COI reflete uma doutrina que Coventry resumiu: “Não queremos responsabilizar os atletas pelas ações dos seus governos”, ecoando a sua experiência pessoal sob sanções contra o Zimbabué.
A resposta das federações internacionais expõe um tabuleiro fragmentado. A União Internacional de Pentatlo Moderno (UIPM) levantou todas as restrições e os russos planeiam competir com bandeira e hino já no Europeu de Istambul, em agosto. A Federação Internacional de Voleibol (FIVB) readmitiu seleções e clubes, mas o presidente da federação polaca, Sebastian Świderski, descreveu uma situação “entre a bigorna e o martelo”: Varsóvia não concederá vistos, tornando “irrealista” a participação russa no Mundial de 2027. A FIFA, por seu lado, diz-se “ciente” da decisão do COI e analisará o regresso da Rússia às competições de seleções, enquanto a UEFA, que mantém os clubes russos fora dos torneios continentais desde 2022, deverá opor resistência, recordando a oposição de federações influentes como as de Inglaterra, Alemanha e França.
A clivagem extravasa o desporto. O Canadá, pela voz do secretário de Estado dos Desportos, Adam van Koeverden, declarou-se “consternado” e avisou que não financiará eventos com atletas russos enquanto durar a invasão da Ucrânia. A Estónia pediu à União Europeia que retire o financiamento ao COI, e Noruega, Reino Unido, Letónia e Suécia manifestaram oposição. Em sentido contrário, o Conselho Olímpico da Ásia saudou a medida como gesto de apaziguamento. A guerra, entretanto, prossegue no seu quinto ano: um estudo do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) estima mais de dois milhões de mortos e feridos entre soldados russos e ucranianos, e o presidente da World Athletics, Sebastian Coe, evocou as “ambulâncias e carros funerários” na estação de Kiev para justificar a manutenção do veto aos atletas russos e bielorrussos no atletismo.
É precisamente no atletismo que se desenha o próximo embate jurídico. A Federação Russa de Atletismo anunciou que vai recorrer ao TAS contra a extensão da suspensão decidida pela World Athletics, que considerou não haver “movimento tangível rumo a negociações de paz”. A federação russa classifica a proibição de “discriminatória” e lesiva dos “interesses fundamentais” da modalidade no país. O desfecho desse recurso, a somar-se às decisões já tomadas por outras federações, definirá o alcance real da reabertura olímpica e o calendário de regresso dos russos às grandes montras do desporto mundial.
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | +0.60 | aligned |
| Imprensa africana subsaariana | 0.00 | neutral |
Russia attempts to overturn through legal means a decision that Europe considers justified.
The challenge to CAS is presented as an act of rebellion against the international sports order, downplaying the reasons for the suspension.
The recent IOC decision to ease sanctions, which could weaken World Athletics' position, is not mentioned.
Russia, a victim of discrimination, reclaims its rightful place in sport thanks to the IOC and justice.
International support (Italian coach) is highlighted, and the IOC decision is presented as a victory, while the challenge to World Athletics is a fight for rights.
It does not mention that World Athletics' ban remains in place despite the IOC decision, and that many Western countries still oppose the return of Russians.
Russia invokes athletes' right to compete, World Athletics defends its principled stance.
The two narratives are balanced, giving voice to both without judgment, as if it were a matter of legal interpretation.
The recent IOC decision to ease sanctions, which could affect the case, is not mentioned.
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