
Mercado automóvel global diverge: usados ganham força na Rússia, elétricos disparam na UE e pós-venda cresce no México
Vendas de carros usados na Rússia sobem 4,2% em maio, enquanto UE regista aumento de 3,2% nos novos, impulsionado por elétricos, e México vê procura recorde por autopeças.
O mercado automóvel mundial apresenta trajetórias contrastantes em maio de 2026. Na Rússia, as vendas de automóveis ligeiros usados atingiram 511,5 mil unidades, um crescimento homólogo de 4,2%, embora com uma quebra mensal de 5,7% face a abril, segundo dados da agência Autostat. A liderança mantém-se com a Lada, mas a marca russa recuou 8,2% em termos anuais, enquanto Toyota, Volkswagen e outras marcas estrangeiras registaram subidas. Observadores em Moscovo associam a resiliência do mercado de usados aos preços elevados dos veículos novos, à estabilidade cambial do rublo e ao receio de que o regime preferencial de taxas de reciclagem possa ser revogado. Um inquérito recente revela que 55% dos compradores russos não estão dispostos a pagar mais de dois milhões de rublos por um usado, num contexto em que o preço médio se fixou em 1,43 milhões de rublos.
Na União Europeia, o mercado de automóveis novos cresceu 3,2% em maio, para 955.013 unidades, com o conjunto alargado da Europa (incluindo Reino Unido e países da EFTA) a registar 1,152 milhões de veículos, uma subida de 3,6%, reporta a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA). O destaque vai para os elétricos, cujas vendas dispararam 42,9% no espaço comunitário, representando já 20% do total acumulado de janeiro a maio. Enquanto grupos como Volkswagen, Stellantis e Renault contraíram ligeiramente, as chinesas BYD e Chery mais do que duplicaram as vendas, e a Tesla viu as suas entregas multiplicarem-se por 2,5. Este impulso ocorre num quadro de regulamentação ambiental mais exigente e de incentivos à eletrificação em vários Estados-membros.
Do outro lado do Atlântico, o México enfrenta uma realidade distinta: uma frota circulante de 54,1 milhões de veículos com idade média de 16,2 anos está a gerar uma procura histórica por peças e serviços de manutenção. A Indústria Nacional de Autopartes (INA) estima que cada um dos 39 milhões de lares mexicanos gasta, em média, 15.507 pesos por ano em combustível, refações e manutenção. O mercado de reposição norte-americano, com 367 milhões de veículos em circulação, é visto como uma oportunidade estratégica para os fabricantes mexicanos, que se consolidaram como centro de manufatura e distribuição para toda a região.
Na Ásia, a Indonésia sinaliza uma forte procura global por veículos produzidos localmente. As exportações de automóveis completos (CBU) saltaram 31,4% em maio face a abril, para 47.560 unidades, de acordo com a associação Gaikindo. O desempenho reflete a competitividade das plataformas industriais do Sudeste Asiático e a capacidade de responder a encomendas externas num momento de reorganização das cadeias de abastecimento.
Este mosaico de tendências — usados a ganhar peso na Rússia, elétricos a acelerar na Europa, pós-venda em expansão no México e exportações a crescer na Indonésia — ilustra um setor automóvel global cada vez mais segmentado, onde a pressão sobre o poder de compra, a transição energética e o envelhecimento das frotas moldam dinâmicas regionais específicas. Para os mercados lusófonos, em particular o Brasil, estas movimentações podem influenciar tanto o fluxo de autopeças como as estratégias de renovação de frota. O próximo marco a observar será a eventual decisão de Moscovo sobre a taxa de reciclagem, que poderá alterar o equilíbrio entre usados e novos, e a evolução das quotas de elétricos na UE no segundo semestre.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As matrículas de carros novos na Europa estão a aumentar, os veículos elétricos ganham quota de mercado enquanto o diesel e a gasolina recuam. O mercado está a mover-se com pragmatismo para os híbridos e elétricos.
O mercado russo de carros usados mantém-se resiliente, com vendas a crescer devido aos preços elevados dos novos e a um rublo forte. Enquanto a Europa aposta no elétrico, os russos agarram-se pragmaticamente aos veículos em segunda mão.
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