
Petróleo sobe com novos ataques entre EUA e Irão, mas trégua diplomática limita ganhos
Apesar da subida inicial de mais de 1% após troca de golpes no estreito de Ormuz, os preços recuaram parcialmente com o anúncio de cessar-fogo temporário e retoma das negociações técnicas no Catar.
Os preços do petróleo inverteram a tendência de forte queda da semana passada e registaram ganhos na sessão de segunda-feira, 29 de junho, depois de os Estados Unidos e o Irão terem trocado ataques durante o fim de semana. O barril de Brent, referência internacional, subiu 0,8% para 72,57 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) norte-americano avançou 1,3% para 70,11 dólares. A escalada reacendeu os receios de interrupção do fornecimento através do estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do comércio marítimo mundial de crude e gás natural liquefeito.
A perturbação logística foi o principal motor da subida. Após um pico de tráfego na semana anterior — que levou o Brent a cair 10,6%, a terceira queda semanal consecutiva —, os novos ataques a navios, incluindo um petroleiro ligado ao Catar, travaram novamente a circulação. Washington respondeu com bombardeamentos a alvos iranianos na zona do estreito, e Teerão retaliou com mísseis e drones contra bases norte-americanas no Kuwait e no Barém. O movimento de preços refletiu a reavaliação do risco geopolítico por parte dos mercados, que, segundo analistas do ING, estavam excessivamente focados na retoma dos fluxos e subestimavam a fragilidade do cessar-fogo provisório.
A trajetória ascendente foi, contudo, contida por notícias de que Washington e Teerão concordaram em suspender as hostilidades e retomar as conversações técnicas no Catar já na terça-feira. O acordo, relatado por fontes oficiais norte-americanas, prevê a passagem segura de navios comerciais enquanto prosseguem as negociações sobre o memorando de entendimento de 14 pontos assinado a 17 de junho. Na perspetiva de analistas do ANZ, o mercado tenderá a reavaliar a expectativa de uma rápida normalização da oferta a partir do Golfo Pérsico, uma vez que os fluxos físicos continuam limitados por congestionamentos de navios, infraestruturas danificadas e paragens de produção.
A Arábia Saudita retomou os carregamentos no terminal de Ras Tanura, parados há quase quatro meses, mas o contexto operacional permanece frágil. Um helicóptero da Aramco despenhou-se no domingo na mesma zona, causando 14 mortos, sem que as causas fossem esclarecidas. Para economias lusófonas importadoras de energia, como Portugal e o Brasil, a volatilidade em Ormuz mantém pressão sobre os custos logísticos e os preços dos combustíveis, num momento em que a inflação global já condiciona as decisões de política monetária. O próximo marco factual será o desfecho da ronda de conversações em Doha, que poderá ditar a credibilidade do frágil entendimento entre as duas potências.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os preços do petróleo subiram ligeiramente na segunda-feira, com o Brent acima dos 72 dólares, enquanto as hostilidades entre EUA e Irão continuavam pelo quarto dia. Os mercados permanecem preocupados com os riscos de abastecimento no Estreito de Ormuz, mas estão mais confiantes de que as últimas trocas militares não se transformarão numa guerra regional em grande escala. Persiste a esperança de que um cessar-fogo de 60 dias restaure os carregamentos de petróleo através do estreito.
O petróleo recuperou na segunda-feira após novas trocas de golpes entre EUA e Irão, sublinhando a fragilidade do acordo provisório para acabar com a guerra. Enquadrado como uma guerra americano-israelita contra o Irão, o conflito voltou a abrandar o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, enquanto o memorando de entendimento de junho — que incluía o Líbano e o alívio das sanções — parece cada vez mais incerto. O reacender da escalada lança dúvidas sobre a estabilidade regional e a sinceridade dos esforços de paz.
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