
Juízas do Supremo dos EUA pedem mais segurança após ameaças e incidentes de 'swatting'
Amy Coney Barrett e Elena Kagan testemunharam no Congresso pela primeira vez desde 2019, relatando o impacto pessoal do aumento de ameaças e solicitando um reforço orçamental de 10%.
As juízas do Supremo Tribunal dos Estados Unidos Amy Coney Barrett e Elena Kagan compareceram esta terça-feira perante comités de apropriações da Câmara dos Representantes e do Senado para solicitar um aumento significativo das verbas destinadas à segurança pessoal dos magistrados. O pedido, que eleva o orçamento do tribunal para 228 milhões de dólares, destina-se sobretudo a financiar mais agentes de proteção e a criar um posto de segurança residencial externo, numa altura em que as ameaças contra os juízes federais registaram uma subida de 38% no último ano, segundo a polícia do Supremo.
Na perspetiva de Washington, o testemunho conjunto de uma juíza conservadora e de uma juíza liberal sublinhou a gravidade de um ambiente de intimidação que transcende divisões ideológicas. Barrett descreveu como, após a fuga da opinião que reverteu a proteção constitucional do aborto em 2022, foi forçada a levar para casa um colete à prova de bala e a explicar ao filho de 12 anos a sua utilidade. Relatou ainda um incidente de “swatting” em maio, quando uma chamada falsa mobilizou a polícia para a sua residência. Kagan, por seu lado, condenou a retórica política que aquece o clima e recordou que, quando chegou ao tribunal em 2010, os juízes não dispunham de proteção permanente.
A administração do tribunal justifica o pedido com a necessidade de aliviar a exaustão das equipas atuais, que contam com quatro a oito agentes por magistrado, e de responder a ameaças cibernéticas e de drones. O orçamento proposto inclui 14,6 milhões de dólares para seis agentes adicionais por juiz e 6,5 milhões para projetar um novo posto de triagem de visitantes. Ainda que a audiência tenha revelado uma rara sintonia bipartidária em matéria de segurança, legisladores democratas aproveitaram a ocasião para pressionar as juízas sobre a ausência de mecanismos de fiscalização do código de ética do tribunal, que consideram ter contribuído para a erosão da confiança pública.
Observadores em Brasília notam que o fenómeno não é exclusivo dos Estados Unidos: o Supremo Tribunal Federal brasileiro também registou um aumento de ameaças contra os seus ministros nos últimos anos, num contexto de polarização política semelhante. Em Lisboa, analistas sublinham que a pressão sobre as altas cortes se insere numa tendência global de intimidação a magistrados, agravada pela difusão de dados pessoais e pela utilização de inteligência artificial em ciberataques. O pedido de verba segue agora para apreciação nas comissões do Congresso norte-americano, sem data marcada para votação, mas com o compromisso público de vários congressistas de reforçar a proteção dos juízes.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa chinesa | −0.30 | critical |
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
Os próprios juízes falam através de seu depoimento, apresentando uma frente unida através de linhas ideológicas para garantir fundos para sua segurança. A narrativa toma o lado das necessidades institucionais da Corte, apresentando o pedido como razoável e urgente.
Ao colocar em primeiro plano a história humana do filho da juíza Barrett e do colete à prova de balas, a cobertura cria empatia e despolitiza o pedido de segurança, tornando-o mais difícil de ser contestado.
As decisões controversas específicas que desencadearam as ameaças, como a decisão Dobbs sobre o aborto, não são mencionadas, permitindo que a questão de segurança seja apresentada como uma preocupação não partidária.
O relatório chinês adota um tom de observador distante, mas a seleção de detalhes—o colete à prova de balas, a pergunta da criança—critica implicitamente o sistema americano por permitir que tais ameaças surjam. O lado tomado é o de um observador cético.
Ao relatar as próprias palavras dos juízes sem comentários, o artigo deixa os fatos falarem por si, mas a escolha de destacar o detalhe mais pessoal e alarmante serve para sublinhar a disfunção das instituições americanas.
O artigo omite a natureza bipartidária do pedido e o fato de que juízes liberais e conservadores testemunham juntos, o que complicaria a narrativa de decadência política americana.
O relatório brasileiro enquadra o pedido de segurança como consequência das próprias decisões polêmicas da corte, implicando que as ameaças são uma reação às ações dos juízes. O lado tomado é o de um observador crítico que liga a legitimidade da corte às suas decisões.
Ao mencionar explicitamente 'decisões polêmicas' sem especificar quais, o artigo cria um vínculo causal entre a produção da corte e as ameaças à segurança, sugerindo que os juízes estão colhendo o que plantaram.
O artigo omite as medidas de segurança específicas solicitadas e os números orçamentários, concentrando-se no contexto político, o que minimiza as genuínas preocupações de segurança.
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