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Sociedade & Culturaterça-feira, 30 de junho de 2026

O grito de uma mãe e o coro global contra as drogas

Do pedido desesperado de uma mãe em Bangladesh à afirmação diária nas escolas do Gana, o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas revelou uma colcha de retalhos de respostas comunitárias.

No meio de uma corrente humana em Lalmonirhat, no norte do Bangladesh, uma mãe dirigiu-se ao juiz de um tribunal móvel com um apelo que desconcertou os presentes. “Sete dias, dez dias de prisão não servem para nada”, disse, segundo o testemunho de um participante no protesto. “Deem ao meu filho um ano de cadeia.” A frase, carregada de desespero e de um amor ferido, não pedia vingança, mas uma intervenção que a família já não conseguia oferecer. A cena, ocorrida a 26 de junho, não foi um caso isolado: naquele mesmo dia, em dezenas de países, o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas transformou praças, escolas e auditórios em palcos de uma angústia partilhada.

A efeméride, instituída pelas Nações Unidas, ganhou em 2026 contornos de urgência. Em Acra, o ministro da Educação do Gana, Haruna Iddrisu, anunciou uma política de tolerância zero e ordenou ao serviço nacional de educação que expulsasse qualquer estudante apanhado com drogas nos campi. A medida veio acompanhada de um ritual diário: entre o hino nacional e o juramento à bandeira, um aluno dirá “Não comeces”, e os restantes responderão “Vive sem arrependimento”. Em Teerão, o presidente Masoud Pezeshkian defendeu uma abordagem científica, pedindo a revisão de leis e processos para gerir a dependência com base em evidências, e não apenas na repressão. Em Lagos, a Mountain Top Rehabilitation Centre, ligada a uma igreja pentecostal, formou 130 conselheiros de escolas públicas para identificar precocemente o consumo de substâncias entre adolescentes.

A diversidade de respostas reflete, segundo analistas da África Ocidental, uma tensão entre a disciplina institucional e a prevenção comunitária. No Gana, a diretiva ministerial ecoa uma tradição de autoridade escolar herdada do período pós-colonial, mas também se cruza com apelos de líderes religiosos, como o Imã Nacional, que pediu às famílias que vigiassem as companhias dos filhos. No Irão, observadores em Teerão notam que o discurso presidencial procurou equilibrar o combate ao narcotráfico — com “resposta firme” aos traficantes — e a necessidade de serviços de proximidade nos bairros, uma ideia que ressoa com experiências latino-americanas de redução de danos. Já no Bangladesh, as correntes humanas organizadas pelo jornal Prothom Alo em Gazipur, Lalmonirhat e Khulna insistiram numa mensagem complementar: a de que o desporto, a cultura e a vigilância familiar são antídotos tão importantes como a lei.

O que uniu as diferentes latitudes foi a centralidade da família e da escola como trincheiras. Em Khulna, jovens exibiam cartazes com frases como “Ama a vida, afasta-te das drogas” e “Quem te oferece droga não é teu amigo”. Em Lalmonirhat, um jornalista veterano resumiu o sentimento geral: “É preciso saber onde o filho vai e com quem se junta. Se alguém na família se vicia, essa família será destruída, não há dúvida.” A formação de conselheiros em Lagos partiu do mesmo princípio: muitos casos são detetados na sala de aula, e uma intervenção precoce pode travar a escalada antes que a dependência se instale. A mãe que pedia um ano de prisão para o filho não estava a pedir castigo, mas sim uma estrutura que a própria casa já não conseguia sustentar.

No final do dia, a imagem que perdura não é a de um discurso oficial, mas a de um coro de vozes jovens. Nas escolas ganesas, a partir daquela sexta-feira, um aluno ergue-se e diz: “Não comeces.” O resto da turma responde, em uníssono: “Vive sem arrependimento.” A frase, repetida todas as manhãs, é ao mesmo tempo um aviso e uma esperança — um pequeno ritual que tenta transformar o medo em compromisso coletivo.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa africana subsaarianaImprensa indiana e sul-asiática
Imprensa africana subsaariana/ Anglófona
AlarmePragmatismoPaternalismo

Na África subsaariana, a resposta à ameaça das drogas é institucional e intransigente. As autoridades escolares recebem ordens para expulsar qualquer aluno encontrado com substâncias ilícitas, enquanto os funcionários da assistência social apelam a cada cidadão que dedique um minuto por dia à educação dos jovens. Organismos religiosos e educativos mobilizam-se para formar conselheiros e erguer uma frente contra o perigo rastejante.

Imprensa indiana e sul-asiática
PragmatismoPaternalismo

Em todo o sul da Ásia, a mensagem antidrogas é transmitida por encontros comunitários e ativismo cultural. Os cidadãos formam correntes humanas, exibem cartazes com slogans como 'Ame a vida, fique longe das drogas' e apelam a um movimento social unido. Os pais são lembrados de vigiar de perto as companhias dos filhos, enquadrando a luta como um dever moral coletivo.

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terça-feira, 30 de junho de 2026

O grito de uma mãe e o coro global contra as drogas

Do pedido desesperado de uma mãe em Bangladesh à afirmação diária nas escolas do Gana, o Dia Internacional contra o Abuso de Drogas revelou uma colcha de retalhos de respostas comunitárias.

No meio de uma corrente humana em Lalmonirhat, no norte do Bangladesh, uma mãe dirigiu-se ao juiz de um tribunal móvel com um apelo que desconcertou os presentes. “Sete dias, dez dias de prisão não servem para nada”, disse, segundo o testemunho de um participante no protesto. “Deem ao meu filho um ano de cadeia.” A frase, carregada de desespero e de um amor ferido, não pedia vingança, mas uma intervenção que a família já não conseguia oferecer. A cena, ocorrida a 26 de junho, não foi um caso isolado: naquele mesmo dia, em dezenas de países, o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas transformou praças, escolas e auditórios em palcos de uma angústia partilhada.

A efeméride, instituída pelas Nações Unidas, ganhou em 2026 contornos de urgência. Em Acra, o ministro da Educação do Gana, Haruna Iddrisu, anunciou uma política de tolerância zero e ordenou ao serviço nacional de educação que expulsasse qualquer estudante apanhado com drogas nos campi. A medida veio acompanhada de um ritual diário: entre o hino nacional e o juramento à bandeira, um aluno dirá “Não comeces”, e os restantes responderão “Vive sem arrependimento”. Em Teerão, o presidente Masoud Pezeshkian defendeu uma abordagem científica, pedindo a revisão de leis e processos para gerir a dependência com base em evidências, e não apenas na repressão. Em Lagos, a Mountain Top Rehabilitation Centre, ligada a uma igreja pentecostal, formou 130 conselheiros de escolas públicas para identificar precocemente o consumo de substâncias entre adolescentes.

A diversidade de respostas reflete, segundo analistas da África Ocidental, uma tensão entre a disciplina institucional e a prevenção comunitária. No Gana, a diretiva ministerial ecoa uma tradição de autoridade escolar herdada do período pós-colonial, mas também se cruza com apelos de líderes religiosos, como o Imã Nacional, que pediu às famílias que vigiassem as companhias dos filhos. No Irão, observadores em Teerão notam que o discurso presidencial procurou equilibrar o combate ao narcotráfico — com “resposta firme” aos traficantes — e a necessidade de serviços de proximidade nos bairros, uma ideia que ressoa com experiências latino-americanas de redução de danos. Já no Bangladesh, as correntes humanas organizadas pelo jornal Prothom Alo em Gazipur, Lalmonirhat e Khulna insistiram numa mensagem complementar: a de que o desporto, a cultura e a vigilância familiar são antídotos tão importantes como a lei.

O que uniu as diferentes latitudes foi a centralidade da família e da escola como trincheiras. Em Khulna, jovens exibiam cartazes com frases como “Ama a vida, afasta-te das drogas” e “Quem te oferece droga não é teu amigo”. Em Lalmonirhat, um jornalista veterano resumiu o sentimento geral: “É preciso saber onde o filho vai e com quem se junta. Se alguém na família se vicia, essa família será destruída, não há dúvida.” A formação de conselheiros em Lagos partiu do mesmo princípio: muitos casos são detetados na sala de aula, e uma intervenção precoce pode travar a escalada antes que a dependência se instale. A mãe que pedia um ano de prisão para o filho não estava a pedir castigo, mas sim uma estrutura que a própria casa já não conseguia sustentar.

No final do dia, a imagem que perdura não é a de um discurso oficial, mas a de um coro de vozes jovens. Nas escolas ganesas, a partir daquela sexta-feira, um aluno ergue-se e diz: “Não comeces.” O resto da turma responde, em uníssono: “Vive sem arrependimento.” A frase, repetida todas as manhãs, é ao mesmo tempo um aviso e uma esperança — um pequeno ritual que tenta transformar o medo em compromisso coletivo.

Divergência das fontes

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32%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Favorável20%
Crítico80%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa africana subsaariana/ Anglófona
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Na África subsaariana, a resposta à ameaça das drogas é institucional e intransigente. As autoridades escolares recebem ordens para expulsar qualquer aluno encontrado com substâncias ilícitas, enquanto os funcionários da assistência social apelam a cada cidadão que dedique um minuto por dia à educação dos jovens. Organismos religiosos e educativos mobilizam-se para formar conselheiros e erguer uma frente contra o perigo rastejante.

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PragmatismoPaternalismo

Em todo o sul da Ásia, a mensagem antidrogas é transmitida por encontros comunitários e ativismo cultural. Os cidadãos formam correntes humanas, exibem cartazes com slogans como 'Ame a vida, fique longe das drogas' e apelam a um movimento social unido. Os pais são lembrados de vigiar de perto as companhias dos filhos, enquadrando a luta como um dever moral coletivo.

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