
UE impõe tarifas de 50% ao aço asiático enquanto Volkswagen prepara cortes históricos
A entrada em vigor de novas salvaguardas siderúrgicas e a iminência de encerramentos de fábricas da Volkswagen expõem a pressão chinesa sobre a indústria europeia.
A partir desta terça-feira, a União Europeia duplica para 50% as tarifas sobre importações de aço que excedam as quotas estabelecidas, ao mesmo tempo que reduz o volume isento de sobretaxas em 47%, fixando-o em 18,3 milhões de toneladas. A decisão, aprovada por Bruxelas em regime de urgência, responde a um excesso de capacidade global que a OCDE estima em 620 milhões de toneladas em 2025, com potencial de atingir 745 milhões até 2028. A China, responsável por mais de mil milhões de toneladas anuais — metade da produção mundial —, é o principal alvo de uma medida que visa travar a entrada de aço de baixo custo e preservar a autonomia estratégica do bloco.
A nova arquitetura de defesa comercial procura equilibrar a proteção à siderurgia europeia, cujas instalações operam a apenas 67% da capacidade, com a manutenção dos canais históricos de abastecimento. Cerca de 80% do aço importado pela UE provém de parceiros com acordos de livre comércio, aos quais foi reservada metade da quota global, ficando isentos das novas tarifas, embora sujeitos a controlos reforçados para evitar a triangulação de origem chinesa. A blindagem, contudo, acarreta o risco de encarecer matérias-primas para as indústrias transformadoras europeias, num momento em que a inflação dá sinais de abrandamento.
O sobressalto industrial não se limita ao aço. Na Alemanha, a Volkswagen prepara um plano de reestruturação que poderá eliminar até 100 mil postos de trabalho e encerrar quatro fábricas no país, incluindo as de Neckarsulm e Zwickau. A ofensiva de redução de custos, que será discutida na reunião do conselho de supervisão a 9 de julho, é descrita por analistas como o sinal mais estridente de uma segunda vaga do “choque chinês”. A consultora AlixPartners projeta um agravamento da guerra de preços no mercado automóvel chinês, onde as vendas de veículos ligeiros caíram 18% nos primeiros cinco meses do ano, e antecipa uma consolidação estrutural entre os fabricantes locais.
A crise da Volkswagen reacendeu tensões políticas entre leste e oeste da Alemanha, com governos regionais a disputar a manutenção dos postos de trabalho e o partido AfD a alertar para uma desindustrialização de “consequências devastadoras”. Na Suécia, observadores sublinham que a única resposta viável para a indústria automóvel europeia passa por cortes drásticos e pela aceleração da transição elétrica, aprendendo com a competitividade chinesa em software e baterias. Para os países lusófonos, a vaga protecionista europeia pode redirecionar fluxos globais de aço, com impacto em exportadores como o Brasil, enquanto Portugal acompanha com apreensão os planos da Volkswagen, dada a integração da Autoeuropa nas cadeias de abastecimento do grupo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Europa ergue uma barreira alfandegária de 50% sobre o aço para conter uma segunda vaga chinesa, enquanto a Volkswagen se prepara para cortar 100 mil empregos. A tempestade perfeita de concorrência desleal e crise automóvel atinge o coração industrial do continente. Apesar do alívio na inflação, os governos temem uma hemorragia de empregos sem precedentes.
As exportações automotivas chinesas estão a caminho de ultrapassar 10 milhões de unidades até 2026, indiferentes às tarifas europeias. O crescimento imparável do setor demonstra a competitividade global das marcas chinesas. As taxas da UE são vistas como um obstáculo temporário que não travará a expansão.
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