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Tecnologiaquinta-feira, 2 de julho de 2026

ONU alerta para concentração de IA em poucos países e risco à democracia

Relatório preliminar de painel científico independente aponta que a governança atual não acompanha a velocidade da tecnologia e pede cooperação internacional.

O Painel Científico Independente Internacional sobre Inteligência Artificial da ONU divulgou o seu primeiro relatório, um documento preliminar que identifica a concentração do desenvolvimento de IA num número reduzido de países e empresas como uma ameaça à democracia e aos direitos humanos. A avaliação, baseada em evidências de 40 especialistas de diferentes regiões, surge dias antes do Diálogo Global sobre Governança da IA, marcado para 6 de julho em Genebra, e sublinha que os mecanismos de governação existentes “não conseguem acompanhar” o ritmo da evolução tecnológica.

O relatório descreve um cenário em que as capacidades dos modelos de IA duplicam a complexidade das tarefas que conseguem executar a cada poucos meses, enquanto os decisores políticos necessitam de provas científicas que, quando ficam disponíveis, já encontram uma tecnologia numa nova fase. A análise aponta riscos concretos: a produção em larga escala de desinformação e de materiais falsos de abuso sexual infantil gerados por deepfakes, a tendência de alguns modelos para reforçarem comportamentos nocivos dos utilizadores e a possibilidade de sistemas autónomos se tornarem mais difíceis de controlar. A par das ameaças, o documento reconhece contributos positivos, como a aceleração da descoberta de medicamentos e o diagnóstico precoce de doenças.

A geografia do desenvolvimento da IA é um dos eixos centrais da preocupação. O relatório nota que a maioria dos modelos é criada nos Estados Unidos e na China, e que mesmo entre países desenvolvidos há disparidades significativas, agravando a desigualdade global. Nações do Sul Global, incluindo muitas economias lusófonas em África, estão praticamente excluídas do processo, sem infraestrutura nem conhecimento para participar no debate sobre governação. Observadores em Moscovo enquadram a IA como um campo de confronto com o Ocidente, tanto em soluções tecnológicas como em desinformação, e o governo russo planeia verificar sistemas de IA quanto a ameaças à segurança do Estado. Em Jacarta, o governo indonésio prepara dois decretos presidenciais – um roteiro nacional para 2026-2029 e um código de ética – que procuram posicionar a IA como ferramenta de reforço das capacidades humanas na administração pública, sem substituir o controlo humano.

Na Europa, o debate político sobre o tema é incipiente. Uma análise aos discursos dos líderes partidários suecos revela que a maioria não menciona a IA, e a estratégia nacional recentemente adotada mantém um tom predominantemente otimista, centrado na ambição de colocar o país entre os dez primeiros do mundo no setor. O relatório da ONU, porém, insiste que a ausência de padrões comuns de avaliação e de interação entre países dificulta a resposta aos riscos, e recomenda o reforço da cooperação internacional e de mecanismos de avaliação independentes. O secretário-geral António Guterres apelou a que os líderes usem esta base de evidências partilhada para agir “em conjunto e sem demora”, enquanto o diálogo de Genebra se perfila como o próximo marco para a construção de uma arquitetura global de governação da inteligência artificial.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Um painel de especialistas da ONU alerta que a concentração das capacidades e lucros da IA em poucos países e empresas ameaça a democracia e os direitos humanos. Os mecanismos de governação existentes não conseguem acompanhar o ritmo acelerado da evolução da IA. O relatório exorta os governos a investir no capital humano e a desenvolver políticas robustas.

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O painel científico independente da ONU sobre IA publicou uma avaliação inicial baseada em evidências das oportunidades, riscos e impactos sociais da tecnologia. O relatório chega pouco antes de um diálogo global sobre governação da IA em Genebra. Na região, as autoridades sublinham que a IA deve ser vista como uma ferramenta para aumentar as capacidades humanas, e não para as substituir.

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Atualizado 07:165 idiomas · 6 veículos
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quinta-feira, 2 de julho de 2026

ONU alerta para concentração de IA em poucos países e risco à democracia

Relatório preliminar de painel científico independente aponta que a governança atual não acompanha a velocidade da tecnologia e pede cooperação internacional.

O Painel Científico Independente Internacional sobre Inteligência Artificial da ONU divulgou o seu primeiro relatório, um documento preliminar que identifica a concentração do desenvolvimento de IA num número reduzido de países e empresas como uma ameaça à democracia e aos direitos humanos. A avaliação, baseada em evidências de 40 especialistas de diferentes regiões, surge dias antes do Diálogo Global sobre Governança da IA, marcado para 6 de julho em Genebra, e sublinha que os mecanismos de governação existentes “não conseguem acompanhar” o ritmo da evolução tecnológica.

O relatório descreve um cenário em que as capacidades dos modelos de IA duplicam a complexidade das tarefas que conseguem executar a cada poucos meses, enquanto os decisores políticos necessitam de provas científicas que, quando ficam disponíveis, já encontram uma tecnologia numa nova fase. A análise aponta riscos concretos: a produção em larga escala de desinformação e de materiais falsos de abuso sexual infantil gerados por deepfakes, a tendência de alguns modelos para reforçarem comportamentos nocivos dos utilizadores e a possibilidade de sistemas autónomos se tornarem mais difíceis de controlar. A par das ameaças, o documento reconhece contributos positivos, como a aceleração da descoberta de medicamentos e o diagnóstico precoce de doenças.

A geografia do desenvolvimento da IA é um dos eixos centrais da preocupação. O relatório nota que a maioria dos modelos é criada nos Estados Unidos e na China, e que mesmo entre países desenvolvidos há disparidades significativas, agravando a desigualdade global. Nações do Sul Global, incluindo muitas economias lusófonas em África, estão praticamente excluídas do processo, sem infraestrutura nem conhecimento para participar no debate sobre governação. Observadores em Moscovo enquadram a IA como um campo de confronto com o Ocidente, tanto em soluções tecnológicas como em desinformação, e o governo russo planeia verificar sistemas de IA quanto a ameaças à segurança do Estado. Em Jacarta, o governo indonésio prepara dois decretos presidenciais – um roteiro nacional para 2026-2029 e um código de ética – que procuram posicionar a IA como ferramenta de reforço das capacidades humanas na administração pública, sem substituir o controlo humano.

Na Europa, o debate político sobre o tema é incipiente. Uma análise aos discursos dos líderes partidários suecos revela que a maioria não menciona a IA, e a estratégia nacional recentemente adotada mantém um tom predominantemente otimista, centrado na ambição de colocar o país entre os dez primeiros do mundo no setor. O relatório da ONU, porém, insiste que a ausência de padrões comuns de avaliação e de interação entre países dificulta a resposta aos riscos, e recomenda o reforço da cooperação internacional e de mecanismos de avaliação independentes. O secretário-geral António Guterres apelou a que os líderes usem esta base de evidências partilhada para agir “em conjunto e sem demora”, enquanto o diálogo de Genebra se perfila como o próximo marco para a construção de uma arquitetura global de governação da inteligência artificial.

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Um painel de especialistas da ONU alerta que a concentração das capacidades e lucros da IA em poucos países e empresas ameaça a democracia e os direitos humanos. Os mecanismos de governação existentes não conseguem acompanhar o ritmo acelerado da evolução da IA. O relatório exorta os governos a investir no capital humano e a desenvolver políticas robustas.

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O painel científico independente da ONU sobre IA publicou uma avaliação inicial baseada em evidências das oportunidades, riscos e impactos sociais da tecnologia. O relatório chega pouco antes de um diálogo global sobre governação da IA em Genebra. Na região, as autoridades sublinham que a IA deve ser vista como uma ferramenta para aumentar as capacidades humanas, e não para as substituir.

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