
Egito regressa a casa como herói após eliminação dramática frente à Argentina no Mundial 2026
Milhares de adeptos receberam os faraós com festa e protestos, enquanto Salah promete um novo começo e a federação contesta a arbitragem.
O Egito esteve a onze minutos de eliminar a campeã mundial Argentina nos oitavos de final do Mundial 2026, mas uma reviravolta relâmpago selou a despedida mais dolorosa da sua história. A equipa africana vencia por 2-0 até aos 79 minutos, com golos que alimentavam o sonho de uma campanha inédita, até a albiceleste marcar três vezes em treze minutos e fechar o 3-2 já no período de descontos. A derrota interrompeu um percurso que já incluía a primeira vitória de sempre em fases finais (3-1 à Nova Zelândia na fase de grupos) e o primeiro triunfo em eliminatórias, nos penáltis frente à Austrália.
O regresso ao país, na sexta-feira, transformou a frustração numa receção de heróis. Milhares de adeptos concentraram-se no aeroporto de El Alamein, na costa mediterrânica, e acompanharam o autocarro descapotável da seleção num desfile pela cidade. Cartazes com a frase “Encheram-nos de orgulho, homens” e bandeiras egípcias e palestinianas dominaram a multidão. O capitão Mohamed Salah publicou nas redes sociais: “Sei que ainda estão desiludidos, mas prometo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para garantir que isto seja um novo começo para o futebol egípcio no plano internacional”. O presidente Abdel Fattah al-Sisi agradeceu à equipa pela “prestação honrosa” e deve recebê-la este sábado.
A eliminação foi acompanhada de forte contestação à arbitragem. O treinador Hossam Hassan acusou o árbitro francês François Letexier de “injustiça” e afirmou que a competição estava “direcionada para a Argentina”. A Federação Egípcia de Futebol apresentou uma queixa formal à FIFA, pedindo a abertura de um inquérito e o afastamento da equipa de arbitragem, alegando “erros graves” e “duplicidade de critérios”. Do lado da FIFA, o responsável pela arbitragem, Pierluigi Collina, rejeitou as acusações como “infundadas” e defendeu a integridade dos juízes. Na imprensa egípcia, a narrativa de prejuízo dominou as primeiras páginas, enquanto analistas argentinos sublinharam a capacidade de reação da sua seleção.
A conduta de Hassan extravasou o relvado e ganhou contornos políticos. Após o jogo com a Austrália, exibiu uma bandeira palestiniana e dedicou a vitória ao povo de Gaza. No final do encontro com a Argentina, fez o gesto de braços cruzados em X — sinal previsto no protocolo antidiscriminação da FIFA — e recebeu um cartão amarelo. Um vídeo viral mostrou ainda o treinador a cuspir na direção de um adepto que agitava uma bandeira israelita, episódio que a imprensa italiana descreveu como “vergonhoso”. Em Gaza, o gesto de Hassan com a bandeira palestiniana foi amplamente elogiado.
A federação egípcia renovou o contrato de Hassan e do seu irmão gémeo Ibrahim, diretor desportivo, até 2030, segundo a comunicação social local. A queixa à FIFA continua pendente de análise, enquanto a seleção se prepara para o encontro com o presidente e para o início de um ciclo que Salah descreveu como “um novo começo”.
| Imprensa do Sudeste Asiático | +0.70 | aligned |
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| Imprensa latino-americana | −0.80 | critical |
| Imprensa do Golfo árabe | +0.70 | aligned |
O Sudeste Asiático celebra o feito do Egito e a solidariedade palestina, unindo orgulho esportivo e causa política.
Ao vincular a conquista esportiva a uma narrativa mais ampla de solidariedade regional, usando o gesto do treinador e as bandeiras dos torcedores como símbolos de unidade, o bloco torna sua posição plausível.
O bloco omite qualquer menção à controvérsia da arbitragem ou ao sentimento anti-Argentina, que complicariam a narrativa celebratória.
A América Latina denuncia a arbitragem e amplifica o ressentimento egípcio contra a Argentina, transformando a derrota em injustiça.
Ao focar na reação emocional dos torcedores e nas decisões contestadas, o bloco cria uma narrativa de vitimização e injustiça, tornando sua posição plausível.
O bloco omite o aspecto da solidariedade palestina e o tom celebratório mais amplo, que diluiriam a narrativa de queixa.
O Golfo Árabe exalta o triunfo esportivo do Egito, ignorando as controvérsias para manter uma imagem de sucesso e estabilidade.
Ao destacar seletivamente apenas os aspectos positivos do evento e omitir qualquer elemento divisivo, o bloco reforça uma narrativa de conquista e unidade árabe.
O bloco omite a solidariedade palestina e a controvérsia da arbitragem, que poderiam introduzir tensões políticas ou prejudicar o foco celebratório.
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