
Warsh vê riscos inflacionários menores, Treasuries recuam, mas real cai a R$ 5,20
Declarações do presidente do Fed em Sintra reduziram os rendimentos dos títulos americanos e aliviaram momentaneamente os mercados, sem reverter a pressão sobre divisas emergentes e ações de tecnologia.
A afirmação do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que “os riscos à inflação parecem ter diminuído nas últimas semanas” provocou uma inflexão imediata nos mercados nesta quarta-feira. Os rendimentos dos Treasuries de dois anos recuaram de 4,20% para 4,16%, o índice DXY desacelerou de máximas de 101,60 para 101,22 pontos e as bolsas de Nova York se afastaram das mínimas do dia. O alívio, contudo, foi parcial: o S&P 500 fechou em queda de 0,21% e o Nasdaq cedeu 0,66%, pressionado por uma liquidação concentrada em semicondutores, com o ETF do setor recuando 5,40%.
A reação benigna aos comentários de Warsh contrastou com o tom mais duro adotado pelo banco central americano nas últimas semanas, que levou o mercado a precificar ao menos uma alta de juros até setembro. Dados do mercado de trabalho divulgados mais cedo já haviam moderado essas expectativas: a ADP reportou a criação de 98 mil vagas no setor privado em junho, abaixo dos 110 mil esperados, enquanto os índices de atividade manufatureira do ISM e da S&P Global indicaram expansão em ritmo menor. Ainda assim, o movimento de rotação para fora de ativos de risco se manteve, com o petróleo Brent recuando 1,14%, para US$ 72,12, em meio à redução das tensões no Estreito de Ormuz e à perspetiva de um mercado global superavitário.
No Brasil, o real foi a divisa mais pressionada entre as 33 mais líquidas acompanhadas pelo mercado. O dólar comercial subiu 0,90%, a R$ 5,2094, refletindo não apenas o ambiente externo de fortalecimento da moeda americana, mas também fatores domésticos. A pesquisa AtlasIntel mostrou o presidente Lula com 48,8% das intenções de voto contra 42,3% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem menor do que a registada em abril, o que, na avaliação de analistas em São Paulo, ampliou a cautela pré-eleitoral. Simultaneamente, o anúncio de sanções americanas a cidadãos e empresas brasileiras por supostas ligações com o PCC foi citado por operadores como elemento adicional de pressão sobre a moeda.
O Ibovespa fechou em baixa de 0,19%, aos 171.704 pontos, após oscilar entre perdas de 1,16% e uma recuperação parcial ao longo da tarde. A queda das commodities — o minério de ferro e o petróleo — pesou sobre as ações da Petrobras e de siderúrgicas, enquanto o setor financeiro operou sem direção única. Na perspetiva de economistas em Lisboa, o diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos dificilmente será suficiente para sustentar uma valorização do real, sobretudo com a aproximação do calendário eleitoral e as incertezas fiscais.
O próximo marco factual é a divulgação do relatório oficial de emprego dos EUA (payroll) na quinta-feira, que pode recalibrar as apostas para a trajetória dos juros. O mercado americano estará fechado na sexta-feira devido ao feriado do Dia da Independência, o que tende a concentrar a liquidez e a volatilidade na sessão anterior.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os mercados asiáticos mostram cautela devido ao impasse nas negociações entre EUA e Irã e aos temores de alta de juros pelo Fed. O iene atinge mínimas de 40 anos, enquanto as tensões no Estreito de Ormuz alimentam a incerteza. Os investidores seguem em alerta para uma possível intervenção japonesa.
Os mercados globais recuam à espera do discurso do presidente do Fed, Warsh, e dos dados de emprego dos EUA. O dólar se fortalece, pressionando moedas emergentes como o real, enquanto o petróleo cai. Todas as atenções se voltam para o tom mais duro do que o esperado de Warsh, que reacendeu as apostas em uma alta de juros.
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