
Moscovo acusa Kiev de rejeitar trégua para entrega de corpos em Konstantínovka, localidade de controlo disputado
Após proposta russa de cessar-fogo humanitário, o Ministério da Defesa de Moscovo afirma que a Ucrânia recusou receber os restos mortais dos seus soldados, enquanto Kiev continua a rejeitar a perda da cidade estratégica.
O Ministério da Defesa da Rússia anunciou, a 5 de julho, que a Ucrânia rejeitou uma proposta de cessar-fogo local de seis horas em Konstantínovka, agendado para o dia 6, que permitiria a entrega dos corpos de militares ucranianos mortos nos combates pela cidade. Segundo o comunicado oficial, a recusa foi comunicada através dos canais dos serviços secretos, e Kiev não tomou qualquer iniciativa para garantir um enterro digno aos soldados caídos. O Governo ucraniano não emitiu uma resposta oficial imediata ao anúncio, mantendo o silêncio sobre a alegada rejeição.
Na perspetiva de Moscovo, a decisão de Kiev evidencia que as autoridades ucranianas tratam os seus militares como «material descartável», uma acusação reiterada pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, que afirmou que o Presidente Volodymyr Zelensky «não quer os ucranianos nem mortos nem vivos». Fontes das forças de segurança russas, citadas pela agência TASS, alegam que centenas de corpos foram abandonados durante a retirada das tropas ucranianas da cidade. Kiev, por seu lado, contesta a própria premissa da operação humanitária: o controlo russo de Konstantínovka. Zelensky desafiou Vladimir Putin a encontrar-se com ele na localidade, caso esta estivesse realmente sob domínio russo, e classificou a alegação de captura como «mentira». Projetos de monitorização independente não confirmaram, até ao momento, a conquista total da cidade pelas forças russas.
Konstantínovka é um centro industrial e de transportes fundamental no Donbass, parte de um conjunto de «cidades-fortaleza» — juntamente com Slaviansk, Kramatorsk e Druzkovka — que a Ucrânia fortificou desde 2014. O Estado-Maior russo descreveu a sua eventual captura como a chave para o último reduto ucraniano na região, a aglomeração de Kramatorsk-Slaviansk. A ofensiva russa sobre a cidade intensificou-se em meados de 2026, e a 3 de julho o chefe do Estado-Maior, Valeri Gerasimov, comunicou a sua tomada ao Presidente Putin, que a classificou como um avanço estratégico. A Ucrânia continua a afirmar que as suas forças permanecem no interior do perímetro urbano, enquanto o Kremlin insiste no controlo total. Anteriormente, a Rússia havia anunciado que mais de 20 órgãos de comunicação social internacionais estavam dispostos a deslocar-se ao local para testemunhar a eventual entrega dos corpos, caso o cessar-fogo fosse acordado.
O impasse humanitário ilustra a dificuldade de acordar tréguas pontuais num conflito em que a confiança mútua é praticamente inexistente. Ambos os lados já realizaram no passado trocas de corpos com a mediação do Comité Internacional da Cruz Vermelha — em junho de 2025, uma dessas operações envolveu mais de dois mil corpos —, mas as condições políticas atuais inviabilizaram qualquer cooperação em Konstantínovka. Analistas em capitais ocidentais apontam que o episódio serve também os objetivos de propaganda de Moscovo, ao projetar uma imagem de abertura humanitária e atribuir exclusivamente a Kiev a responsabilidade pelo fracasso. Enquanto os relatos contraditórios sobre o controlo territorial persistem, os militares ucranianos caídos permanecem por recuperar e as operações bélicas na região prosseguem, sem perspectivas de distensão imediata.
| Imprensa russa e CEI | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
Mother Russia presents itself as the guarantor of humanity, offering a gesture of respect for the fallen, while the Kyiv regime shows its true cynical face.
Personification of the state: Russia positions itself as a moral entity caring for the dead, contrasted with an inhumane Ukraine.
It omits the possibility that Kyiv did not receive the proposal or that the exchange conditions were unacceptable.
The Russian ministry announces the Ukrainian refusal, but the news is presented cautiously, highlighting the lack of reaction from Kyiv.
Journalistic equidistance: the Russian statement is reported without confirmation, leaving room for doubt.
It does not delve into possible Ukrainian reasons for refusal or verify the credibility of the Russian proposal.
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