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Defesa e Segurançaquinta-feira, 18 de junho de 2026

Pentágono revê presença militar na Europa e exige que NATO se torne aliança 'de linha dura'

Secretário de Defesa dos EUA anuncia avaliação de tropas em seis meses, critica aliados por 'oportunismo' e condiciona contribuições futuras ao aumento dos gastos europeus com defesa.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou esta quinta-feira, em Bruxelas, uma revisão profunda da presença militar americana na Europa, que decorrerá ao longo dos próximos seis meses. A medida, comunicada durante a reunião de ministros da Defesa da NATO, visa acelerar a transferência da responsabilidade pela segurança do continente para os próprios aliados europeus. Hegseth defendeu a construção de uma 'NATO 3.0', uma aliança que recupere o carácter de 'organização de combate linha-dura', com capacidades militares reais de dissuasão, e deixou claro que o resultado da avaliação ditará quais os países 'que passarão com distinção e quais reprovarão'. A linguagem invulgarmente dura do chefe do Pentágono ecoou a frustração acumulada em Washington com o que considera décadas de parasitismo orçamental e negligência estratégica por parte dos parceiros europeus.

O anúncio surge num momento de particular tensão transatlântica, agravada pela recusa de vários aliados em conceder acesso a bases, espaço aéreo e direitos de sobrevoo durante a recente campanha militar dos EUA e de Israel contra o Irão. Hegseth classificou essa atitude como 'vergonhosa', acusando os países em causa de colocarem 'os filhos e filhas da América em risco'. A revisão agora lançada examinará o posicionamento de forças e infraestruturas, mas também a fiabilidade política dos acordos de acesso. Em paralelo, Washington mantém a exigência de que os membros da NATO atinjam a meta de 5% do PIB em despesas de defesa até 2035, um patamar que a generalidade dos aliados, incluindo economias ricas como a Alemanha e o Reino Unido, ainda está longe de cumprir. A retirada de cinco mil militares de bases alemãs, já iniciada em maio, antecipava este movimento de reequilíbrio estratégico.

Do lado europeu, as reações oscilaram entre o reconhecimento da inevitabilidade da mudança e a preocupação com o ritmo e as lacunas que ela pode gerar. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, admitiu que a aliança atravessa 'a maior transformação da sua história' e que os europeus terão de realizar 'esforços enormes', sublinhando que os gastos de defesa dos aliados europeus e do Canadá aumentaram 139 mil milhões de dólares em 2025. Contudo, o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, foi mais incisivo: 'Se se decide estar numa aliança militar, respeitam-se os compromissos; senão, fica-se de fora'. Já o homólogo alemão, Boris Pistorius, alertou para o perigo de se criarem vazios de capacidade antes que a Europa esteja pronta para os preencher, defendendo um processo coordenado de transição.

Na perspetiva de Lisboa, o recado de Hegseth coloca Portugal — membro fundador da NATO — perante a urgência de acelerar o investimento em defesa, num contexto em que o país ainda se encontra distante das metas acordadas. Para o Brasil, parceiro estratégico dos EUA mas fora da aliança atlântica, a reconfiguração em curso sinaliza uma América mais transacional e menos disposta a subsidiar a segurança de terceiros, o que poderá ter repercussões na cooperação bilateral em defesa e na estabilidade do Atlântico Sul. A revisão das forças americanas na Europa, a concretizar-se num desengajamento significativo, não só redesenharia o equilíbrio militar no flanco oriental da NATO como também obrigaria a uma recalibração das capacidades europeias de projeção de poder — um debate que, mais cedo ou mais tarde, chegará às capitais lusófonas.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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O secretário de Defesa dos EUA criticou duramente os membros europeus da OTAN por não cumprirem as metas de gastos com defesa e anunciou uma revisão semestral das forças americanas na Europa. A revisão visa acelerar a transição para uma liderança europeia na defesa continental, chamada de 'OTAN 3.0'. A mensagem é que Washington não arcará mais com o fardo principal da segurança europeia sem compromisso recíproco.

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allarmescetticismo

O secretário de Defesa dos EUA, chamado de 'ministro da guerra', exigiu que a Europa assuma sua própria defesa e anunciou uma revisão do destacamento de tropas americanas. O conceito de 'OTAN 3.0' é visto como um ultimato que força as nações europeias a aumentar rapidamente suas capacidades militares. Há receios de que isso possa enfraquecer a garantia de segurança americana e criar novos riscos para o continente.

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

Pentágono revê presença militar na Europa e exige que NATO se torne aliança 'de linha dura'

Secretário de Defesa dos EUA anuncia avaliação de tropas em seis meses, critica aliados por 'oportunismo' e condiciona contribuições futuras ao aumento dos gastos europeus com defesa.

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou esta quinta-feira, em Bruxelas, uma revisão profunda da presença militar americana na Europa, que decorrerá ao longo dos próximos seis meses. A medida, comunicada durante a reunião de ministros da Defesa da NATO, visa acelerar a transferência da responsabilidade pela segurança do continente para os próprios aliados europeus. Hegseth defendeu a construção de uma 'NATO 3.0', uma aliança que recupere o carácter de 'organização de combate linha-dura', com capacidades militares reais de dissuasão, e deixou claro que o resultado da avaliação ditará quais os países 'que passarão com distinção e quais reprovarão'. A linguagem invulgarmente dura do chefe do Pentágono ecoou a frustração acumulada em Washington com o que considera décadas de parasitismo orçamental e negligência estratégica por parte dos parceiros europeus.

O anúncio surge num momento de particular tensão transatlântica, agravada pela recusa de vários aliados em conceder acesso a bases, espaço aéreo e direitos de sobrevoo durante a recente campanha militar dos EUA e de Israel contra o Irão. Hegseth classificou essa atitude como 'vergonhosa', acusando os países em causa de colocarem 'os filhos e filhas da América em risco'. A revisão agora lançada examinará o posicionamento de forças e infraestruturas, mas também a fiabilidade política dos acordos de acesso. Em paralelo, Washington mantém a exigência de que os membros da NATO atinjam a meta de 5% do PIB em despesas de defesa até 2035, um patamar que a generalidade dos aliados, incluindo economias ricas como a Alemanha e o Reino Unido, ainda está longe de cumprir. A retirada de cinco mil militares de bases alemãs, já iniciada em maio, antecipava este movimento de reequilíbrio estratégico.

Do lado europeu, as reações oscilaram entre o reconhecimento da inevitabilidade da mudança e a preocupação com o ritmo e as lacunas que ela pode gerar. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, admitiu que a aliança atravessa 'a maior transformação da sua história' e que os europeus terão de realizar 'esforços enormes', sublinhando que os gastos de defesa dos aliados europeus e do Canadá aumentaram 139 mil milhões de dólares em 2025. Contudo, o ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, foi mais incisivo: 'Se se decide estar numa aliança militar, respeitam-se os compromissos; senão, fica-se de fora'. Já o homólogo alemão, Boris Pistorius, alertou para o perigo de se criarem vazios de capacidade antes que a Europa esteja pronta para os preencher, defendendo um processo coordenado de transição.

Na perspetiva de Lisboa, o recado de Hegseth coloca Portugal — membro fundador da NATO — perante a urgência de acelerar o investimento em defesa, num contexto em que o país ainda se encontra distante das metas acordadas. Para o Brasil, parceiro estratégico dos EUA mas fora da aliança atlântica, a reconfiguração em curso sinaliza uma América mais transacional e menos disposta a subsidiar a segurança de terceiros, o que poderá ter repercussões na cooperação bilateral em defesa e na estabilidade do Atlântico Sul. A revisão das forças americanas na Europa, a concretizar-se num desengajamento significativo, não só redesenharia o equilíbrio militar no flanco oriental da NATO como também obrigaria a uma recalibração das capacidades europeias de projeção de poder — um debate que, mais cedo ou mais tarde, chegará às capitais lusófonas.

Divergência das fontes

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Como se dividem

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O secretário de Defesa dos EUA criticou duramente os membros europeus da OTAN por não cumprirem as metas de gastos com defesa e anunciou uma revisão semestral das forças americanas na Europa. A revisão visa acelerar a transição para uma liderança europeia na defesa continental, chamada de 'OTAN 3.0'. A mensagem é que Washington não arcará mais com o fardo principal da segurança europeia sem compromisso recíproco.

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O secretário de Defesa dos EUA, chamado de 'ministro da guerra', exigiu que a Europa assuma sua própria defesa e anunciou uma revisão do destacamento de tropas americanas. O conceito de 'OTAN 3.0' é visto como um ultimato que força as nações europeias a aumentar rapidamente suas capacidades militares. Há receios de que isso possa enfraquecer a garantia de segurança americana e criar novos riscos para o continente.

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