
Crimeia decreta estado de emergência após mega-ataque ucraniano com 660 drones
Ofensiva aérea sem precedentes atinge 12 regiões russas e a península anexada, agravando crise de combustível e eletricidade enquanto Kiev anuncia operação de 40 dias para forçar Moscovo a negociar.
O Ministério da Defesa da Rússia reportou, na madrugada de sexta-feira, o abate de 660 drones ucranianos sobre uma dúzia de regiões, incluindo a capital Moscovo e a península anexada da Crimeia, no que descreveu como o maior ataque deste tipo desde o início do conflito. Em simultâneo, as autoridades nomeadas por Moscovo na Crimeia decretaram o estado de emergência regional, citando a grave escassez de combustível e os cortes de eletricidade provocados por semanas de ataques a infraestruturas energéticas e linhas de abastecimento. O decreto, anunciado pelo governador Serguei Aksionov, permite a mobilização acelerada de recursos e prevê a possibilidade de restrições à circulação da população civil.
Na perspetiva de Kiev, a ofensiva integra uma “operação de influência estratégica” de 40 dias aprovada pelo Presidente Volodymyr Zelensky e conduzida pelos serviços de segurança (SBU) com o objetivo de compelir a Rússia a pôr fim à guerra. Declarações do exército ucraniano indicam que os alvos incluíram dois navios de apoio logístico e radares de defesa aérea em Kerch, na Crimeia, bem como a fábrica química Azot, na região de Tula, que Zelensky descreve como essencial para a produção de explosivos. Moscovo, através do seu Ministério da Defesa, afirmou ter intercetado todos os engenhos, mas reconheceu danos numa instalação industrial e em linhas elétricas em Tula, além de uma civil ferida. Analistas militares ocidentais interpretam a escala e a frequência dos ataques como uma campanha deliberada para saturar as defesas aéreas russas e estrangular a logística militar.
O estado de emergência na Crimeia materializa o impacto cumulativo da campanha. A venda de combustível a particulares foi suspensa no início da semana, e apagões rotativos afetaram o abastecimento de água em Sebastopol, base da Frota do Mar Negro. Segundo operadores turísticos locais, as reservas hoteleiras caíram 88% face ao período homólogo, infligindo um duro golpe à economia da península. Observadores em Lisboa e Brasília notam que a estratégia de bloqueio energético, embora não vise uma reconquista imediata do território, procura aumentar o custo doméstico da guerra para Moscovo e expor a vulnerabilidade das zonas ocupadas.
A ofensiva com drones coincide com alertas de Kiev sobre uma potencial nova frente: Zelensky afirmou que a Bielorrússia concluiu a construção de infraestruturas militares ao longo da fronteira, as quais, na avaliação dos serviços de informação ucranianos, não têm outra finalidade senão a militar. Paralelamente, a Comissão Europeia propôs restringir o procedimento simplificado de asilo para homens ucranianos em idade de combate, acolhendo um pedido de Kiev para facilitar a mobilização. O dossiê permanece em aberto, com a cimeira da NATO do próximo mês a perfilar-se como momento decisivo para o reforço do apoio militar à Ucrânia, enquanto a operação de 40 dias sinaliza uma intensificação sustentada dos ataques de longo alcance.
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
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