
Chefe de gabinete de Milei renuncia sob investigação de enriquecimento ilícito e abala governo argentino
Manuel Adorni deixou o cargo após meses de escândalos patrimoniais; presidente evitou despedida pública e oposição cobra avanço da Justiça enquanto Diego Santilli se perfila como sucessor.
O chefe de gabinete da Argentina, Manuel Adorni, apresentou a sua demissão este sábado, 27 de junho, após quase quatro meses de investigações judiciais por presunção de enriquecimento ilícito. Numa carta publicada na rede social X, Adorni negou «um único ato de corrupção» e atribuiu a saída aos «intermináveis ataques mediáticos» que, segundo ele, também atingiram a sua família. A secretária-geral da Presidência, Karina Milei, qualificou-o de «pessoa íntegra e valiosa», enquanto a senadora Patricia Bullrich, líder do bloco governista, sublinhou que «a confiança e a ética são fundamentais para aprofundar a mudança». O presidente Javier Milei limitou‑se a republicar estas mensagens, sem qualquer comunicado oficial, num gesto interpretado como um respaldo institucional, mas distante.
A queda de Adorni foi precipitada por sucessivas revelações: a presença da sua mulher em viagens oficiais no avião presidencial, a compra de um apartamento em Caballito e de uma casa num condomínio de luxo, pagamentos em dinheiro vivo por obras de renovação e incongruências na declaração de bens. O Ministério Público, através do procurador Gerardo Pollicita, requisitou um relatório técnico sobre a evolução patrimonial do ex-funcionário e da sua esposa. Em paralelo, a pressão congressual tornou‑se insustentável: a oposição preparava um pedido de interpelação que poderia desembocar numa moção de censura – a primeira desde a reforma constitucional de 1994 – e o desgaste paralisava a agenda legislativa do Governo, afetando a tramitação de reformas económicas e eleitorais.
No seio do oficialismo, a manutenção de Adorni dividiu aliados. Segundo fontes da Casa Rosada, foi Karina Milei quem, após consultas com o assessor presidencial Santiago Caputo e com Bullrich, concluiu que o custo político de proteger o chefe de gabinete se tornara superior ao de o afastar. O nome do atual ministro do Interior, Diego Santilli, ex-PRO e figura de consenso entre as diferentes correntes libertárias, ganhou força como sucessor precisamente pela sua capacidade de diálogo com governadores e blocos parlamentares. A sua provável nomeação, a ser anunciada nos próximos dias, deverá unificar a chefia de gabinete com a pasta do Interior, replicando o modelo que vigorou com Guillermo Francos.
A saída de Adorni não encerra a crise. A investigação judicial prossegue e o próprio ex‑funcionário poderá ser chamado a depor em agosto. Para a oposição, incluindo a União Cívica Radical e setores peronistas, a demissão «chegou tarde» e a Justiça deve agora esclarecer como um património declarado de 107,8 milhões de pesos em 2024 saltou para 944,5 milhões em 2025. Na perspetiva de analistas políticos argentinos, o episódio comprometeu a bandeira anticorrupção de Milei e forçou uma recomposição do Gabinete que testará a governabilidade nos próximos meses, enquanto o país enfrenta uma inflação persistente e uma agenda de reformas em risco.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A renúncia de Manuel Adorni ocorreu após meses de pressão judicial e midiática por suspeita de enriquecimento ilícito que desgastaram o chefe de gabinete. O episódio misturou mensagens de apoio de Karina Milei com uma onda de memes nas redes sociais, refletindo um clima político acirrado e dividido. Sua saída é vista como uma tentativa de limitar os danos ao governo libertário.
O chefe de gabinete argentino Manuel Adorni renunciou após ser acusado de corrupção e ficar sob investigação por enriquecimento ilícito. A notícia é relatada de forma seca, apenas registrando a saída de um colaborador próximo do presidente Milei. O foco permanece no evento imediato, sem se aprofundar em análises políticas ou reações emocionais.
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