
OMS alerta que surto de Ébola na RDC pode ser até quatro vezes maior que os números oficiais
Agência da ONU recebeu apenas 40% dos fundos necessários para combater a epidemia da estirpe Bundibugyo, para a qual não há vacina nem tratamento aprovados, enquanto profissionais de saúde ameaçam greve por salários em atraso.
A dimensão real da epidemia de Ébola no leste da República Democrática do Congo (RDC) poderá ser duas a quatro vezes superior aos cerca de 1960 casos e 719 mortes confirmados oficialmente, alertou esta terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS). A projeção, baseada em modelação da agência, foi divulgada num momento em que a resposta internacional enfrenta um défice de financiamento crítico: a OMS recebeu apenas 40% dos 115 milhões de dólares solicitados para conter o surto, declarado a 15 de maio na província de Ituri.
O vírus, identificado como a estirpe Bundibugyo — para a qual não existem vacinas nem terapêuticas específicas aprovadas —, alastrou-se entretanto a cinco províncias congolesas (Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Tshopo e Haut-Uélé) e ao vizinho Uganda, onde foram registados 20 casos. Observadores em Genebra sublinham que a velocidade de propagação é a mais elevada alguma vez registada num único mês para um surto de Ébola, e que mais de 90% dos casos continuam a ser detetados em Ituri, epicentro da crise. A elevada proporção de doentes que morrem nas comunidades sem nunca terem chegado a uma unidade de saúde é, segundo a OMS, o dado “mais alarmante”.
A resposta no terreno é dificultada por uma combinação de precariedade estrutural e desconfiança. Na localidade de Rwampara, médicos e enfermeiros queimaram pneus e bloquearam acessos ao centro de tratamento, exigindo o pagamento de salários em atraso desde o início da crise. Pelo menos 112 profissionais de saúde foram infetados e 35 morreram. Em paralelo, equipas de enterramento foram atacadas por populares que negam a existência da doença, um fenómeno que analistas em Kinshasa associam à frágil presença do Estado numa região marcada por décadas de conflito armado e deslocação forçada.
A administração norte-americana impôs novas restrições a cidadãos dos EUA que tenham estado na RDC, impedindo o seu embarque em voos comerciais para território americano durante um período de 21 dias, a menos que permaneçam num país terceiro. A medida, justificada por Washington com o risco de propagação comunitária, surge depois de um segundo cidadão americano infetado ter sido transferido para tratamento em Frankfurt, na Alemanha. Em contraponto, a comunidade científica acompanha com expectativa o anúncio da Universidade de Oxford de que vai iniciar, dentro de semanas, o primeiro ensaio clínico em humanos de uma vacina contra a estirpe Bundibugyo. O estudo de fase 1 envolverá 50 voluntários saudáveis no Reino Unido e representa o primeiro de quatro candidatos vacinais a atingir esta etapa.
Do ponto de vista logístico, a Dubai Humanitarian enviou para o Uganda o quarto carregamento aéreo de ajuda, com 72,5 toneladas de material de abrigo, purificação de água e geradores. A OMS insiste que a resposta atingiu um “ponto crítico” e que a comunidade internacional não pode permitir que a RDC carregue sozinha o fardo da epidemia. O próximo marco factual a observar será o arranque do ensaio clínico da vacina de Oxford, enquanto se aguarda a concretização dos compromissos financeiros dos doadores para evitar o colapso da resposta sanitária.
| Imprensa africana subsaariana | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
Congolese health workers denounce exploitation and abandonment by institutions, while the WHO confirms the outbreak is underestimated.
The narrative centers on direct testimony from striking workers, creating immediate empathy and highlighting systemic failures.
No official statements from the Congolese government on the reasons for payment delays are included, nor are any emergency measures mentioned.
The WHO projects an alarming epidemiological reality, calling for enhanced surveillance and international response.
The use of statistical projections and official WHO sources lends authority and neutrality, shifting focus from local crisis to global science.
The context of the health workers' strike and local logistical difficulties, which could explain the underestimation, is omitted.
The Gulf monitors a multidimensional crisis requiring an integrated response, highlighting both difficulties and therapeutic progress.
The narrative combines scientific data, event reporting, and logistical challenges, presenting a balanced yet urgent picture typical of international press.
The role of the WHO or UN agencies is not explored, nor is the lack of funding for payments mentioned.
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