
Menopausa e fertilidade: nova abordagem global integra prevenção ao longo da vida
Campanha italiana e iniciativas na Ásia e no Médio Oriente refletem mudança no cuidado à saúde da mulher, com foco na prevenção de doenças crónicas e na desestigmatização da infertilidade.
A apresentação da campanha 'Menopausa, riscriviamo le regole' na Câmara dos Deputados italiana sinaliza uma viragem na abordagem à saúde feminina. A iniciativa, que inclui um congresso nacional, um portal e o livro 'M come Menopausa', parte do reconhecimento de que a menopausa e a pós-menopausa ocupam hoje um terço da vida das mulheres, uma fase que exige informação e prevenção para mitigar riscos cardiovasculares e oncológicos. Annamaria Colao, endocrinologista e vice-presidente do Conselho Superior de Saúde de Itália, sublinhou que as alterações hormonais deste período aumentam a vulnerabilidade a doenças crónicas, mas que existem instrumentos eficazes para as gerir, desde que haja uma cultura de saúde enraizada.
O declínio dos estrogénios e da progesterona está associado a um risco acrescido de osteoporose, doenças metabólicas e distúrbios do humor. Do ponto de vista cardiovascular, a mulher perde a proteção relativa que tinha antes da menopausa, igualando ou superando o risco masculino. Massimo Di Maio, presidente da Associação Italiana de Oncologia Médica, alertou para o aumento de tumores da mama, colorretal e do pulmão após os 50 anos, este último impulsionado pela mudança nos hábitos tabágicos. A adesão aos rastreios organizados e a promoção da atividade física — área em que as mulheres apresentam taxas de sedentarismo superiores às dos homens — são, na perspetiva de Roma, pilares de uma estratégia preventiva que deve começar antes da conceção e prolongar-se por toda a vida.
Esta visão integrada ecoa em outras geografias. Nos Emirados Árabes Unidos, médicos defendem um acompanhamento por etapas, da adolescência — com foco na saúde menstrual, vacinação contra o HPV e densidade óssea — à idade adulta, onde o planeamento pré-concecional ganha relevo. Na Malásia, o adiamento da maternidade e a prevalência de obesidade e diabetes estão a tornar as gravidezes mais complexas, exigindo monitorização precoce e aconselhamento pré-concecional. No Bangladesh, o mês de sensibilização para a infertilidade trouxe a debate a necessidade de envolver toda a família no aconselhamento, desfazendo o estigma que atribui a dificuldade de conceber exclusivamente à mulher.
A convergência destas iniciativas aponta para um modelo de cuidados contínuos, que não se esgota na idade reprodutiva. O congresso nacional italiano, previsto para os próximos meses, e a expansão de programas de aconselhamento pré-concecional em sistemas de saúde asiáticos são os próximos marcos a observar, num movimento que procura substituir o silêncio e o preconceito por informação científica e prevenção acessível.
| Imprensa do Golfo árabe | +0.50 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.40 | critical |
Gulf medicine offers cutting-edge solutions for menopause, turning it into a manageable and non-debilitating phase.
It highlights technical advances and positive outcomes, presenting menopause as a solvable problem with the right care, without mentioning costs or accessibility.
It does not discuss inequalities in access to care or the perspectives of women who cannot afford advanced treatments.
India's healthcare system abandons menopausal women, lacking beds and proper care in nearly half of all districts.
It uses concrete data on ICU shortages to generalize a lack of attention to women's health, creating a sense of urgency and neglect.
It does not mention local initiatives or specific government programs for menopause, nor does it compare with other countries.
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