
Líderes árabes e africanos prestam últimas homenagens ao ex-emir do Catar
A morte do xeque Hamad bin Khalifa Al Thani, antigo emir que moldou a projeção internacional do país, mobilizou chefes de Estado e delegações de todo o mundo árabe e de África em Doha.
O Catar iniciou esta segunda-feira três dias de receção de condolências pela morte do xeque Hamad bin Khalifa Al Thani, emir que governou o país entre 1995 e 2013 e cujo falecimento, aos 74 anos, foi anunciado no domingo. O atual emir, xeque Tamim bin Hamad Al Thani, recebe no Palácio de Lusail líderes estrangeiros, membros da família governante e cidadãos, num período de luto oficial de quatro dias com bandeiras a meia haste. A cerimónia decorre num momento em que Doha consolida o seu papel de mediação regional, e a afluência de altos representantes é lida por observadores do Golfo como um termómetro da rede de alianças construída pelo antigo soberano.
A representação marroquina foi assegurada pelo primeiro-ministro Aziz Akhannouch, que, por instruções do rei Mohammed VI, entregou uma mensagem de pêsames e sublinhou a solidez das relações bilaterais. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, optou por um telefonema, enquanto o presidente dos Emirados Árabes Unidos, xeque Mohamed bin Zayed, também contactou diretamente o emir do Catar. A imprensa do Magrebe e do Levante notou que os contactos entre Riade, Abu Dhabi e Doha, após anos de distensão, confirmam a normalização progressiva no Conselho de Cooperação do Golfo. Paralelamente, deslocaram-se a Doha o príncipe herdeiro do Kuwait, o príncipe herdeiro do Bahrein, o presidente do Ruanda, Paul Kagame, o primeiro-ministro do Paquistão e o chefe do governo libanês, Nawaf Salam, que liderou uma delegação ministerial.
A agência noticiosa argelina divulgou uma mensagem do presidente Abdelmadjid Tebboune, que recordou o antigo emir como “um dos grandes construtores do Estado irmão do Catar” e destacou a relação privilegiada que manteve com a Argélia. A cobertura em língua árabe realçou ainda o gesto do Líbano, cujo ministro do Interior assinou o livro de condolências na embaixada do Catar em Beirute, evocando o apoio do xeque Hamad ao país em “momentos difíceis”. Até à manhã desta segunda-feira, não tinham sido divulgadas reações oficiais de capitais lusófonas, embora diplomatas em Lisboa e Brasília acompanhem o processo com atenção, dada a relevância do Catar como investidor e parceiro energético.
O xeque Hamad bin Khalifa Al Thani é recordado por analistas regionais como o arquiteto da projeção internacional do Catar, tendo impulsionado o fundo soberano, a rede Al Jazeera e a candidatura ao Mundial de futebol de 2022, ao mesmo tempo que abdicou voluntariamente em favor do filho. O período de condolências prossegue até quarta-feira, e a presença de delegações de diferentes continentes reflete, na leitura de observadores em Doha, o legado de uma diplomacia que combinou investimentos globais com um ativismo político que redefiniu o peso do pequeno emirado no tabuleiro do Médio Oriente.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | +0.20 | neutral |
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| Imprensa do Golfo árabe | +0.20 | neutral |
Marrocos, Líbano e Arábia Saudita falam como irmãos em luto, afirmando a solidariedade da nação árabe.
Ao invocar repetidamente a linguagem da fraternidade e dos laços pessoais, o bloco naturaliza a aliança política como um vínculo familiar.
O bloco omite qualquer menção a tensões passadas entre o Catar e alguns desses países (por exemplo, o bloqueio liderado pela Arábia Saudita) que poderiam complicar a narrativa de uma fraternidade sem costuras.
Os Emirados Árabes Unidos falam como irmão e aliado, expressando condolências pessoais e reforçando os laços estreitos entre os dois estados do Golfo.
Ao enfatizar a ligação telefônica direta e a visita pessoal, o bloco personaliza as relações estatais, fazendo a diplomacia parecer uma questão de afeto pessoal.
O bloco omite qualquer contexto geopolítico mais amplo ou crítica ao Catar, concentrando-se exclusivamente no relacionamento positivo.
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