
Modelo chinês GLM-5.2 encurta distância para rivais dos EUA em meio a restrições de acesso
A ascensão do GLM-5.2, da startup Z.ai, coincide com o reforço dos controlos de exportação dos EUA e com o bloqueio de acessos de empresas chinesas aos modelos da Anthropic.
O modelo de inteligência artificial GLM-5.2, lançado no mês passado pela startup pequinense Z.ai, subiu rapidamente nas tabelas de utilização em plataformas como a OpenRouter, ultrapassando modelos da Anthropic e gerando o que analistas em Silicon Valley descrevem como um “mini momento DeepSeek”. O sistema, de código aberto, apresenta capacidades de programação e execução de tarefas complexas que, segundo executivos e investidores norte-americanos, se aproximam das ofertas de ponta dos EUA por uma fração do custo. David Sacks, antigo responsável pela política de IA da administração Trump, afirmou que o modelo está “apenas um nível abaixo” do Opus 4.8 da Anthropic e ao nível do GPT-5.5 da OpenAI, alimentando o debate sobre a redução da vantagem tecnológica americana.
A receção positiva do GLM-5.2 ocorre num momento de maior escrutínio regulatório sobre as exportações de IA dos EUA. No início de junho, Washington impôs controlos de emergência ao modelo Claude Fable 5 da Anthropic, após investigadores da Amazon terem reportado uma forma de contornar as suas salvaguardas de cibersegurança. As restrições foram levantadas a 30 de junho, depois de a empresa ter desenvolvido um novo classificador que redireciona pedidos sensíveis para um modelo mais antigo. A Anthropic anunciou ainda um programa de recompensas por bugs para detetar vulnerabilidades, enquanto prossegue o diálogo com as agências governamentais para a libertação de futuros modelos de fronteira.
Em paralelo, a Anthropic intensificou o bloqueio de acessos de empresas chinesas aos seus sistemas, incluindo a ferramenta de programação Claude Code. Fontes citadas pela imprensa internacional indicam que grupos como Alibaba, Ant Financial e ByteDance utilizaram VPNs, infraestruturas na nuvem no estrangeiro e subsidiárias em Singapura para contornar as proibições. Embora estas práticas não violem leis norte-americanas ou chinesas, infringem os termos de utilização da Anthropic. Na perspetiva de Pequim, a resposta não se fez esperar: a Alibaba proibiu internamente o uso do Claude Code a partir de 10 de julho, alegando riscos de segurança associados a “portas traseiras” no software.
O episódio expõe uma fragmentação crescente no ecossistema global de IA. Enquanto os modelos chineses de código aberto ganham tração junto da comunidade internacional de programadores, as empresas norte-americanas enfrentam custos imprevisíveis e preocupações com a segurança dos dados, o que limita a adoção de soluções chinesas em setores regulados. O próximo marco factual a observar será o cumprimento da meta anunciada pelo fundador da Z.ai, Tang Jie, de colocar um modelo ao nível do Fable da Anthropic até ao primeiro trimestre do próximo ano, num contexto em que Washington continua a avaliar a inclusão da DeepSeek em listas negras de exportação.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Anthropic está fechando as brechas que permitiam que empresas chinesas acessassem seus modelos Claude apesar das restrições existentes. A medida ocorre enquanto engenheiros continuam encontrando maneiras de contornar as proibições, destacando um jogo de gato e rato em andamento sobre a tecnologia avançada de IA.
O Alibaba está proibindo o uso interno do Claude Code, citando riscos de segurança de supostos backdoors, enquanto a Anthropic simultaneamente aperta suas próprias restrições contra o acesso chinês via VPNs e subsidiárias offshore. As acusações mútuas revelam uma crescente fratura tecnológica onde ambos os lados invocam a segurança para bloquear as ferramentas um do outro.
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