
Expectativas de inflação disparam no Brasil enquanto Marrocos regista desaceleração
Projeções do IPCA sobem pela 14.ª semana consecutiva e mercado precifica BC leniente, num cenário global em que economias emergentes exibem dinâmicas de preços divergentes.
A mediana das projeções para a inflação oficial brasileira em 2026 subiu de 5,11% para 5,30% no Boletim Focus de 19 de junho, a décima quarta alta semanal consecutiva. O movimento foi acompanhado por uma forte elevação das medidas de inflação implícita extraídas dos títulos públicos, que dispararam após a última decisão do Copom. Na perspetiva de São Paulo, a comunicação do Banco Central foi interpretada como um afastamento do compromisso com a meta de 3%, levando os agentes a precificar uma postura mais leniente da autoridade monetária e a exigir prémios mais elevados nos ativos de renda fixa.
Em contraste, Marrocos viu o seu índice de preços no consumidor avançar apenas 1,2% em maio face ao ano anterior, uma desaceleração face aos 1,7% de abril, segundo o Alto Comissariado do Plano. A queda mensal de 0,9% foi puxada pelos alimentos, com os legumes a recuarem 8,6% e o peixe 3,7%, enquanto os combustíveis cederam 3,6%. Observadores em Rabat notam que a inflação subjacente, que exclui preços voláteis e tarifas públicas, ficou em -0,1% na comparação anual, sinalizando uma ausência de pressões de procura. Ainda assim, o transporte manteve-se como o principal foco de alta, com um avanço de 8,1% em doze meses.
Outras economias da região apresentam realidades distintas. Omã registou uma inflação homóloga de 3,8% em maio, impulsionada por bens pessoais (9,6%) e transportes (9,2%), enquanto o Líbano continuou a sofrer com uma subida anual de 19,04%, embora a variação mensal tenha sido de apenas 0,48%, com dificuldades na recolha de preços no terreno. No Gana, a inflação no produtor saltou de 2,7% para 5,8% em maio, puxada pelo setor mineiro, o que levou o serviço de estatística a recomendar uma monitorização mais apertada das cadeias de abastecimento para evitar a transmissão aos preços ao consumidor.
O quadro geral revela um mundo emergente em que as trajetórias de preços estão longe de sincronizadas. Enquanto Marrocos beneficia de uma colheita agrícola favorável e da moderação dos combustíveis, o Brasil enfrenta uma deterioração das expectativas que já se reflete na curva de juros e no câmbio. A ata do Copom, a ser divulgada esta semana, e os próximos boletins Focus serão os marcos imediatos para avaliar se a reação do mercado força uma recalibragem da comunicação do Banco Central.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A inflação em Marrocos desacelerou para 1,2% em maio, com a queda dos preços dos alimentos, enquanto no Líbano o índice de preços ao consumidor subiu ainda mais, elevando a taxa anual para 19%. O contraste evidencia uma cisão crescente entre economias que se estabilizam e aquelas ainda presas em espirais de preços.
Após a última decisão do Copom, os mercados precificaram inflação mais alta, vendo o banco central como leniente. As medidas de inflação implícita dispararam, o real enfraqueceu e as projeções de inflação dos analistas para 2026 subiram pela 14ª semana seguida.
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