
Paraguai elimina Alemanha nos pênaltis e faz história no Mundial 2026
Com atuação heroica do goleiro Orlando Gill, a Albirroja superou os tetracampeões mundiais e avançou às oitavas de final, repetindo o feito de 2010.
O estádio Gillette, em Massachusetts, foi palco de uma definição por pênaltis que entrou para a história das Copas. Após 120 minutos de um empate em 1 a 1, o Paraguai eliminou a Alemanha por 4 a 3 nas cobranças, com o goleiro Orlando Gill a defender os remates de Kai Havertz e Nick Woltemade. José María Canale, zagueiro improvisado na defesa devido a uma lesão, converteu o pênalti decisivo e selou a classificação para os oitavos de final. Na mesma jornada, Marrocos também afastou os Países Baixos nos pênaltis, configurando a primeira vez em que duas seleções do top 10 do ranking da FIFA caem na ronda inaugural do mata-mata.
A partida começou com um Paraguai intenso, que abriu o marcador aos 12 minutos: Julio Enciso, a grande referência ofensiva da equipa, cabeceou um cruzamento preciso e fez explodir a torcida sul-americana. A Alemanha respondeu no segundo tempo, com Havertz a desviar de cabeça para o empate aos 54 minutos, e passou a dominar as ações. Já no prolongamento, aos 102 minutos, Jonathan Tah marcou de cabeça após um canto, mas o árbitro marroquino Jalal Jayed anulou o golo com auxílio do VAR, ao interpretar que Waldemar Anton obstruiu o guarda-redes paraguaio. A decisão manteve o empate e forçou a primeira disputa de pênaltis deste Mundial.
A eliminação alemã prolonga um jejum que dura desde o título de 2014: a Mannschaft não vence um jogo de mata-mata em Copas desde a final no Maracanã. Caiu na fase de grupos em 2018 e 2022, e agora, na estreia dos dezasseis-avos de final, sofreu a primeira derrota em desempates por pênaltis na história do torneio — até então, havia vencido as quatro séries que disputou. Na perspetiva de analistas europeus, o resultado confirma a perda de protagonismo de uma potência que, há uma década, parecia inabalável. Já na América do Sul, a vitória paraguaia foi recebida como um feito épico, ecoando as palavras do treinador Gustavo Alfaro: “Foi a vitória mais importante da minha carreira”.
Alfaro, que comandou o Equador no Mundial anterior, construiu uma equipa assente na resistência defensiva e na velocidade nos contra-ataques. “Resistir está gravado na nossa cédula de identidade”, afirmou, sublinhando que a derrota pesada na estreia frente aos Estados Unidos (4-1) serviu de aprendizado. O técnico argentino advertiu, porém, contra o excesso de euforia: “Se sobrevalorizarmos esta vitória, equivocamo-nos. Foi épica, sim, mas se não nos sacrificarmos até ao limite não vamos conseguir mais nada”. A Albirroja regressou a um Mundial após 16 anos de ausência e iguala, desde já, a sua melhor campanha, os quartos de final de 2010.
O próximo adversário do Paraguai sairá do duelo entre França e Suécia, marcado para esta terça-feira. O jogo dos oitavos de final está agendado para 4 de julho, em Filadélfia. A equipa de Alfaro carrega a convicção de quem já superou um gigante, mas também a consciência de que o caminho exige o mesmo desgaste coletivo que transformou 26 jogadores, nas palavras do treinador, em “guerreiros que saíram do campo como lendas”.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Uma noite histórica para o Paraguai, que escreve a página mais gloriosa de sua história futebolística. A Albirroja, liderada por um Alfaro choroso, derrubou o gigante alemão nos pênaltis com um Orlando Gill monumental, provocando a primeira grande surpresa da Copa. Foi a vitória da fé e do amor-próprio contra todas as previsões.
O mais recente fracasso alemão na Copa do Mundo ganha contornos dramáticos: eliminada nas oitavas de final pelo Paraguai, a seca de vitórias em mata-mata se estende por doze anos. O pesadelo dos pênaltis, jamais perdido antes em um Mundial, e a incapacidade de marcar mais de um gol contra um adversário modesto reacendem o debate sobre a crise estrutural da seleção.
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