
A conta que não fecha: o ranking mundial de cidades estudantis e a erosão da acessibilidade
O QS Best Student Cities 2027 mantém Seul na liderança, mas o retrato global é de cidades onde o custo de vida, as propinas e a falta de alojamento ameaçam o acesso ao ensino superior.
Em Bogotá, uma família de classe média faz contas à mesa da cozinha. O valor de uma licenciatura numa universidade privada ultrapassa os 60 milhões de pesos colombianos, e a matrícula subiu 4,96% em 2025, segundo o Departamento Administrativo Nacional de Estatística. A cada semestre, o equilíbrio é precário: um imprevisto, uma doença, o desemprego, e o projeto de educação desmorona. Dados do Ministério da Educação colombiano mostram que apenas 43 em cada 100 estudantes concluem o curso, e a deserção custa ao país pelo menos 2,8 biliões de pesos por ano, de acordo com o Laboratório de Economia para a Educação da Universidade Javeriana.
É neste cenário de fragilidade que o ranking QS Best Student Cities 2027, divulgado esta semana, ganha contornos de alerta global. Seul mantém a liderança pelo segundo ano consecutivo, seguida de Tóquio e Londres, mas o relatório da consultora britânica Quacquarelli Symonds revela que a acessibilidade financeira se tornou o calcanhar de Aquiles de muitas das 150 cidades avaliadas. Em Hong Kong, que conserva o 17.º lugar, as propinas médias para estudantes internacionais rondam os 18.900 dólares anuais, o valor mais elevado da Ásia Oriental, e a falta de alojamento estudantil agrava o quadro. Na Índia, consultores educacionais relatam uma debandada silenciosa: a percentagem de estudantes que escolhem os Estados Unidos caiu de 54% em 2023 para 20% em 2025, enquanto a Europa, impulsionada por um novo acordo de mobilidade com a União Europeia, atrai cada vez mais jovens com propinas até 80% mais baixas e vias mais claras para trabalhar após os estudos.
A América Latina espelha tensões semelhantes. Buenos Aires mantém-se como a melhor cidade da região, no 35.º lugar global, mas desceu três posições em relação ao ano anterior. O motivo, segundo o relatório, é a erosão do modelo de acesso aberto e gratuito que historicamente atraiu estudantes de todo o continente. A partir da autorização para que universidades públicas cobrem taxas a alunos estrangeiros não residentes, a Argentina transita de um sistema de “direito universal” para um “potencialmente gerador de receitas”, nas palavras de Ben Sowter, vice-presidente da QS. A cidade perdeu oito lugares no indicador de acessibilidade, e a propina média para internacionais nas instituições rankeadas ronda os 6.400 dólares. Para o leitor lusófono, o ranking oferece um retrato agridoce: São Paulo surge apenas na 100.ª posição, muito atrás de Santiago do Chile (55.º) e da Cidade do México (77.º), enquanto nenhuma cidade portuguesa ou africana de língua oficial portuguesa figura entre as 150 melhores. Em Espanha, Madrid (29.º) e Barcelona (32.º) são travadas não pelas propinas, mas pelo custo da habitação, com níveis de acessibilidade comparáveis aos de Dubai ou Copenhaga.
No final, o que fica é a imagem de uma sala de aula com lugares vazios, não por falta de talento ou vontade, mas porque a matemática da sobrevivência não fechou. Em Bogotá, as famílias recorrem a seguros educativos que combinam poupança e proteção contra imprevistos, numa tentativa de blindar o futuro dos filhos. A pergunta que ecoa, de Seul a Buenos Aires, é se as cidades conseguirão proteger o que as tornou atrativas enquanto constroem a infraestrutura de recrutamento e bolsas que o próprio relatório recomenda.
| Imprensa europeia continental | −0.10 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa chinesa | −0.40 | critical |
| Imprensa indiana e sul-asiática | +0.20 | neutral |
European cities compete but housing costs curb their appeal.
Local difficulties (housing, fees) are highlighted to explain why European cities do not rise, turning a global ranking into a domestic policy issue.
It does not mention the growing flow of Indian students to Europe or Hong Kong's struggles, which could relativize Europe's standing.
Hong Kong remains competitive but high costs and a shortage of accommodation discourage international students.
Specific data (fees, rents) are used to justify the stagnant position, presenting the challenges as structural rather than temporary.
It omits the global context of the ranking, such as the top positions of Seoul and Tokyo, and the trends of student mobility towards Europe.
Indian students are leaving the United States for Europe, leveraging new agreements and lower costs.
US restrictions (visas, costs) are contrasted with European opportunities (mobility, post-study pathways), creating a narrative of strategic relocation.
It does not refer to the QS ranking or the housing difficulties of European cities, focusing solely on the shift in Indian routes.
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