
Preferência genética por cebola associada a menor risco de diabetes, revela estudo com 160 mil pessoas
Investigação que utilizou variantes genéticas do olfato como instrumento estatístico reforça a busca por relações causais entre alimentação e doenças crónicas, enquanto outras análises destacam o papel da qualidade das gorduras e do perfil de aminoácidos.
Uma nova abordagem metodológica permitiu identificar uma associação entre a preferência genética pela cebola e a redução do risco de diabetes tipo 2 e de hipertensão arterial. Investigadores internacionais analisaram dados genéticos e alimentares de mais de 160 mil participantes do biobanco britânico, com idades entre 37 e 73 anos, e validaram os resultados numa coorte independente de jovens com média de 25 anos. O trabalho, publicado na BMC Medicine, centrou-se em variantes de genes recetores do olfato, como o OR2T6, que permanecem estáveis desde o nascimento e não são influenciadas por alterações no estilo de vida. Através de uma técnica de randomização mendeliana, os autores observaram que a variante ligada ao gosto por cebola coincidia com valores mais baixos de pressão sistólica e diastólica e com menor incidência de diabetes, embora sublinhem que a relação não é causal direta e exige confirmação em amostras maiores e mais diversas.
Em paralelo, uma revisão publicada na Trends in Endocrinology & Metabolism por investigadores da Universidade de Barcelona e do CIBERDEM, em Espanha, concluiu que a qualidade das gorduras ingeridas pode ser mais determinante para a saúde metabólica do que a quantidade total. O ácido palmítico, saturado e abundante em carnes, laticínios, manteiga de cacau e óleo de palma, promove inflamação, stress oxidativo e disfunção mitocondrial, dificultando a ação da insulina. Já o ácido oleico, monoinsaturado e característico do azeite, do abacate e de frutos secos, contrabalança esses efeitos ao favorecer o armazenamento de lípidos em triglicéridos inertes e preservar a função mitocondrial. A análise baseia-se em estudos experimentais, clínicos e epidemiológicos, mas os próprios autores alertam que grande parte da evidência mecanicista provém de culturas celulares e modelos animais, carecendo de ensaios clínicos dedicados.
A importância do perfil de aminoácidos, e não apenas do total proteico, foi reforçada por uma investigação da Universidade do Sul da Califórnia publicada na Cell Metabolism. Ratos idosos submetidos a uma dieta rica em vegetais, pobre em metionina — aminoácido presente em ovos, carne e laticínios — viveram mais tempo, acumularam menos gordura e preservaram massa muscular, mesmo quando ingeriam mais calorias. A análise de dados de 200 mil pessoas apontou ainda que o consumo elevado de proteína animal estava associado ao dobro da prevalência de diabetes tipo 2, embora sem estabelecer causalidade.
Na prática clínica, nutricionistas em Espanha têm incorporado estes princípios nas recomendações para adultos acima dos 40 ou 50 anos. A dietista Vanesa León sublinha que a microbiota intestinal melhora com uma alimentação rica em fibra e alimentos frescos, incluindo fermentados, e que a saúde óssea depende da combinação de vitamina D e K2, além dos ómega-3 e ómega-7. Ana Luson, por sua vez, aconselha o consumo regular de peixes gordos, leguminosas como lentilha e grão-de-bico, azeite e frutos secos, e sugere que os eventuais snacks noturnos incluam iogurte natural com pistácios ou banana, privilegiando nutrientes que favorecem a síntese de melatonina.
O próximo marco será a replicação destes achados em ensaios clínicos randomizados e em populações geneticamente diversificadas, condição necessária para transformar associações estatísticas e evidência mecanicista em recomendações de saúde pública com grau de certeza mais elevado.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma nova revisão científica sugere que o tipo de gordura consumida pode afetar o risco de diabetes tipo 2. As gorduras saturadas ricas em ácido palmítico, comuns nos alimentos dos EUA, parecem prejudicar a resposta à insulina, enquanto as gorduras monoinsaturadas como o ácido oleico do azeite de oliva podem ajudar a proteger contra a resistência à insulina.
Especialistas recomendam ajustar a dieta após os 50 anos, com foco em peixes gordurosos, alimentos vegetais e lanches noturnos específicos para melhorar o metabolismo e a longevidade. Um estudo genético revela que o gosto por cebola está associado a um menor risco de diabetes e hipertensão, oferecendo uma abordagem simples e biológica para a prevenção.
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