
ONU alerta para impasse em Sweida e atraso na formação do parlamento sírio
Enviado especial adjunto Cláudio Cordone diz que não houve progresso no plano de reintegração da província drusa e que a demora na constituição do legislativo gera ansiedade.
O vice-enviado especial da ONU para a Síria, Claudio Cordone, informou ao Conselho de Segurança, na segunda-feira, que não se registou qualquer avanço na implementação do roteiro de setembro de 2025 para a construção de confiança e reintegração na província de Sweida, palco de violência sectária em julho passado que vitimou mais de 1.700 pessoas, na maioria civis drusos. Cordone sublinhou que o parlamento transitório sírio continua por constituir mais de oito meses após as eleições, com o presidente Ahmed al-Sharaa ainda por nomear um terço dos membros, atraso que “está a gerar ansiedade”. O diplomata também denunciou a persistência de incursões militares israelitas no sul do país, incluindo detenções de civis, em violação do acordo de separação de forças de 1974.
Na perspetiva de Damasco, o governador de Sweida, Mustafa al-Bakour, atribui a paralisia à obstrução de grupos armados drusos, que, segundo afirma, impedem a restauração das instituições estatais e a melhoria dos serviços, apesar de o governo continuar a financiar salários, saúde e educação. Líderes drusos, que não falam a uma só voz, rejeitam essa leitura e acusam o poder central de ter minado a confiança da comunidade durante os confrontos de 2025, justificando a manutenção de milícias como salvaguarda. O representante permanente sírio junto à ONU, Ibrahim al-Albi, centrou as críticas em Israel, qualificando-o como “o principal obstáculo à estabilidade” e acusando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de escalada e desrespeito pelo direito internacional, enquanto Damasco opta, segundo as suas palavras, pela “sabedoria e diplomacia”.
As consequências do impasse são visíveis no terreno: 13.500 estudantes de Sweida ficaram impossibilitados de realizar exames nacionais este mês, após o fracasso de uma mediação apoiada pela ONU, acumulando dois anos consecutivos sem avaliações. A província regista ainda raptos, contrarraptos e rivalidades entre fações drusas que corroem a segurança, enquanto apelos secessionistas de alguns setores drusos ameaçam, segundo Cordone, a unidade e a integridade territorial síria. A vice-coordenadora da ONU para ajuda de emergência, Indrika Ratwatte, notou que, apesar de sinais positivos de recuperação e reconstrução, as necessidades humanitárias permanecem elevadas e o regresso sustentável de deslocados é desigual.
O contexto mais amplo é o da transição pós-Bashar al-Assad, derrubado em 2024, com a Síria a braços com uma justiça transicional complexa: o governo anunciou a detenção de 5.989 pessoas ligadas ao antigo regime, a aguardar julgamento por crimes posteriores a 2011, enquanto protestos em várias cidades exigem responsabilização e medidas legais contra figuras do regime deposto. A ONU renova apelos a Israel para que respeite o acordo de 1974, liberte detidos ilegalmente e cesse as incursões, mas até agora não se registaram resultados concretos. O Conselho de Segurança deverá continuar a acompanhar o dossiê, sem que se vislumbre uma resolução imediata para os múltiplos focos de tensão.
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As Nações Unidas alertam que o atraso na formação do parlamento de transição sírio se tornou uma necessidade urgente, em meio a contínuas violações israelenses e uma transição complexa. O plano de reintegração da província drusa de Sweida continua paralisado, com uma investigação da ONU documentando mais de 1.700 mortes e possíveis crimes de guerra. Estabilizar a Síria requer enfrentar tanto as divisões internas quanto as interferências externas.
A ONU relatou que o plano de paz para a região drusa de Sweida na Síria não teve progresso, com tensões sectárias ainda latentes quase um ano após a violência mortal. Uma investigação da ONU documentou mais de 1.700 mortes e possíveis crimes de guerra por forças governamentais, combatentes tribais e grupos armados drusos. A instabilidade persistente no coração druso levanta preocupações de segurança, especialmente dadas as conexões transfronteiriças da comunidade.
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