
Putin transfere ativos russos da Akzo Nobel para gestora que já controla Rockwool
Decreto presidencial coloca três subsidiárias da multinacional holandesa sob administração temporária da RSA, empresa ligada à Rostec, segundo a imprensa russa.
O presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto que transfere os ativos locais da holandesa Akzo Nobel — um dos maiores fabricantes mundiais de tintas e revestimentos — para a gestão temporária da sociedade anónima “Razvitie Stroitelnykh Aktivov” (RSA). A decisão, publicada a 13 de julho, abrange as participações nas empresas “Akzo Nobel Dekor”, “Akzo Nobel Koutings” e “Akzo Nobel Lakokraska”. A RSA é a mesma entidade que, no final de 2025, já havia recebido a administração da subsidiária russa da dinamarquesa Rockwool e, de acordo com o jornal Kommersant, também da fabricante polaco-americana de embalagens de alumínio Canpack.
A Akzo Nobel, com sede em Amesterdão, declarou que está a analisar o decreto e a avaliar as suas consequências, reiterando que, após a invasão da Ucrânia em 2022, reduziu significativamente as operações na Rússia. Segundo a empresa, as atividades remanescentes de tintas decorativas foram totalmente localizadas, isoladas da casa-mãe e operam sem apoio financeiro do grupo. Contudo, o diário neerlandês NRC noticiou, com base em relatórios financeiros, que a receita das subsidiárias russas cresceu 8% em 2023 e que, nos dois primeiros anos de guerra, estas pagaram cerca de 16 milhões de euros em impostos sobre lucros. A RSA, registada em Moscovo em setembro de 2025, não divulga os seus acionistas e é dirigida por Timur Amirov. Investigações de veículos de comunicação independentes russos indicam que a estrutura está vinculada à corporação estatal Rostec. Sob a gestão de Amirov, a Rockwool russa transferiu 600 milhões de rublos para a Frente Popular Pan-Russa, destinados à compra de drones, equipamentos de guerra eletrónica e sistemas de comunicação para as forças armadas.
A transferência insere-se num quadro mais amplo de respostas de Moscovo às sanções ocidentais e à expropriação de bens russos no estrangeiro. Desde fevereiro de 2022, decretos presidenciais permitem a colocação de ativos de empresas de países considerados “não amigos” sob administração temporária russa. Já foram abrangidas por esta prática a energética Fortum, a Uniper, a Danone, a Carlsberg, a Bosch e a Ariston, embora algumas decisões — como as relativas à Danone e à Ariston — tenham sido posteriormente revertidas. A concentração de ativos de setores distintos (tintas, isolamentos, embalagens) nas mãos da mesma entidade gestora sugere, na perspetiva de analistas europeus, uma estratégia de consolidação do controlo estatal sobre operações industriais estrangeiras.
Na perspetiva de Brasília e de outras capitais lusófonas, o caso ilustra os riscos acrescidos para empresas com exposição a jurisdições sob sanções, num momento em que cadeias globais de abastecimento se reorganizam. A Akzo Nobel afirmou que continuará a apoiar os seus funcionários e a defender os seus interesses como acionista das subsidiárias russas. O decreto não fixa um prazo para o fim da gestão temporária, e não há, até ao momento, indicação de uma reversão imediata. O dossiê permanece em aberto, com a empresa a avaliar os próximos passos jurídicos.
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | −0.20 | neutral |
A Rússia reafirma sua soberania sobre ativos estrangeiros, agindo com determinação para proteger os interesses nacionais.
O decreto é apresentado como um ato técnico e legal, normalizando uma ação que em outros contextos poderia ser vista como expropriação.
O vínculo entre a RSA e a corporação estatal Rostec é omitido, assim como o fato de que a Akzo Nobel já havia reduzido suas operações na Rússia.
A Europa observa com cautela a medida russa, destacando os laços com a Rostec e a continuidade com transferências anteriores.
O contexto é ampliado para sugerir que se trata de uma expropriação sistemática, não de um ato isolado.
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