
Monção na Índia deve ficar abaixo do normal em julho com fortalecimento do El Niño
Departamento Meteorológico da Índia projeta precipitação 6% abaixo da média, enquanto agências globais alertam para um El Niño de intensidade forte a muito forte, com possíveis recordes de temperatura.
O Departamento Meteorológico da Índia (IMD) divulgou esta semana a previsão de que a precipitação de julho no país ficará abaixo do normal, com um volume estimado em 94% da média histórica de longo período (280,4 mm). O anúncio surge após um junho excecionalmente seco — o quinto mais árido desde 1901, com um défice de 39% — e num momento em que o El Niño se intensifica no Pacífico equatorial, reforçando o risco de uma estação de monções mais fraca e de temperaturas globais recorde.
A anomalia climática, caracterizada pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico centro-leste, altera a circulação atmosférica global e tende a suprimir a formação de nuvens sobre o subcontinente indiano. Dados da Organização Meteorológica Mundial e da NOAA indicam que a temperatura na região Niño 3.4 já está 0,7°C acima da média, ultrapassando o limiar de El Niño, e que há 63% de probabilidade de o evento atingir intensidade “muito forte” entre novembro e janeiro. Cientistas do Instituto Indiano de Meteorologia Tropical sublinham que, mesmo um episódio moderado, ao sobrepor-se a um sistema climático já aquecido, pode amplificar ondas de calor e agravar défices hídricos.
Os impactos já se materializam em várias geografias. Na Índia, a sementeira de arroz, leguminosas e soja recuou 23% face ao ano anterior, e Estados como Karnataka e Telangana registam défices pluviométricos de 42% e 12%, respetivamente. Na Indonésia, a Agência de Meteorologia, Climatologia e Geofísica (BMKG) estima que o El Niño dure entre 9 e 12 meses e reduza a chuva em Java, Bali, Nusa Tenggara e no sul de Sumatra e Kalimantan, sobretudo quando coincidir com a estação seca. Em Hong Kong, o Observatório alertou para a possibilidade de temperaturas recorde este ano e no próximo, sob o efeito combinado do El Niño e do aquecimento global. Para o Brasil, onde o fenómeno costuma trazer seca ao Nordeste e chuvas intensas ao Sul, os modelos ainda não detalham a magnitude dos efeitos regionais, mas a perspetiva de um evento forte reacende preocupações com a safra de grãos e a gestão hídrica.
Apesar do cenário restritivo, há fatores que podem atenuar a quebra das monções. O IMD assinala que uma faixa de nebulosidade com cerca de 1.500 km, detetada por satélite entre a Baía de Bengala e Jammu e Caxemira, deverá deslocar-se para sul nos próximos dias, favorecendo temporais no norte da Índia, incluindo Deli. Além disso, o Bureau de Meteorologia da Austrália aponta para o possível desenvolvimento de um Dipolo do Oceano Índico positivo na segunda metade da estação, o que historicamente reforça a monção. O banco central indiano, que projeta inflação de 5,1% para o ano fiscal, mantém a vigilância sobre a distribuição espacial e temporal das chuvas, enquanto os mercados agrícolas monitorizam a evolução das reservas hídricas e o avanço da sementeira nas próximas semanas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As autoridades meteorológicas indianas preveem chuvas abaixo do normal em julho, com 94% da média de longo prazo, à medida que as condições do El Niño se intensificam. Junho terminou com um déficit de 39%, o quinto mais seco desde 1901, embora a monção esteja agora avançando para as regiões do norte. Alguns estados como Karnataka e Telangana registraram déficits significativos, levantando preocupações para a agricultura.
A agência meteorológica da Indonésia alerta que o El Niño pode durar de 9 a 12 meses e tem 98% de chance de ser forte, podendo reduzir as chuvas no sul do país durante o pico da estação seca. Embora a estação seca esteja se expandindo, algumas zonas de convergência ainda podem trazer chuva na próxima semana.
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