
Cimeira da NATO em Ancara decorre sob pressão de Trump para planos credíveis de gastos militares
Líderes dos 32 Estados-membros reúnem-se na Turquia com a exigência de Washington de aumentos imediatos da despesa em defesa e num clima de fricção transatlântica após a guerra no Irão.
A cimeira da NATO que decorre esta terça e quarta-feira em Ancara, na Turquia, tem como eixo central a apresentação de planos nacionais para atingir a meta de investir 5% do PIB em defesa e segurança até 2035, acordada sob pressão de Washington na anterior cimeira de Haia. O secretário-geral da Aliança, Mark Rutte, afirmou na véspera que os aliados europeus e o Canadá já investem, em média, cerca de 4% do PIB, e que espera das capitais “planos claros, concretos e credíveis” para alcançar o objetivo. A cimeira ocorre num momento de fragilidade transatlântica, com os Estados Unidos a reduzirem a sua presença militar na Europa e a condicionarem o compromisso com a defesa coletiva ao aumento da despesa dos parceiros.
Na perspetiva de Washington, a administração Trump exige que todos os aliados “entrem imediatamente no caminho dos 5%”, segundo o embaixador norte-americano junto da NATO, Matthew Whitaker. O presidente Donald Trump, que já ameaçou abandonar a Aliança, tem criticado a falta de “lealdade” de capitais europeias que recusaram o uso de bases militares na sua campanha contra o Irão. Fontes diplomáticas em Ancara indicam que a Casa Branca preparou um sistema de incentivos e penalizações: os países com maior esforço orçamental terão prioridade na aquisição de armamento americano e mais encontros bilaterais com o presidente. A tensão é particularmente visível com Espanha e Itália, mas o próprio Rutte reconheceu que, “se um ou dois ainda tiverem de ser convencidos, temos meios para isso”.
Do lado europeu, a resposta combina anúncios de investimento com um esforço para evitar um confronto aberto. A Alemanha projeta atingir 3,5% do PIB em quatro anos, enquanto o Reino Unido, apesar de um aumento de 15 mil milhões de libras, só chegará a 2,7% em 2029. O Canadá, que durante anos não cumpriu a meta anterior de 2%, afirma ter alcançado 2,13% e estar em vias de cumprir os 5% até 2035, embora o instituto SIPRI conteste esses números. Para aliados como Portugal, que já atingiu os 2% mas enfrenta constrangimentos orçamentais, o novo patamar representa um desafio político e financeiro considerável. A cimeira foi deliberadamente encurtada para reduzir o risco de atritos públicos, e a declaração final, já acordada, reafirma o artigo 5.º e classifica a Rússia como ameaça de longo prazo.
O apoio à Ucrânia constitui o terceiro pilar da agenda. Os líderes deverão comprometer-se com um mínimo de 70 mil milhões de euros anuais em ajuda militar para 2026 e 2027, num momento em que Rutte descreve Vladimir Putin como “cada vez mais desesperado” e Kiev ganha dinâmica no campo de batalha. O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participa na cimeira e terá um encontro bilateral com Trump. Paralelamente, a Aliança anunciará contratos de dezenas de milhares de milhões de dólares com a indústria de defesa, numa tentativa de transformar o aumento da despesa em capacidades militares concretas. Para observadores em Lisboa e em outras capitais da lusofonia, o resultado da cimeira definirá o grau de coesão da Aliança e a arquitetura de segurança europeia nos próximos anos, com impacto indireto na estabilidade global. Os trabalhos encerram na quarta-feira com uma conferência de imprensa de Rutte e declarações nacionais dos chefes de Estado e de governo.
| Imprensa europeia continental | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
A Europa prepara-se para gerir as pressões de Trump e defender a coesão da Aliança, enfatizando a necessidade de um reequilíbrio transatlântico.
A técnica da 'universalização' é usada ao apresentar a posição europeia como a de um ator racional que procura preservar a ordem multilateral, em contraste com a imprevisibilidade americana.
O papel da Turquia como anfitriã e as suas ambições regionais não são explorados, nem as críticas europeias à gestão da guerra no Irão por Trump.
Os Estados Unidos tomam nota da situação e pedem um maior compromisso dos aliados, enquanto a Aliança procura manter a estabilidade apesar das tensões.
Adota-se um tom distante e factual, listando os pontos da agenda sem julgamento explícito, para dar uma impressão de objetividade.
Não são mencionados os preparativos europeus para evitar um escândalo, nem as críticas específicas de Trump à 'lealdade' dos aliados.
A Ásia observa a redução do papel americano na NATO e a consequente necessidade de a Europa assumir maiores responsabilidades, uma mudança estratégica de longo prazo.
Uma perspetiva externa e analítica é usada, enquadrando os eventos como parte de uma transformação estrutural da aliança, sem envolvimento emocional.
O impacto imediato da cimeira nas relações transatlânticas ou as tensões pessoais entre Trump e os líderes europeus não são discutidos.
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