
Pentágono exige que Europa assuma defesa própria e anuncia retirada imediata de tropas
Secretário de Defesa dos EUA defende uma NATO 3.0 mais musculada, enquanto aliados europeus são pressionados a elevar gastos militares para 5% do PIB.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, lançou um apelo contundente aos aliados europeus para que assumam a liderança da sua própria segurança e ajudem a transformar a NATO numa “aliança militar de linha dura”. A declaração, proferida na reunião de ministros da Defesa da organização em Bruxelas, surge semanas depois de Washington ter comunicado que deixará de fornecer determinados navios de guerra e aeronaves em caso de ataque a um membro. Hegseth defendeu um “reinício” da aliança de 32 nações, baptizado de NATO 3.0, capaz de dissuadir qualquer ameaça num momento em que os recursos norte-americanos são redireccionados para outras prioridades estratégicas.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, confirmou que a redução da presença militar dos EUA na Europa começará “imediatamente”, sublinhando que a aliança já conhecia os planos de Washington. Rutte explicou que os Estados Unidos “não podem desperdiçar os seus recursos” e manifestou a esperança de que, em caso de conflito, o país “faça o máximo” para proteger os parceiros europeus. Apesar do tom exigente, o líder da NATO assegurou que Hegseth continua a ser “um grande amigo” da organização, mas deixou claro que as capitais europeias e o Canadá terão de ajustar os seus orçamentos de defesa para se equipararem ao esforço financeiro norte-americano. A meta de referência, fixada numa cimeira anterior em Haia, é ambiciosa: 5% do PIB destinado à defesa.
Na perspetiva de Lisboa, a pressão de Washington coloca o governo português perante um dilema orçamental delicado. Portugal, membro fundador da NATO e anfitrião da base das Lajes, nos Açores — um ativo geoestratégico crucial para a projeção atlântica —, tem mantido níveis de investimento militar abaixo da média da aliança. Observadores em Lisboa notam que a exigência de 5% do PIB, muito acima do atual compromisso de 2%, exigiria uma reorientação profunda das prioridades fiscais, num contexto de recuperação económica pós-pandemia e de forte pressão sobre os serviços públicos. Ao mesmo tempo, a modernização das Forças Armadas portuguesas ganha urgência perante a instabilidade no flanco sul da NATO, que inclui regiões de interesse para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, como o Golfo da Guiné e o norte de Moçambique.
Do lado de Brasília, o redesenho da postura norte-americana na NATO é observado com atenção, embora o Brasil não integre a aliança. O país mantém uma parceria estratégica com Washington e participa em mecanismos de cooperação como o Diálogo de Defesa Brasil-EUA. Analistas brasileiros interpretam a retração logística americana na Europa como um sinal de que os EUA continuarão a priorizar a região do Indo-Pacífico e a exigir maior autonomia dos seus aliados tradicionais. Esse movimento pode abrir espaço para uma política externa europeia mais assertiva, com eventuais reflexos nas relações com o Sul Global, incluindo os países africanos de língua portuguesa, que dependem de estabilidade internacional para consolidar os seus processos de desenvolvimento e segurança marítima.
O debate sobre a NATO 3.0 ganhará novo fôlego na próxima cimeira da aliança, prevista para julho em Ancara, onde os líderes farão um balanço do progresso rumo à meta de 5% do PIB. Até lá, a diplomacia transatlântica viverá sob o signo da ambiguidade: Rutte procura tranquilizar os aliados quanto ao compromisso último dos EUA, enquanto Hegseth insiste que a defesa do continente deve deixar de ser um encargo predominantemente americano. A questão de fundo, partilhada por analistas em Lisboa, Brasília e nas capitais lusófonas africanas, é se a Europa conseguirá construir uma capacidade militar autónoma suficientemente robusta antes que o vazio estratégico se torne irreversível.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O secretário-geral da NATO minimiza os cortes militares dos EUA, afirmando que a redução de tropas e equipamentos não terá impacto imediato, pois não diz respeito às atuais posições de forças. A aliança está se adaptando, mas as mudanças são apresentadas como um ajuste de rotina, não uma retirada súbita.
O secretário-geral da NATO, Rutte, confirmou que os EUA começarão imediatamente a reduzir o número de tropas na Europa, explicando que a América não pode desperdiçar os seus recursos. A aliança sabia destes planos e, embora Rutte espere que os EUA façam o máximo em caso de guerra, a medida sinaliza um claro recuo americano face aos compromissos anteriores.
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