
Resgate de vigilante após oito dias sob escombros reacende esperança na Venezuela
Hernán Gil Flores foi retirado com vida dos destroços de um centro comercial em La Guaira, numa operação multinacional que contrasta com a dimensão da tragédia e as críticas à resposta oficial.
Oito dias depois de dois sismos devastadores atingirem o norte da Venezuela, equipas de resgate de sete países conseguiram retirar com vida, na quinta-feira (2), um segurança de 43 anos que permaneceu soterrado sob os escombros do centro comercial Galerías Playa Grande, em Catia La Mar, no estado costeiro de La Guaira. Hernán Alberto Gil Flores foi localizado no domingo (28) por uma unidade especializada da Cruz Vermelha da Costa Rica e, desde então, os socorristas escavaram túneis manuais para o alcançar, fornecendo-lhe água, nutrientes líquidos e oxigénio através de sondas, enquanto monitorizavam o seu estado com câmaras telescópicas. A operação, descrita como extremamente delicada devido à instabilidade da estrutura e às réplicas sísmicas, prolongou-se por mais de 100 horas e mobilizou brigadistas da Venezuela, Chile, Estados Unidos, Portugal, Costa Rica, El Salvador e México.
O resgate ocorre num cenário de devastação cujos números oficiais permanecem provisórios e divergem consoante a fonte. A presidente interina, Delcy Rodríguez, atualizou o balanço para 2.595 mortos e 12.400 feridos, enquanto agências internacionais e registos não oficiais apontam para um número de desaparecidos que oscila entre 38 mil e 50 mil pessoas. Os dois sismos, de magnitude 7,2 e 7,5, ocorridos a 24 de junho com menos de um minuto de intervalo, destruíram milhares de edifícios na faixa litoral a norte de Caracas, deixando cerca de 13 mil desalojados e danificando pelo menos 38 hospitais, segundo as autoridades locais. A Organização das Nações Unidas advertiu para o risco de surtos de doenças e a necessidade de milhares de sacos mortuários, enquanto a empresa de análise de risco Verisk projetou perdas económicas superiores a 10 mil milhões de dólares.
A sobrevivência de Gil Flores foi possível porque a pequena cabine de segurança onde trabalhava no turno noturno permaneceu praticamente intacta, criando uma bolsa de ar que o protegeu das toneladas de betão. A mulher, Gusbimar González, que aguardava junto ao edifício desde o dia seguinte ao colapso, descreveu o resgate como “um milagre” e revelou que o marido pedira aos socorristas que não lhe dissessem que estava vivo, caso a operação falhasse. Momentos antes de ser içado numa maca, com máscara de oxigénio e coberto por uma lona laranja, o segurança apareceu num vídeo divulgado pelos bombeiros chilenos a desenhar enquanto aguardava, recebendo instruções para manter os óculos de proteção. Horas depois, foi transferido para uma unidade de cuidados intensivos em Caracas, consciente e com ferimentos considerados ligeiros, como uma luxação na clavícula.
A operação de salvamento, embora celebrada como um raro momento de esperança, também expôs as dificuldades que as equipas internacionais enfrentam no terreno. Socorristas alemães relataram que não conseguiram entrar no país, uma organização norte-americana queixou-se de obstáculos no acesso às zonas de busca e uma equipa chilena denunciou que militares venezuelanos exigiram documentação de cada brigadista nos escombros, sob suspeita de espionagem. A missão brasileira, que enviou cinco aviões com bombeiros de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, além de um hospital de campanha com capacidade para 100 atendimentos diários, manteve as buscas mesmo após o desaparecimento dos sinais vitais de uma vítima num prédio de 12 andares. O chefe da missão, Armin Braun, afirmou que o Brasil continuará os trabalhos “por mais alguns dias”, mas admitiu que o tempo para encontrar sobreviventes se esgota e que a prioridade começa a deslocar-se para a assistência humanitária e a reativação de hospitais.
Apesar do caso extraordinário de Gil Flores e do resgate, seis dias após os sismos, de um menino de três anos, as hipóteses de localizar novas pessoas com vida diminuem drasticamente. As equipas internacionais continuam a trabalhar entre réplicas e chuvas, mas a maioria dos edifícios colapsados já recebeu a marcação internacional que indica ausência de sobreviventes. O governo venezuelano, alvo de críticas pela lentidão inicial da resposta, agradeceu o apoio de 33 países e sublinhou que mais de 6.400 pessoas foram resgatadas com vida. O balanço definitivo da tragédia permanece em aberto, enquanto as autoridades locais e os peritos internacionais insistem no caráter preliminar de todos os números.
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
The Latin American bloc did not cover the event in the provided materials.
The absence of coverage prevents identifying any rhetorical technique.
No reference to the rescue is present, so it is impossible to determine what is omitted.
The Atlantic bloc did not cover the event in the provided materials.
The absence of coverage prevents identifying any rhetorical technique.
No reference to the rescue is present, so it is impossible to determine what is omitted.
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