
Ex-líder da Rosaviatsia detido por fraude de 800 milhões em Domodedovo
Alexander Neradko, que dirigiu a agência de aviação civil russa por 14 anos, foi preso sob acusação de fraude organizada, num caso que abala a elite do setor e expõe ligações a aliados do Kremlin.
Alexander Neradko, que liderou a agência federal de transporte aéreo da Rússia (Rosaviatsia) durante 14 anos, foi detido em Moscovo a 3 de julho de 2026, sob acusação de fraude organizada em grande escala. O tribunal decretou prisão preventiva de dois meses, enquanto o seu antigo vice, Konstantin Makhov, ficará detido por um mês e sete dias. O caso é conduzido pelo Ministério do Interior russo, com apoio do FSB, e enquadra-se no artigo 159.º do Código Penal, que prevê até dez anos de prisão.
Segundo o jornal Kommersant e a agência Interfax, a investigação centra-se no desvio de 800 milhões de rublos (cerca de 8 milhões de euros) durante a construção de uma nova pista no aeroporto de Domodedovo. A obra, iniciada em 2014 com um contrato de 12,85 mil milhões de rublos, nunca foi concluída. O empreiteiro faliu, o contrato só foi rescindido em 2018 e o Estado injetou verbas adicionais. A pista, arrestada como prova, apresenta defeitos que a tornam inutilizável, segundo peritos.
A detenção ocorre após anos de críticas à gestão de Neradko. A Procuradoria-Geral pedira a sua exoneração em 2017, e em 2022 recebeu uma repreensão do primeiro-ministro Mikhail Mishustin. A sua saída da Rosaviatsia, em setembro de 2023, foi atribuída a tensões com o Ministério dos Transportes e a falhas na supervisão do setor. Observadores em Moscovo notam que o caso se insere numa série de processos contra antigos altos funcionários, ecoando investigações de corrupção em infraestruturas noutros países lusófonos, como os escândalos em obras aeroportuárias no Brasil.
Fontes não identificadas, citadas pela televisão REN TV, sugerem ainda o envolvimento de Neradko na venda ilegal de aviões para o estrangeiro, alguns dos quais terão sido usados pela Ucrânia — alegação não confirmada oficialmente. A imprensa russa destaca a ligação de Makhov ao bilionário Arkady Rotenberg, próximo do Kremlin, cujas empresas controlam agora o aeroporto de Domodedovo. A investigação prossegue, com os arguidos em prisão preventiva e o Ministério Público a apurar os prejuízos para o erário.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A prisão do ex-chefe da Rosaviatsia é apresentada como uma ação rotineira de combate à corrupção. A investigação é descrita como minuciosa e as acusações como graves, sem implicações políticas. A narrativa enfatiza o compromisso do Estado em combater o desvio de verbas em grandes projetos de infraestrutura.
A prisão é enquadrada como mais um sintoma da corrupção sistêmica na Rússia, onde o desvio de verbas nos altos escalões é rotineiro. A narrativa questiona a independência do judiciário e sugere que o caso pode ser um julgamento de fachada ou um expurgo. Coloca o evento em um padrão mais amplo de impunidade e governo autoritário.
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