
EUA detêm cubano acusado de operação de influência e apertam cerco a Havana
A detenção de Carlos Antonio Lloga Domínguez e da sua família insere-se na estratégia de Washington para asfixiar o regime castrista, combinando bloqueio naval, sanções e pressão diplomática.
Os Estados Unidos detiveram três cidadãos cubanos — Carlos Antonio Lloga Domínguez, a esposa e o filho — e revogaram o seu estatuto legal de residência, acusando o primeiro de ter atuado durante mais de uma década como agente de influência do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP). O Departamento de Estado anunciou que os três se encontram sob custódia federal e aguardam deportação. A medida foi tomada depois de o secretário de Estado, Marco Rubio, ter sancionado o ICAP, congelando os seus bens nos EUA e proibindo transações com a organização.
Segundo Washington, o ICAP constitui o “nó central de uma vasta operação de inteligência e influência cubana”, que se estenderia a mais de duas mil organizações em 150 países. A administração Trump acusa o grupo de difundir propaganda antiamericana, cooptar ativistas e políticos e servir de correia de transmissão entre Havana e grupos da esquerda radical nos Estados Unidos. A detenção insere-se numa ofensiva mais ampla que inclui um bloqueio naval que há seis meses priva a ilha de combustível, sanções reforçadas contra empresas estrangeiras que negoceiem com o governo cubano e a presença do porta-aviões USS Nimitz nas imediações. Na perspetiva de Washington, o objetivo é sufocar um regime que, nas palavras do presidente Donald Trump, estaria “muito enfraquecido” e próximo do fim.
O governo cubano rejeita as acusações e sustenta que o ICAP é uma organização da sociedade civil dedicada à solidariedade internacional. Sob pressão, o regime anunciou um plano de liberalização económica que prevê a privatização de empresas estatais e a criação de bancos, enquanto a população enfrenta apagões prolongados e escassez de alimentos e medicamentos. Em Havana, a presença militar norte-americana e as negociações diretas iniciadas em maio pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, são interpretadas como uma tentativa de impor uma mudança de regime.
A investigação federal norte-americana estende-se a organizações sem fins lucrativos que terão coordenado ações com o ICAP, incluindo uma caravana humanitária que levou a Cuba o comentador político Hasan Piker e a ativista Medea Benjamin. Tanto Piker como Benjamin receberam notificações do Departamento do Tesouro. Em Brasília, o episódio é observado com prudência, num momento em que o governo Lula procura equilibrar a histórica relação com Havana e a necessidade de não antagonizar Washington. Em Lisboa e Luanda, a escalada reaviva memórias da cooperação cubana nos domínios da saúde e da educação, ao mesmo tempo que suscita interrogações sobre o impacto humanitário do bloqueio.
Os três detidos aguardam a conclusão dos trâmites legais para a deportação. A administração Trump mantém a pressão, enquanto as conversações entre a CIA e as autoridades cubanas não registam progressos. O caso deverá continuar a alimentar tensões diplomáticas, com eventuais repercussões nas relações dos EUA com países que mantêm laços com Cuba, incluindo na América Latina e em África.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As autoridades dos EUA detiveram três cidadãos cubanos acusados de atuar como agentes de influência para Havana. Seu status legal foi revogado e eles estão sob custódia federal aguardando deportação. A medida é apresentada como um passo necessário para proteger a segurança nacional contra a subversão estrangeira.
Washington está apertando o cerco sobre Cuba com um bloqueio econômico e energético, apoiado pelo envio de um porta-aviões. O indiciamento do ex-presidente Raúl Castro sinaliza uma possível escalada militar. No entanto, o regime ainda poderia se salvar ao capitular às exigências da Casa Branca, transformando a crise em um assalto geopolítico.
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