
Plataformas digitais inflam emprego formal no México, mas indústria encolhe na América Latina
O registo de trabalhadores de aplicativos gerou 40 mil vagas em junho, mascarando a fragilidade da manufatura mexicana, enquanto Colômbia reduz informalidade e Argentina vê crise têxtil.
O mercado de trabalho formal mexicano registou em junho o maior saldo para o mês desde 2021, com 61 mil novas vagas, mas o número esconde uma dependência crescente de vínculos atípicos. Ao excluir os 40 mil postos gerados pela obrigatoriedade de registo de motoristas e entregadores de plataformas como Uber e DiDi, o saldo real cai para 21 mil, segundo análise do ManpowerGroup. A manufatura, que responde por 60% da atividade industrial, acumula contração de 1,19% até maio, puxada pela queda de 3,78% no setor automotivo. Analistas na Cidade do México apontam que a incerteza sobre a revisão do T-MEC e as tarifas setoriais dos EUA já afetam o investimento, enquanto o impulso esperado da Copa do Mundo de 2026 não se traduziu em contratações industriais significativas.
Na Colômbia, a informalidade caiu para 54,7% no trimestre março–maio, o menor patamar desde que a atual metodologia do DANE entrou em vigor, em 2021. A redução de 1,2 ponto percentual em relação ao ano anterior foi puxada pelas 13 principais áreas metropolitanas, onde a taxa recuou para 40,7%. Contudo, a heterogeneidade persiste: em microempresas, 84,5% dos ocupados são informais, e nos centros rurais a proporção chega a 82,9%. Em Bogotá, a informalidade caiu para 33,2%, mas 1,45 milhão de pessoas ainda dependem do rebusque. Observadores em Bogotá alertam que o segundo semestre pode interromper essa trajetória, com a desaceleração do consumo e o aumento dos custos de contratação após a reforma laboral.
No Brasil, o Ceará ilustra a sazonalidade do emprego temporário: 600 vagas abertas em julho, concentradas em serviços e comércio, com projeção de que 20% se convertam em efetivas. O turismo de férias escolares e eventos como o Fortal aquecem a demanda, mas a informalidade estrutural permanece como pano de fundo. Na Argentina, a indústria têxtil opera com apenas 36,6% da capacidade instalada, acumulando perda de 24 mil postos formais desde 2023. A queda de 23% na produção em abril reflete o colapso do consumo interno e a compressão de margens, com empresas a liquidar estoques a preços abaixo da inflação.
O mosaico regional revela que os ganhos de formalização estão concentrados em setores de serviços de baixa produtividade ou em registos induzidos por regulação, enquanto a indústria de transformação perde tração. O próximo marco a observar será o comportamento do emprego formal no segundo semestre, quando a revisão do T-MEC, a implementação da reforma laboral colombiana e a resistência do consumo argentino definirão se a frágil expansão do emprego se sustenta ou cede a um novo ciclo de ajuste.
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