
Parlamento da Ucrânia aprova demissão do governo; Zelensky prepara remodelação estratégica
Renúncia da primeira-ministra Yulia Svyrydenko e de todo o gabinete abre caminho para nova equipa, com o líder da Naftogaz como favorito, enquanto oposição questiona motivações.
A Verkhovna Rada, o parlamento ucraniano, aprovou esta terça-feira a demissão da primeira-ministra Yulia Svyrydenko e, por arrastamento, de todo o seu governo, com 258 votos a favor. Até à eleição de um novo executivo, prevista para quinta-feira, o primeiro vice-primeiro-ministro e ministro da Energia, Denys Shmygal, assume interinamente a chefia do governo. A decisão concretiza a remodelação anunciada no domingo pelo presidente Volodymyr Zelensky, que justificou a medida com a necessidade de implementar uma “estratégia política atualizada” e de atribuir cada prioridade da política externa a um responsável com “experiência significativa”.
Segundo a imprensa ucraniana, o principal candidato a suceder a Svyrydenko é Serhiy Koretsky, presidente da empresa estatal de petróleo e gás Naftogaz, cujo nome terá sido discutido com Zelensky no fim de semana. A pasta da Energia ganha centralidade num momento em que a Rússia intensifica os ataques com mísseis balísticos contra infraestruturas críticas e Kiev se prepara para produzir sistemas de defesa aérea Patriot sob licença norte-americana. A própria Svyrydenko, que negociou o acordo de investimento em minerais com Washington após o desentendimento entre Zelensky e Donald Trump na Sala Oval, recebeu do presidente a oferta para liderar “uma nova área significativa nas relações com um parceiro-chave”, embora fontes citadas pelo Ukrainska Pravda indiquem que a ex-primeira-ministra terá recusado o cargo de embaixadora nos Estados Unidos.
A oposição reagiu com ceticismo. Os partidos Solidariedade Europeia, Batkivshchyna e Holos questionaram a lógica de demitir um governo aplaudido pela própria maioria presidencial. A líder da Batkivshchyna, Yulia Tymoshenko, ironizou que “são todos excelentes, comunicativos, simpáticos, mas na verdade não decidem nada neste país”. Deputados da oposição recordaram que o executivo de Svyrydenko já deveria ter caído em novembro passado, na sequência do escândalo de corrupção no setor energético que envolveu o desvio de 100 milhões de dólares. Na perspetiva de fontes diplomáticas ocidentais citadas pelo Financial Times, remodelações anteriores sem explicação clara já tinham “minado a confiança dos parceiros”, que não compreendiam os motivos das mudanças. Analistas em Moscovo, por seu lado, sublinham que a substituição de uma figura associada ao antigo chefe do gabinete presidencial, Andriy Yermak, por Koretsky — descrito por meios como o Strana como um dos gestores de confiança do círculo íntimo de Zelensky — sugere mais uma rotação dentro do mesmo grupo de poder do que uma renovação política.
A remodelação ocorre num momento em que a Ucrânia enfrenta uma campanha russa de ataques aéreos em larga escala e tenta consolidar o apoio ocidental, incluindo as negociações para a adesão à União Europeia. Observadores em Brasília e Lisboa acompanham o processo com atenção, num contexto em que a estabilidade institucional de Kiev é um fator relevante para as discussões sobre garantias de segurança e para a arquitetura de acordos de matérias-primas estratégicas. O parlamento deverá votar o novo governo na quinta-feira, mantendo-se em aberto o destino político de Svyrydenko e a composição final do executivo que terá a seu cargo a preparação do país para o próximo inverno.
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
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| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
Zelensky's critics question the need for the reshuffle, highlighting the lack of explanation.
It gives voice to critical parliamentarians, presenting their perplexity as representative of widespread discontent.
The strategic context of the reshuffle, such as the change in political strategy and ties with the United States, is omitted.
Ukraine is strategically reorienting, with a government change reflecting new priorities in relations with the United States.
By including details on negotiations with the US and Svyrydenko's appointment, it suggests the reshuffle is linked to geopolitical dynamics.
Internal criticism of the reshuffle and the lack of explanation from Zelensky are omitted.
The Ukrainian parliament approved the resignation, an institutional fact.
By reporting only the vote without commentary, it presents the event as a normal procedure.
Strategic context, criticism, and speculation on the successor are omitted.
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