
Pausas no sedentarismo ganham peso em diretrizes e estudos sobre cancro e cognição
Autoridades britânicas atualizam recomendações e investigações com milhares de participantes indicam que interromper o tempo sentado reduz risco de mortalidade, mesmo em quem pratica exercício físico regular.
O Reino Unido reviu as suas orientações de atividade física, alertando que permanecer sentado por períodos prolongados é prejudicial mesmo para quem cumpre os 150 minutos semanais de exercício moderado. A atualização, divulgada pelos diretores clínicos do país, baseia-se em novas evidências, entre as quais um estudo observacional com mais de 91 mil adultos seguidos durante 12 anos, publicado na PLOS Medicine. A investigação concluiu que cada hora adicional de tempo sentado de forma ininterrupta estava associada a um risco cerca de 10% superior de morte por cancro, independentemente dos níveis de atividade física. A mensagem central é que pequenas interrupções ao longo do dia — levantar-se, caminhar alguns minutos — têm um efeito protetor mensurável.
Os mecanismos biológicos apontam para a redução da atividade muscular durante a permanência sentada, o que prejudica o metabolismo da glicose e das gorduras, promove resistência à insulina e inflamação crónica, explicam investigadores do AIIMS, em Nova Deli. Um estudo da Universidade de Columbia, com 95 adultos, mostrou que dormir menos 90 minutos por noite durante seis semanas resultou num aumento médio de meio quilo e em mais tempo sedentário, sugerindo um ciclo de retroalimentação entre sono insuficiente, fadiga e inatividade. A fadiga inexplicada, por sua vez, é um sinal de alerta cardiovascular, segundo a American Heart Association, pois reflete uma menor capacidade do coração de fornecer oxigénio aos tecidos.
No campo da suplementação, os ensaios clínicos mais recentes contrariam a ideia de que as cápsulas de ómega-3 tragam benefícios cognitivos. Um ensaio com idosos, incluindo indivíduos com risco genético de Alzheimer, não encontrou qualquer melhoria na cognição ou na estrutura cerebral, apesar de se ter confirmado o aumento dos níveis de ómega-3 no cérebro. Cientistas canadianos e finlandeses sublinham que a maioria das pessoas já obtém quantidades suficientes destes ácidos gordos através da alimentação, e que os benefícios observados em estudos populacionais provavelmente decorrem de outros hábitos saudáveis associados ao consumo de peixe. A dieta mantém-se relevante: vegetais de folha verde, frutos vermelhos e peixes gordos são aliados da saúde cerebral, enquanto refeições leves à noite favorecem o sono profundo.
Quanto ao tipo de exercício, uma metanálise de 35 ensaios clínicos aleatorizados, com mais de 5.700 participantes, indica que a combinação de treino de força seguido de exercício aeróbico maximiza a proteção da memória e da atenção. Caminhar com passo rápido também se destaca: três estudos norte-americanos com cerca de 4.000 pessoas mostram que os idosos com velocidade de marcha elevada tinham um risco 50% inferior de declínio cognitivo. As novas diretrizes britânicas acrescentam um aviso para quem utiliza fármacos de perda de peso: é essencial incluir treino de resistência para evitar a perda de massa muscular. A convergência destes dados está a influenciar políticas públicas, e o próximo passo será a realização de estudos de intervenção que testem protocolos concretos de pausas ativas em ambiente laboral.
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