
ISU readmite patinadores russos e bielorrussos como neutros a partir da nova temporada
Decisão põe fim a um afastamento que durava desde março de 2022, mas impõe critérios rigorosos de neutralidade e mantém a exclusão de símbolos nacionais.
O Conselho da União Internacional de Patinagem (ISU) anunciou, a poucas horas do arranque da época 2026/2027, o regresso imediato de atletas da Rússia e da Bielorrússia às competições de patinagem artística, velocidade e pista curta. A readmissão, em regime de neutralidade estrita, reverte uma das mais longas exclusões do desporto olímpico de inverno, imposta após a invasão em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. A partir de 1 de julho, os patinadores poderão alinhar em provas do Grand Prix, Challenger, campeonatos do mundo e europeus, mas sem bandeiras, hinos ou equipamentos nacionais, e apenas após uma verificação individual de antecedentes.
A elegibilidade será negada a quem prestar serviço ativo nas forças armadas ou nos serviços de segurança, tiver participado em operações militares contra a Ucrânia ou manifestado publicamente apoio à guerra depois de fevereiro de 2022. O ISU sublinha que a medida original não foi uma sanção disciplinar, mas uma “medida de proteção” da segurança e da integridade das provas, e que a flexibilização segue as recomendações do Comité Olímpico Internacional (COI) de dezembro de 2025 e maio de 2026. A federação optou, contudo, por uma via mais cautelosa do que a de outras modalidades: ao contrário da ginástica, da natação e da esgrima, que já readmitiram russos com símbolos nacionais, o ISU mantém a neutralidade total, adiando ainda para depois de 2027 qualquer decisão sobre o regresso de juízes e dirigentes.
Na perspetiva de Moscovo, a decisão foi recebida com satisfação contida. A tricampeã olímpica Irina Rodnina, hoje deputada da Duma, afirmou que “todos saberão que é a equipa da Rússia” mesmo sem bandeira, enquanto a treinadora Tatiana Tarasova classificou o momento como “importante para o desporto nacional”. A ausência de símbolos, porém, já levara o ministro dos Desportos, Mikhail Degtiariov, a ameaçar retirar à Roménia o direito de organizar eventos internacionais, depois de a esgrima russa ter boicotado uma prova em Cluj-Napoca por proibição idêntica. Em Kiev e em várias capitais europeias, a readmissão é criticada como prematura enquanto prosseguem os combates e a ocupação de cerca de 20% do território ucraniano. O ISU, que continua a financiar atletas ucranianos deslocados, garante que a segurança permanece o “princípio orientador” e que as restrições podem ser repostas se surgirem incidentes. No mundo lusófono, onde o movimento olímpico defende historicamente a neutralidade do desporto, o episódio reacende o debate sobre os limites entre a inclusão e a condenação de conflitos armados.
Do ponto de vista competitivo, o regresso é tudo menos imediato. Apenas os patinadores que já competiram nos Jogos de Milão-Cortina 2026, como os finalistas Adeliia Petrosian e Petr Gumennik, possuem ranking para entrar diretamente nas séries do Grand Prix. Os restantes terão de recomeçar do zero, com um máximo de três vagas por país nos torneios Challenger e uma única vaga por disciplina nos campeonatos da Europa e do mundo — um contraste com as quotas máximas que a Rússia detinha antes do afastamento. A próxima etapa concreta será a abertura das inscrições para as primeiras provas da temporada, onde os patinadores russos e bielorrussos tentarão reconstruir uma presença que o gelo internacional não via, em pleno, há mais de quatro anos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A decisão da ISU marca o retorno triunfal dos patinadores russos ao cenário internacional. A proibição de bandeira e hino é tratada como um detalhe técnico contornável, enquanto a federação russa é descrita como uma das mais influentes do mundo. O foco está totalmente na próxima temporada competitiva e na chance de voltar a vencer.
A ISU readmite com cautela os patinadores russos e bielorrussos como atletas neutros sob condições rigorosas. Aqueles que apoiaram a guerra contra a Ucrânia ou serviram nas forças armadas permanecem excluídos, e o retorno de juízes e oficiais é adiado. A medida é apresentada como um passo condicional, sujeito a avaliações contínuas de segurança e integridade.
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