
Banco da Coreia do Sul eleva juros pela primeira vez em três anos e meio para conter inflação
A decisão, que coloca a taxa básica em 2,75%, responde à inflação acima da meta e ao crescimento robusto das exportações de semicondutores, alinhando Seul a outros bancos centrais da região.
O Banco da Coreia do Sul (BoK) aumentou a taxa de juro de referência em 25 pontos base, para 2,75%, na quinta-feira, no primeiro aperto monetário desde janeiro de 2023. A decisão, amplamente antecipada pelos mercados, interrompe um ciclo de manutenção e cortes que vigorava desde maio de 2025. O won manteve-se estável face ao dólar após o anúncio, enquanto o índice KOSPI recuava 7%, pressionado sobretudo pela realização de lucros no setor de semicondutores.
A subida das taxas é justificada pela persistência de pressões inflacionistas. A inflação homóloga atingiu 3,2% em junho, o valor mais elevado em 30 meses e acima da meta de 2% do banco central, impulsionada pelo aumento dos custos energéticos na sequência do agravamento do conflito no Médio Oriente e pela depreciação do won, que perdeu 3,4% face ao dólar. A autoridade monetária sinaliza ainda preocupação com o elevado endividamento das famílias e a subida dos preços do imobiliário na área metropolitana de Seul, fatores que pesaram na decisão de retirar estímulos.
O movimento é sustentado por um desempenho económico acima do esperado. As exportações de semicondutores, impulsionadas pela expansão global da inteligência artificial, atingiram um recorde de 44,8 mil milhões de dólares em junho, quase triplicando face ao ano anterior. O governo reviu em alta a projeção de crescimento do PIB para 3,0% em 2026, o ritmo mais forte desde 2021. Observadores em Seul notam que a robustez do setor externo deu à autoridade monetária margem para priorizar a estabilidade de preços, alinhando a Coreia do Sul a outros bancos centrais da Ásia-Pacífico — como os da Austrália, Nova Zelândia, Indonésia e Filipinas — que também adotaram políticas mais restritivas.
A maioria dos analistas consultados projeta pelo menos mais uma subida de 25 pontos base até ao final do ano, o que elevaria a taxa diretora para 3,00%. As estimativas medianas apontam para uma taxa de 3,25% no primeiro trimestre de 2027, mantendo-se nesse patamar até ao final do ano seguinte. O governador Shin Hyun-song dará uma conferência de imprensa ainda esta quinta-feira, onde poderá detalhar a trajetória futura da política monetária.
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O Banco da Coreia age de forma decisiva para estabilizar o won e conter a inflação, apoiando-se em dados sólidos e previsões de especialistas.
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Omite o papel da guerra no Oriente Médio no aumento da inflação, concentrando-se apenas em fatores domésticos.
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Omite a depreciação do won e as previsões de crescimento acima das expectativas, destacadas em outras fontes.
O Banco da Coreia, após anos de taxas estáveis, agora aperta para lidar com a inflação impulsionada pela guerra no Oriente Médio e pela dívida das famílias, marcando uma virada pragmática.
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