
Morre Alan Greenspan, ex-presidente da Fed que simbolizou a 'Grande Moderação' e a crise seguinte
O economista que liderou o banco central dos EUA durante 18 anos, entre expansão recorde e controvérsia, faleceu aos 100 anos por complicações da doença de Parkinson.
Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos entre 1987 e 2006, morreu esta segunda-feira aos 100 anos em sua residência, devido a complicações da doença de Parkinson. A informação foi confirmada pela sua mulher, a jornalista Andrea Mitchell, correspondente da NBC News. O Federal Reserve emitiu um comunicado em que lamenta "com profunda tristeza" a morte e destaca o seu contributo para a política monetária e a credibilidade da instituição.
Greenspan assumiu o cargo poucos meses antes do crash bolsista de outubro de 1987 e respondeu com uma injeção de liquidez que estabilizou os mercados, inaugurando uma era de intervenções que ficaria conhecida como "Greenspan put". Ao longo do seu mandato, a economia americana viveu a chamada "Grande Moderação", um período de crescimento sustentado, inflação baixa e desemprego em mínimos históricos. O ex-vice-presidente da Fed, Roger Ferguson, recordou que Greenspan "foi dos primeiros a reconhecer o impacto da tecnologia no aumento da produtividade", permitindo que a economia crescesse sem gerar pressões inflacionistas. A sua capacidade de navegar crises — da crise asiática de 1997 ao rebentamento da bolha pontocom e aos atentados de 11 de setembro de 2001 — granjeou-lhe os epítetos de "Maestro" e "Oráculo".
Contudo, a reputação de Greenspan foi abalada pela crise financeira global de 2007-2009. Críticos, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, atribuíram parte da responsabilidade à sua política de juros baixos prolongados e à defesa da desregulamentação financeira, que terão alimentado a bolha imobiliária. Em 2008, perante o Congresso, o próprio Greenspan admitiu estar em "estado de choque" por ter confiado que os bancos se autorregulariam. No Brasil, economistas observam que a era Greenspan coincidiu com um ciclo de forte liquidez global que beneficiou economias emergentes, mas também as expôs a súbitas reversões de fluxos de capital. Na Argentina, o seu mandato sobrepôs-se ao regime de convertibilidade, que o então presidente da Fed apoiou publicamente.
A morte de Greenspan ocorre num momento em que a independência dos bancos centrais volta a ser debatida. Em janeiro de 2026, já nonagenário, subscreveu uma declaração de apoio ao então presidente da Fed, Jerome Powell, face a pressões da administração Trump. O seu percurso, da juventude como músico de jazz à influência da filósofa Ayn Rand, continua a ser estudado como exemplo das complexas interações entre política, mercados e regulação. O legado de Greenspan permanece dividido entre a admiração pela estabilidade que caracterizou os anos 1990 e as interrogações sobre as sementes da crise que eclodiu pouco depois da sua saída.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Alan Greenspan, presidente do Fed por quase duas décadas, morreu aos 100 anos. Uma figura gigantesca que moldou o capitalismo americano moderno, ele presidiu uma das mais longas expansões econômicas da história, mas seu legado é obscurecido pela crise financeira global de 2008, que muitos ligam às suas políticas de desregulamentação e juros baixos. Sua morte reabre o debate sobre uma era de prosperidade e seus custos ocultos.
Alan Greenspan, economista judeu e o presidente do Fed com mais tempo no cargo, morreu aos 100 anos. Figura proeminente para a comunidade judaica global, ele liderou o banco central americano sob quatro presidentes, tornando-se um dos homens mais poderosos das finanças mundiais. Sua morte é notada com orgulho por sua herança e com consciência de seu impacto nas economias interconectadas, incluindo a de Israel.
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