
PIB argentino cresce 2,3% no trimestre, mas investimento desaba e informalidade avança
Expansão foi puxada por exportações e setores primários, enquanto a indústria recuou e o desemprego subiu para 7,8%, evidenciando uma recuperação econômica de duas velocidades.
A economia argentina cresceu 2,3% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, superando a projeção de 1,7% dos analistas consultados pela Reuters. Na comparação dessazonalizada, o PIB avançou 0,7% face ao trimestre anterior, informou o Indec. O resultado consolida o segundo ano consecutivo de expansão, após o crescimento de 4,4% em 2025, mas a composição do dado revela um padrão assimétrico: as exportações saltaram 9,8% e o consumo privado subiu 2,7%, enquanto a formação bruta de capital fixo despencou 11,6% e as importações recuaram 7,5%.
Pelo lado da oferta, a pesca (27,5%), a agricultura e pecuária (18,1%) e a mineração (12,3%) lideraram os ganhos, beneficiadas por condições climáticas favoráveis e pelos incentivos fiscais de longo prazo concedidos a hidrocarbonetos e mineração. Doze dos dezesseis setores registaram expansão. Em contrapartida, a indústria manufatureira contraiu 1,7% e o comércio varejista cedeu 0,3%, setores que concentram emprego e vendas ao mercado interno. O consumo privado, embora em nível recorde, foi impulsionado sobretudo por bens importados e automóveis, conforme detalhou o próprio Indec.
O governo celebrou o “máximo histórico” do PIB e do consumo. O ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que o indicador tendência-ciclo cresceu pelo oitavo trimestre consecutivo. Na mesma semana, outros dados oficiais mostraram que o desemprego atingiu 7,8% (era 5,7% no início da gestão Milei), a informalidade laboral subiu para 44,2% e a subocupação alcançou 11,1%. A inadimplência das famílias junto aos bancos saltou de 3,7% para 12,1% em doze meses. Em Buenos Aires, economistas como Andrés Asiaín e Guido Zack observam que o aumento do consumo reflete mudanças de preços relativos e gastos com importações e turismo no exterior, sem necessariamente traduzir melhoria no nível de vida. Florencia Fiorentin, da Epyca Consultores, sublinha que os setores em crescimento contratam pouca mão de obra e dependem das exportações, enquanto os setores em queda são intensivos em emprego.
Para o conjunto de 2026, a mediana das projeções recolhidas pelo banco central argentino aponta expansão de 2,9%. A sustentação desse ritmo dependerá da recuperação do investimento produtivo, que no trimestre recuou 11,6%, com quedas acentuadas em máquinas e equipamentos nacionais. O próximo dado relevante será o Estimador Mensal de Atividade Econômica (EMAE) de abril, a ser divulgado nas próximas semanas, que indicará se a trajetória de crescimento se mantém no segundo trimestre, em um contexto de salários que ainda correm atrás da inflação acumulada e de tensão política após a derrota governista nas eleições legislativas da província de Buenos Aires.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A economia argentina cresceu 2,3% no primeiro trimestre, mas o número esconde uma realidade de duas velocidades: exportações e agro puxam, enquanto indústria, comércio e poder de compra ficam para trás. A recuperação é desigual e permanecem dúvidas sobre sua sustentação social.
O crescimento argentino no primeiro trimestre superou as expectativas, mostrando resiliência apesar do aumento do desemprego e dos salários atrás da inflação. Os números pintam um quadro misto de uma economia que avança mas com custos sociais claros.
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